A campanha contra os agrotóxicos e a democratização da economia

Campanha contra agrotóxicos: barreiras e possibilidades

386 0

Campanha contra agrotóxicos: barreiras e possibilidades 

Por Moriti Neto

No II Seminário Nacional da Campanha Permanente contra os Agrotóxicos e pela Vida, que ocorreu entre 7 e 9 de novembro, o tema da produção e utilização desenfreada de substâncias nocivas à saúde e ao meio ambiente na agricultura foi abordado de forma conjuntural – com ênfases política e histórica. No evento, o uso de agrotóxicos se mostrou relacionado ao capitalismo e à luta de classes, já que, como elemento de forte ação mercantil na atividade agrícola, a aplicação de produtos com alto índice de toxicidade visa simplesmente ao lucro e não à qualidade dos alimentos que chegam à população.

São muitas as barreiras a serem rompidas pela campanha contra os agrotóxicos: o debate público sobre a lei de iniciativa popular da economia solidária, o acesso às mídias para dialogar com a sociedade, necessidade de pesquisas de respaldo, trabalho com bases dos movimentos sociais, trabalho junto ao Congresso Nacional e concretização das alternativas no campo da agroecologia e da economia solidária.
Para reforçar essas pautas, durante o seminário, no dia 8 de novembro, ocorreu ato político em Brasília (DF) num importante momento para a confirmação de alianças com parlamentares e movimentos sociais que são solidários e parceiros da campanha.
A deputada federal Luci Choinacki (PT-SC) reforçou a proximidade com as ideias da campanha. “Sempre trabalhei na roça sem veneno. Porque agrotóxico, se mata bicho, mata gente. As denúncias sobre o impacto dos agrotóxicos na saúde das pessoas é um grito de alerta para mudar o padrão de produção, concentração de riqueza e poder”, destacou.
Outro parlamentar, o deputado federal Marcon (PT-RS), que é assentado em Nova Santa Rita, no Rio Grande do Sul, também ressaltou a necessidade de fortalecer alternativas ao atual modelo. “Devemos focar em aspectos como a atuação para a conscientização do consumidor e o avanço da legislação para a criação de barreiras contra o uso dos agrotóxicos”, disse.
Mesmo com obstáculos a superar, há, no Brasil, um amplo espaço para desenvolver a campanha. O número de denúncias dos impactos de agrotóxicos nas áreas rurais, a incidência de casos de câncer – refletindo na saúde humana os males do modelo de produção – e o fato de o país ser o maior consumidor das substâncias no planeta, com registro de mais de 1 milhão de toneladas utilizadas anualmente, são itens que conferem amplitude ao tema.
Conferência do Desenvolvimento debate democratização da economia  
A 2ª Conferência do Desenvolvimento (Code), do Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas (Ipea), ocorrida em Brasília (DF), entre os dias 23 e 25 de novembro, teve como objetivo o debate nacional sobre desenvolvimento. Contando com mais de mil palestrantes, o evento foi aberto à participação de estudantes, profissionais, agentes públicos, estudiosos, pesquisadores, especialistas, professores e legisladores.
No dia de abertura, já no Painel I de debates, mediado pelo diretor de Estudos e Políticas Sociais do Ipea, Jorge Abrahão, com o tema “Proteção social, garantia de direitos e geração de oportunidades”, assistido por aproximadamente 600 pessoas, a economia solidária foi assunto em pauta.
O secretário Nacional de Economia Solidária do Ministério do Trabalho e Emprego, professor Paul Singer, um dos debatedores do painel, destacou as relações entre a economia solidária e as ações de políticas públicas. “O projeto da presidenta Dilma Rousseff, de erradicar a pobreza extrema no Brasil, por meio do programa Brasil Sem Miséria (programa federal constituído por convênios com os estados e municípios), fará com que o país deixe de ser reconhecido pela enorme desigualdade social”, enfatizou.
A integração necessária para que as populações excluídas do ciclo produtivo vivam com dignidade foi destacada por Singer. “Muitos pobres estão em condições de pobreza absoluta por hereditariedade, como as populações que vivem em quilombos e indígenas integrados inadequadamente à sociedade capitalista”, argumentou.
Democracia na economia 
Segundo Paul Singer, o aspecto essencial para que a pobreza extrema seja erradicada é a plenitude democrática. “A essência da democracia é a igualdade, que hoje é praticada em muitos meios, mas não na economia. É preciso levar a democracia para a economia, para a educação e todas as atividades coletivas sociais do país, pois só numa sociedade absolutamente democrática a pobreza extrema será finalmente intolerada”, salientou.
O secretário também mencionou a urgência da soma de forças entre classes para garantir um desenvolvimento de qualidade, o que passa pela eliminação da pobreza. “Queremos criar condições para que nunca mais tenhamos pobres extremos no Brasil. Precisamos aproveitar a inteligência dessas pessoas e somar ao esforço da parte não pobre da população para que possamos resolver a questão de forma permanente, por meio da inclusão produtiva”, disse.


No artigo

x