A mudança passa pela indignação

As insuficiências do regime democrático estão mais do que nunca expostas. E os três textos de capa desta edição mostram isso.

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Na década de 1990, o filósofo e economista Francis Fukuyama alcançou fama que foi além dos ambientes acadêmicos ao decretar o fim da História, que teria como “vencedores” o neoliberalismo e a democracia burguesa, o regime, em tese, mais perfeito de todos os tempos. Desde então, o mundo tem desmentido a tese que foi bem aceita aceita na ocasião e a tal História, senhora que caminha devagar, nos dizeres de Eduardo Galeano, parece hoje ter pressa.

As insuficiências do regime democrático estão mais do que nunca expostas. E os três textos de capa desta edição mostram isso. A festejada globalização econômica conseguiu unir interesses de várias partes do mundo e o poder financeiro, ao mesmo tempo que expandiu suas garras, concentrou-se ainda mais nas mãos de poucos. São bem menos do que o 1% da população que detém o poder real, e estes não passam por qualquer tipo de escrutínio popular ou são votados.

É contra estes e o sistema que os sustenta, que as pessoas começam a se levantar. O mal estar que afeta a todos vem de longa data, desde a época em que Fukuyama parecia ter razão aos olhos de muitos, e pôde ser visto nas manifestações de Seattle e traduzido na ideia que inspirou o Fórum Social Mundial. Hoje, a indignação que soprou do mundo árabe, criou raízes na Europa em crise e chegou à América, promete não parar por aí.

Se as novas tecnologias serviram para que as finanças penetrassem a alma de cada Estado no planeta, são elas também que hoje servem de fio condutor desse anseio por mudança que brota em quase todo canto, tomando forma em manifestações de rua, acampamentos e protestos. Trata-se de um cenário que nos obriga à reflexão sobre o quanto a democracia é de fato efetiva ou se, hoje, não serve em muitas ocasiões apenas como legitimação do poder de uma parcela ínfima da população. Poder, é bom que se diga novamente, que não foi delegado, mas sim, usurpado à força pela mão não tão invisível do mercado.

O primeiro passo para a mudança é não aceitar ou se resignar diante de um estado de coisas que está longe de ser “natural”. É isso que todos os que se manifestam querem passar ao mundo. E é com eles que Fórum vai.

 



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