Fórum de Mídia Livre constrói agenda comum internacional e articula rede

Eles debatem como podem contribuir para disseminar as pautas dos movimentos sociais pela justiça social e ambiental

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Eles debatem como podem contribuir para disseminar as pautas dos movimentos sociais pela justiça social e ambiental

Por Adriana Delorenzo 

O debate sobre comunicação também faz parte das atividades autogestionadas que compõem a Cúpula dos Povos, evento paralelo à Rio+20. Neste final de semana, 16 e 17, acontece o II Fórum Mundial de Mídia Livre (IIFMML), na Universidade Federal do Rio de Janeiro, que discute justamente como disseminar as pautas da sociedade civil na opinião pública. Cerca de 250 “midialivristas” do Brasil e de outros países, como Colômbia, Argentina, Moçambique, China, França, Itália, Equador e Curdistão, participam do evento que pretende articular uma rede internacional.

“A comunicação é estratégica para mostrar o protagonismo dos povos nas soluções para a crise socioambiental”, disse Rita Freire, da Ciranda, uma das organizadoras do fórum. Ainda segundo ela, o objetivo é que a mídia livre possa se articular e se fortalecer para “traduzir o debate dos povos e contrapor as soluções apresentadas com o nome de economia verde, para o que os movimentos sociais chamam de justiça social e ambiental”.

A diretora da Faculdade de Comunicação da UFRJ, Ivana Bentes, considera que enquanto a Cúpula e a Rio+20 discutem os recursos naturais finitos e os limites do planeta, a discussão da mídia se encontra num cenário oposto: da abundância. “Nunca tivemos tanta produção de informação, mas a escassez é construída”, comentou. Legislações restritivas, como as que criminalizam o compartilhamento, são exemplos de tentativas de barrar a proliferação das mídias livres.

O movimento vem sendo construído desde o Fórum Social Mundial de 2009, realizado em Belém (PA), quando ocorreu o primeiro FMML. Desde então, já ocorreram três fóruns nacionais.

Contraponto democrático

Segundo o editor da Fórum e presidente da Associação Brasileira de Empresas e Empreendedores da Comunicação (Altercom), Renato Rovai,  o levante para o Occupy foi motivado por uma revista alternativa canadense Adbusters, veículo anticonsumista, mantido por leitores. Ele destacou ainda que no Egito, uma multidão conectada conseguiu derrubar uma ditadura sangrenta. “Todas essas disputas ainda vão continuar”, disse, lembrando a situação atual do Egito, onde o parlamento foi dissolvido e as eleições legislativas anuladas.

“Temos que pensar na comunicação como uma ferramenta de mobilização”, ressaltou Dríade Aguiar, do coletivo Fora do Eixo. Para ela, “é através dos softwares e hardwares que vamos conseguir trazer as pessoas para as ruas”. Como exemplo, ela citou a Marcha da Liberdade – protesto realizado em 40 cidades contra a repressão policial em 2011 – construído totalmente pelas redes (on line) que levou milhares às ruas (off line).

Agenda comum

Segundo Bia Barbosa, do coletivo Intervozes, que atua pela defesa do direito à comunicação, o objetivo é que os midialivristas terminem o encontro com ações concretas aprovadas. “Queremos articular propostas para que esse não seja só mais um fórum”, afirmou. De acordo com ela, “os países vivem tempos históricos diferentes, mas todos enfrentam realidades muito semelhantes no campo da comunicação”.

Nesta mesa inicial do evento também se debateu como criar políticas públicas para fortalecer as mídias livres. Para Ivana, é preciso “reconhecer quem produz mídia hoje”. Uma das medidas, de acordo com ela, é retomar os editais de mídia livre do Ministério da Cultura. O gerente de Educação e Tecnologia Inclusiva da Fundação Banco do Brasil, Claiton Mello, reforçou que é preciso “fortalecer tecnologias sociais que se contrapõem ao modelo hegemônico”. “Nem a mídia tradicional, nem a tecnologia convencional vão promover o desenvolvimento sustentável”, afirmou. Ele anunciou o programa de inclusão digital da FBB, patrocinadora do FMML, que prevê o fomento a mídias livres em cerca de mil pontos do Brasil.

Foto: Fora do Eixo

 



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