“Marcha a ré” protesta contra retrocessos na política ambiental

Na Cúpula dos Povos, ativistas criticaram Belo Monte e mudanças no Código Florestal, e ainda encontraram com o deputado Paulo Piau, relator do novo texto, no meio do caminho

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Na Cúpula dos Povos, ativistas criticaram Belo Monte e mudanças no Código Florestal, e ainda encontraram com o deputado Paulo Piau, relator do novo texto, no meio do caminho  

Por Mikaele Teodoro 

“Paulo Piau com que cara você chega?” Foi o que perguntaram milhares de ativistas e simpatizantes na tarde de segunda-feira, 18, quando, por coincidência, o trajeto da Marcha à Ré cruzou com o caminho do relator do novo Código Florestal, o deputado Paulo Piau (PMDB-SP). Ele mudou sua rota, e a marcha seguiu pacífica aos gritos de: “Retrocesso” .

A manifestação, organizada pelo Movimento Brasil pelas Florestas, com a colaboração de centenas de organizações e coletivos, partiu do Museu de Arte Moderna, no Aterro do Flamengo, onde acontece a Cúpula dos Povos na Rio+20, em direção ao BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social). O lema do protesto era “Dilma com que cara você chega?”, em referência à montagem, onde, de um lado, Dilma está como a jovem militante da ditadura militar e, do outro lado, como presidenta.

O ato contou até com duas funcionárias do Ministério do Meio Ambiente, Lenita Braga e Neuza Vasconcelos. “Estamos aqui para nos posicionar e defender nossa carreira, mostrar que o que o governo fala não é verdade, a parte ambiental não está tão bem”, contesta Lenita.

Simone Mammede, educadora ambiental, conta que ela e um grupo de oito pessoas vieram de bicicleta do estado de Minas até o Rio de Janeiro para participar das atividades. “Viemos descendo de bicicleta, que é um meio totalmente não poluente, por cerca de 400 quilômetros e viemos parando nas comunidades, oferecendo oficinas de práticas sustentáveis.” A ambientalista acredita na importância de estar presente para “mostrar ao mundo que é possível ter um mundo melhor, mais digno, mais justo e mais sustentável”.

Já a argentina Luzia Rodrigues explica que veio de bem longe por acreditar na importância da manifestação da sociedade civil no processo de construção da política ambiental. “É importante que a sociedade civil mostre o que pensa, o que deseja, mas de forma pacífica. As mudanças não virão de um dia para o outro, mas essa construção é muito importante”, comenta.

Luiz Prata, organizador da marcha e membro do Movimento Brasil pelas Florestas, reforça a importância da mobilização da sociedade civil e se diz muito “otimista” com as articulações da Cúpula. Porém, ele diz temer poucos resultados por conta da “correlação de forças dos movimentos perante a investida das grandes empresas e  do  capital”.

A organização da “Marcha a ré” comemorou a visibilidade e o espaço que a manifestação ganhou na Cúpula. Rafael Santos, do movimento Brasil pela Florestas, destaca que o protesto foi emocionante. “Estamos muito felizes que tudo tenha ocorrido bem e pacíficamente.”

 

Fotos: Flickr/Percurso da Cultura



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