A Privataria e a maioridade da outra mídia

O episódio das privatizações no governo FHC e o livro que pode gerar uma CPI

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O episódio das privatizações no governo FHC  e o livro que pode gerar uma CPI

Por Revista Fórum

Na noite do fechamento desta edição, no dia 21 de dezembro, os jornalistas Paulo Henrique Amorim e Amaury Ribeiro Jr., e o deputado federal Protógenes Queiroz, participavam de um debate no Sindicato dos Bancários de São Paulo. Protógenes anunciava que já tinha quantidade de assinaturas suficiente para a instalação de uma CPI que teria como base a vasta documentação publicada no livro A Privataria tucana, e o autor, Amaury, garantia que além do publicado tinha muito mais documentos a oferecer à CPI.

O episódio das privatizações no governo FHC foi debatido em dezembro último como “nunca na história deste país”. Não que não houvesse motivos para isso. O livro O Brasil privatizado, do jornalista Aloysio Biondi, lançado em 1998, também foi um best seller. Vendeu mais de 140 mil exemplares. O de Amaury, dez dias após o lançamento já atingia a marca de 120 mil.

O fenômeno de A Privataria teve muito a ver com a nova esfera da comunicação do Brasil, a blogosfera. Porque, num primeiro momento, a mídia tradicional ignorou completamente a publicação. E, num segundo, para tratar do livro sem falar dele, decidiu atacar os blogueiros que o repercutiam. Nas palavras de um dos seus colunistas imortais, estes blogueiros seriam “chapa brancas” por destacarem um trabalho de um “propagandista de campanha petista”.

A raiva dos colunistas indignados tinha mais a ver com despeito e perda de espaço do que com qualquer outra coisa. A editora de A Privataria tucana não enviou o livro a nenhuma das chamadas “grandes redações” antes do seu lançamento.

Quem teve acesso ao trabalho antes do lançamento – que aconteceu numa entrevista ao vivo realizada por alguns dos chamados blogueiros sujos, com Amaury Ribeiro Jr. – foram apenas estes blogueiros e a redação da revista Carta Capital.

Esse livro deixa uma lição.

Além de ser uma reportagem investigativa muito bem realizada, com provas contundentes de que parentes de tucanos graúdos, como o ex-governador José Serra, abriram offshores em paraísos fiscais para internalizar recursos no Brasil, também torna-se uma referência para discutir o novo momento midiático.

A mídia tradicional comercial não fala mais sozinha. E pode até ficar calada que se a outra esfera da comunicação, formada por blogueiros e ativistas de redes sociais, tiver uma pauta comum, o assunto entra na agenda.

No caso da bolinha de papel, na campanha de Dilma, isso já tinha ficado claro. Mas havia quem dissesse que aquilo só acontecera por conta do calor do momento. E agora? O sucesso de A Privataria tucana é o atestado de maioridade da outra mídia, que precisa ser respeitada como um importante espaço de comunicação.

Se governos considerados progressistas continuarem apenas olhando para os velhos veículos de sempre é porque não têm interesse no novo. E não são progressistas.

 



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