Quero o Paysandu no campeonato brasileiro!

Diante do tropeço do Santos frente ao invencível Barcelona, uma espécie de seleção mundial, lembro dos bons tempos do futebol brasileiro em que o campeonato nacional era chamado de “o melhor do mundo”

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Diante do tropeço do Santos frente ao invencível Barcelona, uma espécie de seleção mundial, lembro dos bons tempos do futebol brasileiro em que o campeonato nacional era chamado de “o melhor do mundo”

Por Mouzar Benedito

Diante do tropeço do Santos frente ao invencível Barcelona, uma espécie de seleção mundial, lembro dos bons tempos do futebol brasileiro em que o campeonato nacional era chamado de “o melhor do mundo”, quando, em vez de brasileiros acompanhando campeonatos europeus, eram os europeus que acompanhavam com inveja, pela TV, os jogos dos nossos times.

O futebol brasileiro já teve momentos absurdos também, como no tempo da ditadura. “Onde a Arena vai mal, um time no nacional. Onde a Arena vai bem, um time também”, era a brincadeira que se fazia. O futebol quase sempre foi e é utilizado politicamente, e a ditadura brasileira fez isso com muito sucesso.

Além de faturar em cima da conquista da Copa de 1970, aproveitou a euforia futebolística para agradar o eleitorado, colocando timecos regionais para disputar o campeonato nacional. Em 1979, chegou a 94 o número de times na disputa.

Houve uma reação muito justa contra essa inflação de times colocados politicamente na “elite do futebol brasileiro”, sem nenhum merecimento. Mas acho que acabaram exagerando na dose.

O Brasil imita a Europa, sem necessidade. Nos países europeus, como Itália, Espanha, Alemanha e França, são vinte times que disputam o campeonato? Então tem que ser vinte no Brasil também.

Bobagem.

Pergunto aos leitores quantos times espanhóis disputaram a final do campeonato mundial de clubes. Real Madrid, Barcelona… Mais algum? E os italianos? E os ingleses? E os alemães?

Pois vejam que no Brasil nove times chegaram a isso. Sete times – Santos, São Paulo, Corinthians, Palmeiras, Flamengo, Grêmio e Internacional – já foram campeões mundiais. Cruzeiro e Vasco disputaram e perderam, foram vices. Que país tem tantos times no topo do futebol assim? Nove disputaram a final do mundial de clubes!

Então, por que temos que ter campeonato com vinte times, como os europeus? Proporcionalmente, o campeonato paulista já equivale ao de um país europeu. Tem quatro times de primeira linha – Corinthians, São Paulo, Santos e Palmeiras – e vários equivalentes aos de segunda linha dos campeonatos europeus. Portuguesa, Ponte Preta, Guarani… de vez em quando mais algum ascendente, como Bragantino, Santo André, São Caetano…

Então é isso: campeonato de vinte times é o paulista. O brasileiro tem que ir além.

Não temos um Barcelona aqui, mas vejam que o campeonato espanhol tem Barcelona e Real Madrid disputando com dezoito coadjuvantes – de vez em quando algum deles desponta, como o Atlético Madrid, o Valência e o Sevilla –, aqui temos muito mais times disputando o campeonato de verdade.

Além dos quatro grandes paulistas, temos os dois grandes gaúchos, os quatro grandes do Rio, os dois grandes de Minas (só aí são doze equipes) e entre os “coadjuvantes” que de vez em quando despontam, três times do Paraná, dois da Bahia, três de Pernambuco e às vezes algum de Goiás, do Ceará ou de Santa Catarina, como foi o caso do Figueirense, no campeonato de 2011.

Por causa dessa imitação que se faz do campeonato europeu ficam de fora do campeonato brasileiro times de outros estados, como o Pará (o Paysandu tem uma torcida enorme), que nada ficam a dever a alguns que disputam o campeonato espanhol: Getafe, Mallorca, Granada, Rayo…

Por isso, defendo: o campeonato brasileiro de futebol deveria ter 28 times. Tá falado.

Ah… Me lembrei de uma situação que era o contrário dessa.

Em Nova Resende, minha terra, o lateral Elias foi afastado à revelia da Esportiva, o “grande” time local, quando completou 49 anos. Não queria abandonar o futebol. Fundou então com alguns companheiros “aposentados” do esporte o Sem Futuro Futebol Clube. O problema era arranjar adversário equivalente. Procuraram na região e encontram em Juruaia o Reumatismo Futebol Clube. E só. Jogavam apenas entre eles. Não inventaram um campeonato, mas se inventassem seria interessante. Um deles seria fatalmente campeão e o outro vice. Sem rebaixamentos.



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1 comment

  1. Oswaldo Vb Responder

    Boa análise


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