Golpe: Fernando Lugo sofre impeachment relâmpago no Paraguai

Em votação realizada no final da noite desta sexta-feira, o Senado paraguaio decidiu aprovar o impeachment. A votação foi nominal e somou 39 votos a favor da condenação de Lugo, 4 contrários e 2 ausências.

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Em votação realizada no final da noite desta sexta-feira, o Senado paraguaio decidiu aprovar o impeachment. A votação foi nominal e somou 39 votos a favor da condenação de Lugo, 4 contrários e 2 ausências.

Por Redação 

Publicado por Sul21.

Em votação realizada no final da noite desta sexta-feira, o Senado paraguaio decidiu aprovar o impeachment do presidente Fernando Lugo. A votação foi nominal e somou 39 votos a favor da condenação de Lugo, 4 contrários e 2 ausências. Após o fim da votação, transmitida ao vivo, os protestos tomaram conta da Plaza de Armas, em frente ao Congresso paraguaio, com manifestantes criticando o que consideram um golpe de estado contra Lugo.

Fernando Lugo foi alvo de um processo relâmpago de impeachment, iniciado na quinta-feira (21) e concluído no começo da noite de sexta. Movido pelo Congresso, o pedido trazia cinco acusações contra Fernando Lugo. A principal delas é de mau desempenho de suas funções em uma ação de reintegração de posse na semana passada, que acabou com a morte de 11 camponeses e seis policiais. Além disto, havia acusações de que Lugo teria colocado militares às ordens de sem-terras, de que o presidente teria financiado um protesto de estudantes e que ele seria o responsável por uma “onda de violência” no país. A quinta acusação era de que a assinatura do Protocolo de Ushuaia 2, em 2011, feriria a soberania do país. O protocolo permitirá, caso ratificado, que a Unasul interfira em países-membros quando houver golpes de estado.

Em comunicado oficial divulgado na tarde de sexta-feira (22), a Unasul manifestou seu apoio ao presidente paraguaio e afirmou de forma indireta que os países-membros podem romper suas relações diplomáticas com o Paraguai, caso o processo de impeachment contra o líder do Executivo paraguaio seja levado até o fim. Será avaliado, segundo o comunicado, “em que medida será possível continuar a cooperação no contexto da integração sul-americana” nessas condições. Lido pelo secretário-geral da entidade, o venezuelano Alí Rodríguez, o texto diz que a Unasul “reconhece a Fernando Lugo como o único presidente legítimo do Paraguai”. A íntegra da nota pode ser lida neste link.

Mais cedo, em entrevista à Telesur, Alí Rodríguez disse que a Unasul detectou “uma ameaça de ruptura com a ordem democrática” e que a rapidez do julgamento causava aos chanceleres a suspeita de um golpe de estado em curso no Paraguai. “Tudo indica que uma decisão já foi tomada”, afirmou, acrescentando que “há muita gente concentrada em frente ao Congresso e ao palácio, e nosso temor é de que possa haver um derramamento de sangue”.

O próprio presidente Fernando Lugo manifestou-se na tarde de sexta-feira (22), antes da sentença, afirmando que respeitará o impeachment, mas que resistirá por outros meios democráticos ao que qualificou como “golpe parlamentar com roupagem jurídica”. “Temos de respeitá-lo (processo de impeachment). Trata-se de um mecanismo constitucional. Mas, a partir de outros organismos organizacionais, provavelmente decidiremos fazer resistência para que o âmbito da democracia e da participação se consolidem no Paraguai”, afirmou em entrevista à Radio 10 Argentina.



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