A questão urbana e a informação

Esta edição de Fórum traz como tema principal a situação das cidades brasileiras, que cada vez mais sofrem os efeitos do abandono do planejamento urbano

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Esta edição de Fórum traz como tema principal a situação das cidades brasileiras, que cada vez mais sofrem os efeitos do abandono do planejamento urbano

Por Revista Fórum 

Esta edição de Fórum traz como tema principal a situação das cidades brasileiras, que cada vez mais sofrem os efeitos do abandono do planejamento urbano. São locais que crescem de forma desordenada, atendendo quase tão somente aos interesses do mercado imobiliário, que direciona para onde as cidades vão crescer e quais regiões serão atendidas pela infraestrutura do Poder Público. Financiadores de campanhas eleitorais e sempre presentes nos círculos de tomada de decisão das administrações públicas, esses agentes imobiliários têm ajudado a desenhar municípios cada vez mais segregados e excludentes, negando  a uma parte da população direitos básicos, como o da moradia.

Assim, criam-se verdadeiros monstros urbanos, lugares desiguais em que a mobilidade é prejudicada, mesmo que sejam abertas vias e mais vias de fluxo de automóveis. São espaços nos quais os pobres são expulsos para as franjas da cidade, e parte da elite tem a ilusão da segurança e da comodidade em condomínios fechados e shopping centers, espaços privados que se contrapõem aos espaços públicos e abertos que se tornam exíguos.

O arcabouço legal para que seja possível construir cidades mais democráticas e menos desiguais já existe e é fruto de lutas de décadas, promovidas por movimentos de reforma urbana. Mas, para tornar efetiva a legislação que envolve normas sofisticadas como o Estatuto das Cidades, é preciso mobilização. E, principalmente, informação.

A urbanista Ermínia Maricato, principal entrevistada desta edição, acredita que uma das prioridades deveria ser combater o que ela chama de “analfabetismo urbanístico”, ou seja, desenvolver um trabalho educativo que permita difundir informações e fazer o debate público sobre uma questão que, como tantas outras, parece interditada no Brasil, pelos mais diversos motivos e interesses. E as eleições municipais de 2012 poderiam ser um bom ponto de partida para destravar essa discussão. É o que se espera dos homens públicos e da sociedade em geral, que precisa acordar para o tema.

 



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