Manifestantes protestam em frente ao Consulado do Paraguai

“Passaram 60 anos roubando o país e, agora, estão voltando” diz o paraguaio Simon Risete

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“Passaram 60 anos roubando o país e, agora, estão voltando” diz o paraguaio Simon Risete

Por Mikaele Teodoro

Cerca de 250 manifestantes protestaram em frente ao consulado do Paraguai em São Paulo na tarde desta segunda-feira, 25. Eles não reconhecem o vice Federico Franco como novo presidente e exigem o retorno de Fernando Lugo que sofreu um “impeachment” na última sexta-feira, 22.

“Nós estamos integralmente convencidos de que é um golpe”, afirma Simon Risete, presidente da Comissão do Bicentenário do Paraguai. Segundo ele, a intenção do ato é mostrar “repúdio a esse governo que apareceu aí do nada”. Ele contesta o caráter da decisão, “em um país que elegeu o presidente democraticamente, por voto popular de 60%, é inadmissível que em duas horas possam destituí-lo sem o direito a defesa”, diz.

“Esse governo é de mentira, sempre foram de mentira. Passaram 60 anos roubando o país e, agora, estão voltando. O mesmo grupo, Partido Colorado e Partido Liberal. O presidente do parlamento é colorado, filho da ditadura, tudo vai ficar igual uma grande ditadura”, lamenta.

Ao contrário do que, em geral, é veiculado na imprensa comercail, Risete está certo da indignação popular em seu país. “Fecharam a ponte da amizade, a ponte que une o Paraguai à Argentina, aí está uma clara visão de que os paraguaios não estão de acordo. Não são apenas os que vivem no Brasil, os paraguaios que estão lá dentro também”, frisa.

Durante o ato, uma carta de repúdio ao golpe foi entregue por cinco representantes: dois sindicalistas, dois imigrantes paraguaios e um estudante a uma comissão do Consulado Geral do Paraguai em São Paulo.

Pedro Charbel, estudante de Relações Internacionais da Universidade de São Paulo (USP) e um dos organizadores do ato, comenta que a articulação do protesto começou pelo Facebook e logo ganhou a adesão de muitos movimentos sociais.  Ele destaca que a “pressão é para que o Brasil não reconheça esse governo ilegítimo”. O estudante ainda afirma que a articulação com os paraguaios aqui no Brasil deve ser “intensificada”.

O Comitê de Solidariedade ao Povo Paraguaio (como ficou estabelecido durante a articulação) fará reunião na quinta-feira, 28, no Espaço Cultural Latino-Americano (ECLA), localizado no Bixiga, às 18 horas.

Também se estuda a proposta de fazer uma marcha mundial contra o golpe de Estado no Paraguai. A ideia é unir todas as iniciativas que se espalham pelo mundo, num só dia para mostrar que “as nações latino-americanas não reconhecem o novo governo”.



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1 comment

  1. Milton Quadros Responder

    Como o golpe militar não é mais aceito no mundo, nem mais pelos USA como foi até o final do século passado, inventou-se o golpe constitucional, facilitado por políticos míopes como o Lugo, que colocou o discurso acima da bandeira que carrega bem ao estilo Erondina, Heloísa Helena, Cristovão Buarque, Marina Silva ou a Marta Suplicy, esta com o ego maior que as bandeiras. Já dizia Raul Seixas: "A arapuca está armada. E não adianta de fora protestar. Quando se quer entrar num buraco de rato. De rato você tem que transar."


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