Meditação sobre o rio Tietê

Animado com o artigo de Renato Rovai sobre incorporarmos a recuperação dos rios que cortam São Paulo na pauta eleitoral, encontrei este vídeo em que poetas declamam “A Meditação sobre o rio Tietê”, o...

1064 0

Animado com o artigo de Renato Rovai sobre incorporarmos a recuperação dos rios que cortam São Paulo na pauta eleitoral, encontrei este vídeo em que poetas declamam “A Meditação sobre o rio Tietê”, o último poema de Mário de Andrade, concluído poucos dias antes de sua morte, em 25/2/1945. É o meu poema preferido de Mário, “Rio que entras pela terra / e que me afastas do mar…”, ele fala da gênese da alma paulista, e de como São Paulo a perdeu, alienado-se dos rios que lhe deram vida e sentido. Foi pelo rio que os paulistas adentraram no território além Tordesilhas e foi em torno do rio que se produziu toda uma vida social em São Paulo, dos piqueniques ao remo, das competições de natação (atravessava-se o Tietê a nado, a competição “São Paulo à nado”, idealizada por Casper Libero e tão relevante quanto a corrida de São Silvestre, chegava a contar com 3.000 competidores) aos campos de futebol de várzea. Tudo isso se perdeu. À época da agonia do Tietê, Mário de Andrade foi um dos poucos que protestou (de certo os outros moradores estavam preocupados em coisas mais importantes, como ganhar dinheiro e acumular coisas). Sempre que leio esse poema, o sinto como um testamento e comparo o significado do rio perdito pelos moradores de São Paulo à muiraquitã perdida por Macunaíma; e assim como na rapsódia de Macunaíma, sinto que não haverá felicidade enquanto a cidade não se reencontrar com seu rio.

“Água do meu Tietê,

Onde queres me levar?

…..

Uma lágrima apenas, uma lágrima,

Eu sigo alga escusa nas águas do meu Tietê.”

 

Com vocês, a Meditação sobre o rio Tietê:

 



No artigo

x