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Por ações para a juventude do campo e da floresta, seminário aborda politica nacional

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Por Moriti Neto

Por ações para a juventude do campo e da floresta, seminário aborda politica nacional

Em quatro dias de debates, o I Seminário Nacional de Juventude Rural abordou os desafios da construção de políticas públicas para a futura classe de agricultores familiares. O evento ocorreu no período de 21 a 24 de maio, em Brasília (DF), e foi promovido pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) em parceria com a Secretaria Nacional da Juventude (SNJ), órgão da Secretaria Geral da Presidência da República. Entre os jovens participantes, havia agricultores familiares, camponeses, assentados da reforma agrária, assalariados, sem-terra, quilombolas, indígenas, ribeirinhos e extrativistas oriundos de diversas regiões do Brasil.

Considerando o contexto atual do modelo de desenvolvimento agrícola, ainda marcado pela hegemonia que centraliza o agronegócio, o simpósio criticou a concentração de terras e riquezas naturais, a produção de commodities para exportação, o uso desenfreado de agrotóxicos, o alto índice de exploração dos trabalhadores – o que gera êxodo rural –, desigualdade social e violência no campo. Além disso, foi debatida a criação de uma política nacional de juventude do campo e da floresta.

Outros temas como a juventude rural inserida no contexto de comunidades tradicionais, a agroecologia como modelo eficaz de desenvolvimento rural com consciência ambiental e alguns programas do MDA – casos do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf-Jovem), Nossa Primeira Terra e a Ação Orçamentária de Apoio a Projetos de Infraestrutura e Serviços (Proinf) também foram abordados.

O secretário de Desenvolvimento Territorial do MDA, Jerônimo Rodrigues, participou das discussões. “As questões colocadas no seminário servem para fazer uma análise das políticas públicas do governo federal como um todo e, principalmente, do MDA. A discussão é fundamental para que possamos ir remodelando, dentro do que nos permite, a diretriz orçamentária anual”, destacou.

A representante da Pastoral da Juventude Rural do Rio Grande do Sul, Taciane Laís da Silva, ressaltou a possibilidade de falar da realidade do jovem rural. “O jovem hoje está abandonando o campo e indo para a cidade em busca de melhor renda, educação e qualidade de vida. O pior é que esse êxodo rural é seletivo, as mulheres saem primeiro, então, o campo está ficando masculinizado.
A agroecologia é um exemplo de que é possível produzir de forma sustentável, agregando valor a esse meio de produção. Mostra-se uma alternativa concreta para que os jovens possam permanecer no campo e melhorem a qualidade de vida”, ressaltou.
Além das mesas temáticas e debates, os jovens participaram de dez oficinas, que foram direcionadas à discussão sobre desafios, possibilidades e acúmulo de experiências para a construção de uma política nacional para a juventude rural.

Com as políticas públicas voltadas durante muito tempo ao público da cidade, a educação e a cultura, que são elementos geralmente deixados em última instância, ganharam nas oficinas um espaço para discussão. “A partir disso, esperamos que as propostas sejam incluídas nos territórios rurais, que estão carentes de ações e políticas para essas áreas. Saio contente, pois uma das propostas do grupo é levar o incentivo à produção de documentários e à prática da rádio comunitária nas cidades do interior. As propostas vêm dos jovens rurais e é interessante ver que eles têm a liberdade de opinar e criar propostas para as políticas públicas”, salienta Juscimara Santos Almeida, representante da juventude do Movimento dos Pequenos Agricultores da Bahia.

Uma das atividades que mais chamou atenção dos jovens foi a de webcidadania. Com o objetivo central de fazer chegar, por meio do jovem, informação às comunidades, a iniciativa busca elevar o potencial de articulação dos grupos. “Percebemos que é a mesma luta em regiões diferentes. No encontro, vimos que os jovens querem agregar a sabedoria dos pais com as novas experiências da realidade que vivemos. A partir do momento em que nós, jovens, nos articulamos, a gente se fortalece. É importante entendermos nosso segmento, pois devemos ter o compromisso de dar continuidade a uma luta que começou com os nossos antepassados”, argumenta Adriane Ivanine Faria Rosa, liderança da Juventude Jongueira do Rio de Janeiro.

Documento final

Ao final do evento, os jovens elaboraram uma carta com apontamentos sobre as necessidades mais urgentes para a garantia de uma vida digna à juventude do campo. Entre os principais eixos do documento estão o acesso a terra e território, por uma ampla e massiva reforma agrária, demarcação das terras indígenas e quilombolas, valorização da juventude rural como sujeito estratégico na dinamização e desenvolvimento do campo, educação do campo e no campo, ensinos fundamentais e médios com cursos superiores nas diferentes áreas de conhecimento, políticas agrícolas voltadas para a juventude rural, eliminação do trabalho degradante e em condições análogas à escravidão nos latifúndios, acesso a políticas de cultura, esporte, tecnologias de informação e comunicação, geração de renda agrícola e não agrícola.

No balanço do evento, os participantes enalteceram a importância da continuidade do contato entre os grupos para a garantia da construção de propostas de políticas públicas, bem como de cobrar sua implantação.



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