Os novos tempos da comunicação

Espaço virtual confronta e desconstrói versões, pautas, e muitas vezes obriga que temas que não são da área de interesse das grandes corporações sejam discutidos

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Quando a primeira edição do Fórum Social Mundial foi realizada, em 2001, muitos dos movimentos sociais e ativistas presentes tinham, entre suas principais queixas, a criminalização que sofriam em seus países por parte dos meios de comunicação. Àquela época, o pensamento único que tentava se impor e decretar o fim da História tinha nos grandes grupos midiáticos, que concentravam cada vez mais poder, um de seus principais alicerces. A mídia deixava de ser o quarto poder, que deveria ter como uma de suas funções contrabalançar e fiscalizar os outros poderes, para se tornar parte importante e ativa do status quo.

Mas a própria realização do Fórum demonstrava que o panorama começava a mudar. Sua organização foi feita basicamente pela internet, principalmente por e-mail, e com ferramentas anteriores à Web 2.0. De lá para cá, a importância da rede só aumentou, modificando hábitos e costumes em todas as áreas. Mas, ao que parece, muitos veículos da imprensa tradicional ainda não perceberam o tamanho da mudança, sendo que muitos continuam fazendo um jornalismo enviesado, buscando impor suas versões pouco confiáveis, construídas em cima de interesses por vezes inconfessos.

Porém, hoje, eles não falam mais sozinhos. Há uma infinidade de vozes que se fazem ouvir na internet, antes leitores ou espectadores passivos que não tinha como contestar as pretensas verdades veiculadas pela antes toda poderosa mídia. O espaço virtual confronta e desconstrói versões, pautas, e muitas vezes obriga que temas que não são da área de interesse das grandes corporações sejam discutidos.

Os avanços são visíveis em todo o mundo, e no Brasil também. Contudo, aqui ainda é necessário que se lute por outros pontos para que de fato se democratize a comunicação, como a instituição de um marco regulatório no setor. E, nesse período que parece típico de transição, encontra-se também a oportunidade de se reinventar ou mesmo resgatar a essência do jornalismo, já que as fontes são múltiplas e as possibilidades abertas pelas novas tecnologias são animadoras.



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