Ativistas criam comitê de apoio à candidatura de Hugo Chávez

Documento final prevê ações desenvolvidas no Brasil em apoio à reeleição do presidente venezuelano

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Documento final prevê ações desenvolvidas no Brasil em apoio à reeleição do presidente venezuelano

Por Igor Carvalho

Na noite da última terça-feira (24), em meio à celebração dos 229 anos de nascimento de Simón Bolivar, foi lançada a campanha “Hugo Chávez, sua vitória é nossa vitória”, na sede do PCdoB de São Paulo. O lema foi extraído de uma frase do ex-presidente Lula em um vídeo de apoio ao mandatário venezuelano e o comitê brasileiro está integrado a um projeto internacional chamado “Os povos do mundo unidos pela Venezuela”, que deve ser levado a outros países. As pesquisas eleitorais indicam ampla vantagem para Chávez, porém, seu opositor, Henrique Capriles, estaria se preparando para contestar as eleições e o próprio Conselho Nacional Eleitoral, órgão responsável pelo pleito, segundo os participantes do ato.

Ao final do debate, ações foram discutidas para manter o comitê ativo (Foto Igor Carvalho)

João Pedro Stédile, coordenador do Movimento dos Sem Terra (MST), lembrou recentes intervenções na América Latina para justificar a criação de comitês internacionais de apoio à reeleição de Chávez. “Temos acompanhado essa luta de classes nas Américas, temos enfrentado as forças de direita, capitaneadas pelos EUA, e que tentam frear os avanços sociais”, explicou o dirigente, para em seguida elencar os casos que lhe serviram de subsídio. “Em Honduras, houve intervenção, uma tentativa de golpe no Equador, as inúmeras crises na Bolívia, eleição fraudada no México e, por último, o golpe de Estado no Paraguai.”

Futuras ações e papel da mídia

O papel da mídia no processo eleitoral e na construção da imagem do governo venezuelano não foram esquecidos. Stédile lembrou que “quando foi anunciado o Capriles como opositor ao Chávez, o jornal Valor Econômico estampou sua foto na capa com uma entrevista enorme”. O jornalista e candidato a vereador Gilberto Maringoni (PSOL) manifestou o apoio de seu partido à criação do comitê e também destacou o papel da mídia, lembrando da queda de Fernando Lugo, ex-presidente paraguaio. “Precisamos derrotar os tucanos e o Serra aqui em São Paulo, toda essa direita que se une a uma parcela da mídia e coloca, por exemplo, que não houve um golpe de Estado no Paraguai”.

João Felício, secretário de Relações Internacionais da Central Única dos Trabalhadores (CUT), falou sobre o vínculo entre a eleição venezuelana e a classe operária. “Nosso apoio se dá por meio do entendimento de que houve avanço nos direitos dos trabalhadores com a chegada ao poder de diversos governantes de esquerda, processo iniciado com Chávez em 1999. Não podemos, agora, retroceder, seria prejudicial à classe trabalhadora”. Iole Ilíada, secretária de Relações Internacionais do PT, manifestou apoio à causa e aproveitou para desmentir uma suposta “amizade” entre Capriles e Lula. “Ele não é nosso amigo, o PT está com Chávez até a vitória”.

Algumas ações foram discutidas para manter o comitê ativo, entre elas, um tuitaço, comandado pelo próprio presidente Hugo Chávez, em data a ser escolhida por ele. Uma nova reunião do grupo deve ocorrer no dia 31 de julho, em Brasília, aproveitando o encontro do Mercosul que deve oficializar o ingresso da Venezuela no bloco econômico, e deve contar com a participação de Chávez. O comitê também programa um evento cultural em São Paulo, cujo local ainda está indefinido, já que os organizadores ouviram um “não” do governo do Estado de São Paulo ao solicitarem o Memorial da América Latina para a realização do ato. “Isso só prova o quanto essa direita está comprometida com o Capriles e que eles estão articulados, há sim uma articulação internacional”, afirmou Stédile.



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