Nossa Estante

Confira a resenha dos livros Telê e a seleção de 82 – da arte à tragédia e Vivendo no fim dos tempos

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Sem a Copa, mas com afeto

Mesmo quem não é fã de futebol conhece de cor alguns dos craques daquela seleção. Zico, Sócrates, Falcão, Júnior eram nomes que faziam o brasileiro voltar a ter esperança de ter o melhor futebol do mundo novamente. Sob a batuta do técnico Telê Santana, a equipe não ganhou a Copa, mas encantou torcedores em todos os cantos. Em um contexto em que o país sonhava com o retorno da democracia, o escrete verde-amarelo mostrava um futebol ofensivo que resgatava as melhores tradições dos boleiros brasileiros.

Essa história é contada pelo jornalista Marcelo Mora no livro Telê e a seleção de 82 – da arte à tragédia. Na obra, é possível acompanhar a gênese dessa equipe, com todas as dúvidas de Telê ao longo da preparação, e os inevitáveis conflitos de ideias que nortearam o caminho da seleção. Ali estão presentes detalhes curiosos, e muitas vezes esquecidos ou ignorados, como o estranhamento dos atletas do time com a presença de Falcão e Dirceu entre os convocados que iriam à Copa. Com as duas convocações, pela primeira vez o Brasil contava com jogadores vindos de equipes estrangeiras. Mora também relembra as reclamações públicas de Zico sobre o seu posicionamento na equipe, na qual tinha que fazer as vezes de ponta direita, motivo da reclamação do personagem Zé Da Galera, vivido por Jô Soares, que pedia “bota ponta, Telê!”.

Mora traz também a contextualização do cenário sociopolítico à época, além de informações das outras seleções da Copa da Espanha e declarações de personalidades que se deslumbraram com um futebol que até hoje, passados 30 anos, ainda faz sonhar.

 

(Redação)

 

Telê e a seleção de 82 – da arte à tragédia

Marcelo Mora

Editora Publisher Brasil, 2012

128 págs.

 

O fim dos tempos, segundo Žižek

 

Já se falou de tudo a respeito do filósofo esloveno Slavoj Žižek: que é stalinista, anticomunista, antissemita e pró-Israel, materialista vulgar e idealista desvairado. Ainda assim, ele não deixou de falar sobre tudo – ou quase tudo – e de nos surpreender sempre.

A premissa subjacente do presente livro é simples: “O sistema capitalista global se aproxima de um ponto zero apocalíptico, e seus ‘quatro cavaleiros do Apocalipse’ são a crise ecológica, as consequências da revolução biogenética, os desequilíbrios do próprio sistema (problemas de propriedade intelectual e a luta vindoura por matérias-primas, comida e água) e o crescimento explosivo de divisões e exclusões sociais.”

Esse é o cenário de Vivendo no fim dos tempos, que faz uma descrição implacável das catástrofes que nos ameaçam e, ao mesmo tempo, critica o catastrofismo, buscando sempre o lugar onde a história pode ser revertida.

A negação, a raiva, a barganha, a depressão e a aceitação são as plataformas a partir das quais Žižek dispara seus dardos contra a utopia liberal, a teologia política, o retorno da crítica da economia política, o surgimento do cogito proletário e, por fim, contra a causa recuperada, na qual ele resgata as utopias contemporâneas.

Sua conclusão é, como sempre, paradoxal: no século XX a esquerda sabia o que fazer, mas tinha de esperar pacientemente que as condições estivessem maduras para isso. Agora, não se sabe o que fazer, mas a urgência nos impele assim mesmo à ação, diante das situações catastróficas que enfrentamos.

Žižek confirma neste livro que é dos poucos pensadores contemporâneos indispensáveis, porque a leitura de um texto seu toca sempre nas cordas mais sensíveis da nossa razão, da nossa emoção e do nosso coração Nunca se sai o mesmo após a leitura de um texto desse inquieto autor.

 

(Emir Sader)

 

Vivendo no fim dos tempos

Slavoj Žižek.

Boitempo, 2012

368 págs.



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