Sobre os dogmas do desenvolvimento econômico

Talvez esta seja a hora certa para colocar a nu os fundamentos da economia capitalista que causam a degradação do meio ambiente e rebaixam a qualidade de vida de todos, e enfrentar os totens e dogmas que fazem crer que o fim do mundo...

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A capa desta edição de Fórum traz o retrato de uma situação preocupante na região amazônica. A construção das hidrelétricas de Jirau e Santo Antônio, além das inevitáveis alterações que provoca no bioma da região, traz custos humanos altos, ao interferir de modo brutal na realidade local. Um cenário que torna ainda mais vulneráveis crianças e adolescentes que muitas vezes são levados à exploração sexual, atividade criminosa que encontra ali todas as condições para crescer.

Na sequência desta reportagem, o leitor pode conferir a cobertura da Cúpula dos Povos e da Rio+20. São matérias que se relacionam e que buscam responder à questão: vale a pena assumir as consequências de um dito progresso econômico que, como já vimos, não leva em consideração os impactos diretos que geram na vida de muitas pessoas, além dos danos ao meio ambiente que podem ser irreversíveis?

O filósofo Slavoj Žižek disse em um discurso, no acampamento dos manifestantes do Occupy Wall Street em Nova Iorque, que “para nós, é fácil imaginar o fim do mundo – vide os inúmeros filmes apocalípticos –, mas não o fim do capitalismo”. A ideia do progresso material que vem junto com a ideologia do desenvolvimento econômico é uma manifestação dessa inevitabilidade que querem impor a todos. Não existe e nem pode existir apenas uma saída, a do “desenvolvimento ou morte”, como muitos tentam vender e outros tantos acreditam. Debates amplos como os que ocorreram na Cúpula dos Povos evidenciam que esse rascunho de um novo pensamento único não se sustenta, e soluções efetivas, não somente paliativas, para o problema ambiental, precisam ser construídas. E elas passam, necessariamente, pela discussão a respeito do desenvolvimento econômico que queremos.

Talvez esta seja a hora certa para colocar a nu os fundamentos da economia capitalista que causam a degradação do meio ambiente e rebaixam a qualidade de vida de todos, e enfrentar os totens e dogmas que fazem crer que o fim do mundo é mais possível do que qualquer mudança na estrutura do pensamento econômico atual. E não se trata de inventar algo, as modalidades de economia solidária que já existem apontam para alternativas, por exemplo. Trata-se de empreender o debate com a disposição de ver que não há dogmas que não possam ser contestados, ainda mais quando o que está em jogo é a vida humana.



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