‘Não Devemos, Não Pagamos’: o mundo contra as dívidas ilegítimas

No próximo sábado, 13, movimentos de vários países estão organizando a convocatória mundial "Global Noise” (Barulho Global) e chamando o povo a fazer barulho contra o poder das elites financeiras

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No próximo sábado, 13, movimentos de vários países estão organizando a convocatória mundial “Global Noise” (Barulho Global) e chamando o povo a fazer barulho contra o poder das elites financeiras

Por Natasha Pitts, da Adital

No próximo sábado, dia 13, a ordem é fazer barulho. Organizações, movimentos e coletivos de vários países estão organizando a convocatória mundial “Global Noise” (Barulho Global) e chamando o povo a fazer panelaços, apitaços e buzinaços para reclamar de seus problemas locais. Cada região vai exigir suas demandas, mas um tema que será comum a todos os eventos é o poder das elites políticas e financeiras, responsáveis pela destruição das comunidades e do planeta.

O Comitê pela Anulação da Dívida no Terceiro Mundo, em seu comunicado, coloca que muito há o que se aprender com países como a Bolívia, Brasil, Argentina, que têm se manifestado, resistido e denunciado de várias formas as dívidas ilegítimas que lhes são cobradas. Com agora o assunto atinge vários países europeus, o tema precisa ser global e o chamado para este dia 13 é “Não devemos. Não Pagamos”.

“A campanha para subjugar o mundo à dívida pública e privada é um ataque calculado à democracia. É um ataque contra as nossas casas, as nossas famílias, os nossos serviços e benefícios sociais, as nossas comunidades e contra todos os frágeis ecossistemas do planeta que estão sendo destruídos pela produção sem controle que tem com o objetivo pagar aos credores”, declara o comunicado do Comitê.

De acordo com as organizações que forma o Comitê, os países mais desenvolvidos já estão atentos. Na Espanha e Portugal, por exemplo, desde o mês passado, acontecem manifestações em protesto contra os efeitos das dívidas.

A Espanha é um atual exemplo do que ocorre. “Mais de 80% do total da dívida espanhola é dívida privada, principalmente nas mãos de bancos e de grandes empresas, que a geraram obtendo pelo caminho enormes benefícios. Com as ajudas do Estado ao banco, 215 bilhões de euros até junho de 2012, ao que há que se somar o montante do novo empréstimo europeu, esta dívida privada está se transformando em uma dívida pública, cujo pagamento é imposto a todos com recortes e privações”, denunciam as organizações espanholas, lembrando que parte do dinheiro emprestado foi retirado de serviços públicos e prestações sociais.

O panelaço espanhol acontecerá a partir das 18h e sairá da sede da União Europeia (Praça Emilio Castelar) rumo ao Congresso. Outras manifestações estão previstas no Brasil, na Argentina, em Portugal e no Equador. Segundo o Comitê, o que vale é resistir, é mostrar que a população não está passiva diante de uma situação criada por interesses outros que não a soberania dos países.

“Na Europa, como no Egito e na Tunísia, aprendendo com a América Latina, a África do Sul, a África Subsaariana e com a Ásia, é preciso realizar auditorias cidadãs à dívida pública com o objetivo de denunciar a parcela da dívida pública que é ilegítima, odiosa ou insustentável, e que deve, portanto, ser anulada. Pagar tais credores significa roubar o que, por direito, pertence à população e esses pagamentos continuarão a ser a causa do encerramento de faculdades e hospitais, do corte de pensões, do desemprego e por aí adiante. A dívida alimenta-se de dívida”, afirmou o Comitê.



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