Concurso levará seis professores à Tunísia

Revista Fórum e Fundação Banco do Brasil promovem a terceira edição do Aprender e Ensinar

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Revista Fórum e Fundação Banco do Brasil promovem a terceira edição do Aprender e Ensinar

Por Adriana Delorenzo

Uma horta na escola, um projeto de reciclagem, um forno solar ou ainda o resgate das lendas e histórias da região onde a escola está inserida. São inúmeras as possibilidades de iniciativas que levam as tecnologias sociais para a sala de aula. Elas são baratas, podem ser reaplicadas em outros lugares e têm a participação de professores, alunos e da comunidade em geral. Às vezes, o professor já utiliza uma tecnologia social no seu dia a dia, mas não imagina que o faça. Com o objetivo de fomentar o conceito e disseminar o seu uso na educação, a Fundação Banco do Brasil (FBB) e a revista Fórum realizam o Concurso Aprender e Ensinar – Tecnologias Sociais.

Em sua terceira edição, o concurso premiará professores da Educação Básica, vinculados à rede pública, Institutos Federais de Educação, Ciência e Tecnologia ou escolas técnicas públicas. Também podem participar professores de espaços não formais de educação (ONGs e EJA) que estimulem o debate sobre o uso de tecnologias sociais. Neste ano, serão premiados seis vencedores – cinco de cada região do Brasil e um de instituto federal – que irão participar do Fórum Social Mundial, em janeiro de 2013, na Tunísia. Além disso, os 64 finalistas vão receber um tablet, um troféu e vão participar de um seminário em Brasília, em 9 e 10 de novembro, com todas as despesas pagas pelo concurso. Todos os inscritos ainda vão ser contemplados com uma assinatura de Fórum até fevereiro de 2013 e um livro sobre geração de trabalho e renda.

O 1º Concurso Aprender e Ensinar foi realizado em 2008 e recebeu 2.640 inscrições de todo o Brasil. Os vencedores foram ao Fórum Social Mundial, realizado em Belém (PA), em 2009. Na segunda edição, em 2010, foram 3.075 inscritos, e os cinco educadores premiados viajaram a Dacar, no Senegal, onde participaram do FSM, em janeiro de 2011.

TS na escola

“A escola é o espaço natural para debater o que vem acontecendo nas comunidades, nas cidades e no nosso País, portanto, é também lugar para a produção e a troca de conhecimentos sobre questões que podem afetar o futuro e, principalmente, de como a educação e suas ferramentas podem promover desenvolvimento”, explica o presidente da FBB, Jorge Streit. “A escola é mais do que um espaço para a obtenção do conhecimento formal – é espaço também de socialização das comunidades, de resgate dos saberes e culturas locais, de formação intelectual e cidadã”, completa. A Fundação vem investindo na disseminação do conceito de tecnologia social, inclusive, desde 2001, realiza o Prêmio FBB e mantém um banco de TS. Para Streit, esse tipo de tecnologia é a que mais se enquadra aos princípios da economia solidária e do desenvolvimento sustentável. F

Instrumentos para transformar a realidade

Segundo o economista e professor da PUC/SP Ladislau Dowbor, a escola precisa ser menos “lecionadora” e se articular mais com as necessidades dos territórios. Confira a entrevista

Por Felipe Rousselet

Fórum – Como as tecnologias sociais podem melhorar a qualidade de vida da população?

Ladislau Dowbor – São vários aspectos. Primeiramente, de inclusão produtiva, a gente enfrenta de maneira geral um hábito tecnológico, de produção de ponta, robótica, bancos cheios de computadores, e as atividades de pequenas e médias empresas, as estruturas familiares de pequeno comércio estão privadas em grande parte do acesso à tecnologia.

No Brasil, investimos em grandes tecnologias, registros de patentes, shoppings centers luxuosos, mas fazemos investimentos insuficientes na generalização de tecnologias apropriadas a milhões de pequenos produtores e comerciantes brasileiros. A generalização das tecnologias sociais é o grande desafio.

Fórum – Qual a importância dos professores incluírem as tecnologias sociais na educação? 

Dowbor – Educação não é só sala de aula. Hoje você tem 95% dos domicílios com televisão, eu estou batalhando para que se forme no Brasil uma TV científica, que permita generalizar o conhecimento científico em todos os domicílios do país. Outra dimensão é a inclusão nas escolas do ensino do município onde a pessoa vive. Quando pegamos uma experiência como a de Santa Catarina, com o Minha Escola – Meu Lugar, ou o programa Folhas, no Paraná – no qual manuais on-line de educação são elaborados por professores e alunos –, ou ainda Pintados, na Bahia, onde você tem, no currículo escolar, o ensino de tecnologias do semiárido, trata-se de uma forma de o aluno ter mais do que um diploma para escapar da sua realidade, e dar instrumentos para transformar a sua realidade. Isso é muito forte, permite que uma população local saiba por que os córregos estão sendo contaminadas ou quanto da terra está subutilizada. Tudo isso passa por uma série de articulações de diversos instrumentos educativos, que passa pela TV, pela internet e os estudos do território, tendo como denominador comum a visão de uma escola menos lecionadora e mais articuladora dos instrumentos necessários para o território.

Fórum – Os governos estão incorporando as tecnologias sociais nas políticas públicas? 

Dowbor – A visão predominante ainda é a da grande tecnologia, da grande propriedade, das grandes máquinas. Uma compreensão insuficiente de que o pequeno gera, ao mesmo tempo, inclusão produtiva e produção. As pessoas no Brasil não pensam que o pequeno produtor rural tem acesso de menos de 20% do solo agrícola e produz 70% do alimento que consumimos. Temos inúmeras experiências com a Fundação Banco do Brasil, inúmeras experiências feitas pelo Banco Nordeste, temos muitas pesquisas significativas da Embrapa, temos tecnologias produzidas por movimentos sociais como a Articulação do Semiárido (ASA), de cisternas. Multiplicar essas tecnologias gera inclusão produtiva mais ampla da população e também gera produtividade na base da sociedade. Precisamos reduzir esse dualismo tecnológico: os robôs, de um lado e os da enxada, do outro. F



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