Lembrando de um trambiqueiro

–Malandro, trambiqueiro, tem que ser simpático mesmo… Uma mulher dava bronca numa moça que foi enganada em não sei quê por um sujeito e dizia que o cara era muito simpático, não imaginava que ele...

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–Malandro, trambiqueiro, tem que ser simpático mesmo…

Uma mulher dava bronca numa moça que foi enganada em não sei quê por um sujeito e dizia que o cara era muito simpático, não imaginava que ele fosse um enganador.

Lembrei-me, então, de um trambiqueiro que conheci, o Aparecido, meu colega de trabalho numa época que tive que ir para o interior. Morava, segundo ele mesmo, na “casa mais bonita da cidade”. Casa própria, por sinal, só que ele nunca havia pago nenhuma prestação. Cada vez que a Caixa Econômica ameaçava lhe tomar a casa de volta, ele recorria a alguns amigos, altos políticos da Arena, o partido do governo ditatorial, e eles impunham à Caixa uma renegociação da dívida, e ele não pagava de novo, até nova renegociação.

Um dia, um amigo e colega de trabalho anunciou seu casamento, e o Aparecido se ofereceu para fazer uma lista para arrecadar dinheiro para a lua de mel dele, em vez de cada amigo dar um presentinho.

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