Polícia que massacra

Seis pessoas foram mortas hoje, ontem foram oito, todos reféns da pobreza, mortos por estar na periferia. Seus rostos não são mostrados, suas histórias não são contadas, pois não tinham sonhos, nem futuro

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Seis pessoas foram mortas hoje, ontem foram oito, todos reféns da pobreza, mortos por estar na periferia. Seus rostos não são mostrados, suas histórias não são contadas, pois não tinham sonhos, nem futuro

Por Ferréz

A contagem de corpos continua. Essa madrugada, seis mortos, entre eles dois moradores de rua, é fácil, eles deviam ser do PCC, e estavam despistando morando na rua há tantos anos. A covardia vai sempre para os mais fracos, e quem pode falar não deve ficar em silêncio, cadê o amor à periferia? Nessa hora que somos mais úteis, mais necessários, e temos que fazer nossa parte.

Um jovem de 19 anos na Zona Sul, um carro preto disparando, o mesmo perfil, pistola 380, mais uma mãe que chora. Lá na Zona Oeste, um homem fechando o bar, o mesmo carro preto e três homens atirando. Alckmin, em suas declarações, deu o ponto de resposta da polícia, e quem paga é o povo, ou vocês francamente acham que tem algum grande criminoso na favela de Paraisópolis que foi ocupada e está sendo martirizada nesse momento? São 600 homens da Tropa de Choque da PM. O objetivo é asfixiar o tráfico de drogas e causar prejuízos ao Primeiro Comando da Capital (PCC). A ação na segunda maior favela de São Paulo deve durar pelo menos um mês. Para de fato causar algum prejuízo, tinha que ter a mesma quantidade de homens no Alto de Pinheiros, na Oscar Freire e na Vila Olímpia.

O que está acontecendo é que as execuções de policiais são seguidas por ações de “grupo de extermínios” que saem atirando em bares, suspeitos, supostos criminosos ou qualquer um que pareça suspeito, se estiver de boné e se for negro piorou. Seis pessoas foram mortas hoje, ontem foram oito, todos periféricos, reféns da pobreza, mortos por estar na periferia. Seus rostos não são mostrados, suas histórias não são contadas, pois não morreram em área nobre, não tinham sonhos, nem futuro. A investigação vai seguir também da mesma forma, sem dar importância, colocando todo mundo no mesmo pacote. Os rostos ricos, brancos, bem nutridos dos jornalistas continuam repetindo a mesma morte de PM para comover a massa e legitimar a ação covarde do governo.



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1 comment

  1. Bruno_lima248 Responder

    Concordo com o autor quando propõem que exista uma ação
    atuante de grupos de extermínios agindo na grande São Paulo e capital, e que
    esses assassinatos possam ser relacionados a esses grupos de extermínios. Isso
    parece de conhecimento geral, nada oficial, mas “oficioso”. Mas o que mais está
    chamando atenção é a legitimação dessas ações criminosas pela população, pela
    população que reside e que foi criada nas chamadas zonas de confronto, onde
    dezenas são mortos em uma única madrugada. Culpa da droga? Devemos refletir, em
    um cenário que tanto se defende a descriminalização e liberação da maconha como
    uma ação eficiente contra o crime, maior indústria do Brasil e do mundo.  Vivemos uma “zumbilândia”, nada restrito as
    zonas centrais de São Paulo, mas sim espalhados por toda a periferia, que vê atônita
    seus filhos serem angariados para compor o dinâmico mercado atraente do crime, no
    país do “bom malandro carioca”, gente honesta é posta a prova.

    Isso explica a grande vitória dos “Coronéis” da polícia nas eleições
    municipais para vereadores, a periferia clama por salvadores, “Capitães Nascimentos”
     dispostos a “defender a sociedade”  do crime e da violência, num quadro onde políticos
    de influência são julgados por comporem uma base criminosa de corrupção ativa
    pelos Aires de Brasília, e o pior, “oposição” e situação se confundido em nomes
    sugestivos de escândalos, que saqueiam o país, e o deixam a mercê da sorte.

    Ouvisse uma ideia pela periferia de que essas ações são necessárias,
    em vista do grande numero dos chamados “nóias”, aqueles que assaltam e batem em
    mulheres saindo ou voltando de seus trabalhos, matam pais de família para
    baterem suas carteiras, invadem casas para roubar eletroeletrônicos e veículos de
    dentro das garagens.  Em resumo, longe
    dos Jardins e do alto de Pinheiros, as coisas estão acontecendo, a população
    esta sendo sitiada, e começa há repensar nos conhecidos “justiceiros”, como a
    saída para esse quadro lamentável de abandono e desprezo do poder público.
    Viés, a mídia quer saber quem matou Max.  Prega o super consumismo como inserção na
    sociedade, o “ter” em detrimento do “ser” e o luxo como a verdadeira felicidade
    e símbolo de respeitabilidade. 


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