Justiça à brasileira

Conversando com um amigo, o assunto caiu numa coisa óbvia e manjada: quem vai pra cadeia no Brasil. Fora o caso de venda de sentenças, que só ricos podem pagar, há o poder de certos advogados famosos, que parecem intimidar certos juízes

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Conversando com um amigo, o assunto caiu numa coisa óbvia e manjada: quem vai pra cadeia no Brasil. Fora o caso de venda de sentenças, que só ricos podem pagar, há o poder de certos advogados famosos, que parecem intimidar certos juízes

Por Mouzar Benedito

Conversando com um amigo, o assunto caiu numa coisa óbvia e manjada: quem vai pra cadeia no Brasil. Fora o caso de venda de sentenças, que só ricos podem pagar, há o poder de certos advogados famosos, que parecem intimidar certos juízes.

Assim, uma mulher é pega furtando um desodorante num supermercado, vai pra cadeia e só sai de lá meses depois, cega de um olho ferido na tortura. Outro rouba mixarias e fica um bom tempo na cadeia, custando ao Estado uma baita grana.

Mas roubar – via desvio de verba, superfaturamento e coisas semelhantes – centenas de milhões de reais não dá cadeia. Golpes na praça, desde que envolvam muito dinheiro, também parecem coisas que não merecem prisão. E quando ocasionalmente a Justiça ameaça funcionar contra um banqueiro ou grande empresário, um habeas corpus resolve o problema rapidinho.

Lembro-me de um promotor de Justiça que tinha uma atuação diferente de tudo o que já vi, o doutor Paulo. Era promotor em Nova Resende. No período em que ficou lá, a cadeia vivia às moscas, raramente tinha um preso, que geralmente tinha cometido algo grave, mas isso acontecia uma vez a cada quatro ou cinco anos.

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