Política urbana e de cultura em uma nota só

Muitos paulistanos desconhecem que houve um tempo na cidade onde diversos cinemas de rua animavam a noite na região central da cidade. As salas que abrigavam a chamada “Cinelândia Paulistana” hoje exibem,...

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Muitos paulistanos desconhecem que houve um tempo na cidade onde diversos cinemas de rua animavam a noite na região central da cidade. As salas que abrigavam a chamada “Cinelândia Paulistana” hoje exibem, em geral, filmes pornográficos ou estão abandonadas. Os cinemas de rua deram lugar aos cinemas instalados dentro de shoppings-centers. O último a fechar, desagradando frequentadores, foi o Cine Belas Artes, na esquina da Avenida Paulista com a Rua da Consolação. O repórter do SPressoSP Danillo Oliveira entrevistou a urbanista Paula Freire Santoro sobre esse fenômeno da cidade, carente de espaços de cultura e lazer. Ela fez uma tese de mestrado sobre o tema, onde debate o impacto do fechamento desses cinemas que dialogam diretamente com as ruas, sem portas, grades e seguranças. Paula compartilha seu desejo de ver São Paulo uma cidade repleta de espaços urbanos democráticos, “confortáveis e seguros, justos e belos”. “Deveríamos nos manifestar contra a ditadura dos edifícios fechados em si mesmo, dos quais só conseguimos fazer o contorno”, afirma.

A urbanista lembra que 2013 será um ano importante em termos urbanísticos, quando deverá haver a revisão do Plano Diretor de São Paulo, uma boa hora para debater “que cidade queremos”. E lança algumas propostas “como ideias soltas no ventilador”:

“Poderíamos propor incentivos urbanísticos aos que em seus empreendimentos proponham cinemas no térreo, ‘a la Prestes Maia’, permitindo maiores coeficientes construtivos, diferentes recuos das edificações, possibilitando que não sejam ofertadas vagas de veículos agindo na contramão da concepção atual de acessibilidade centrada no carro. Poderíamos restringir o uso de alguns imóveis ao uso com cinema, como se fosse uma reserva de uso que proteja os usos menos rentáveis da ditadura do ‘melhor e maior uso’ imposta pelo mercado, como se deu no caso do Belas Artes. Fazemos isso para habitação, será que é possível fazer para o uso com exibição de filmes? Poderíamos propor uma política de periferização do cinema, dando estímulos para a atividade e para imóveis com estes usos, garantindo que sejam espaço de manifestação da cultura da periferia.”

A conclusão é a seguinte: “As políticas urbanas têm de ser articuladas com políticas de cultura, não dá para ter uma sem ter a outra, pois elas são uma só”.

Confira aqui a entrevista.

 



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