Programa do RS faz campanha de sensibilização pela Lei de Economia Solidária

Coordenadora do Tecnosociais, Célia Severo, explica como funcionou a campanha e detalha os objetivos do projeto, os trâmites que virão na sequência e sobre o que esperar do poder público como promotor de programas voltados à Ecosol

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Coordenadora do Tecnosociais, Célia Severo, explica como funcionou a campanha e detalha os objetivos do projeto, os trâmites que virão na sequência e sobre o que esperar do poder público como promotor de programas voltados à Ecosol

Por Moriti Neto

Em apoio à Campanha Nacional pela Lei de Economia Solidária, o Programa Tecnologias Sociais para Empreendimentos Solidários (Tecnosociais) e o Instituto Humanitas Unisinos (IHU), da Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos), de São Leopoldo, no Rio Grande do Sul, realizaram, de 17 de maio a 17 de agosto, uma coleta de assinaturas que buscou completar as 7 mil que o município necessita para dar contribuição à obtenção de 1,3 milhão de adesões necessárias para encaminhar a lei nacional de iniciativa popular de economia solidária.

Em entrevista à Fórum, a coordenadora do Tecnosociais, Célia Severo, explica como funcionou a campanha. Além disso, ela detalha os objetivos do projeto, os trâmites que virão na sequência e sobre o que esperar do poder público como promotor de programas voltados à Ecosol.

Fórum – Qual o principal motivo da campanha? Por que e como ela surge? 

Célia Severo – Como entidade de apoio ao Fórum de Economia Solidária de São Leopoldo, consideramos que seria importante dar a nossa contribuição para a obtenção das 7 mil assinaturas previstas para serem coletadas no nosso município. Assim, o Programa Tecnologias Sociais para Empreendimentos Solidários (Tecnosociais) e o Instituto Humanitas Unisinos (IHU) desencadearam a campanha em alguns pontos de maior fluxo de estudantes na universidade, visando a sensibilizar a comunidade acadêmica para as questões que envolvem o direito ao trabalho associado dos empreendimentos econômicos, na perspectiva da economia solidária, respeitando os princípios para um desenvolvimento com equidade, justiça social e preservação ambiental.

Fórum – De quais setores da Unisinos partiu a ideia da coleta? 

Célia – A iniciativa foi do Tecnosociais, a incubadora de empreendimentos econômicos solidários, ligada à Ação Social da Universidade, que procura centrar o foco na realidade que o cerca, os grupos que apoia, a universidade na qual está inserido, sem perder de vista a conjuntura e a retroalimentação que há entre o local e o global. Contamos com o apoio do IHU, que dá atenção especial às questões ambientais e sobre o pensar e repensar um modelo econômico capaz de vislumbrar os limites e as possibilidades de uma economia sustentável, ética e socialmente regulada.

Fórum – Quantas assinaturas foram coletadas? Atingiram o objetivo?
Célia – Traçamos informalmente a meta de, pelo menos, 10% do total necessário do município, o que significa em torno de 700 assinaturas. Como nosso interesse estava muito além da simples coleta, ou seja, buscávamos informar e sensibilizar as pessoas para outros aspectos da economia solidária, consideramos que os objetivos foram atingidos. Em termos numéricos, foram 615 assinaturas.

Fórum – Como foi feita a coleta das assinaturas?
Célia – A campanha na universidade teve a duração de três meses, de 17 de maio a 17 de agosto. Distribuímos pontos de coleta nos diversos centros acadêmicos. Contatamos os veículos de comunicação da Unisinos (TV e Rádio Unisinos), que veicularam programas especiais sobre a temática. Entramos em contato com professores dos diversos centros, Comunicação, Ciências Sociais, Administração, para que divulgassem em sala de aula, assim como nos eventos promovidos pelo IHU, onde divulgávamos o vídeo da campanha. E, nesse sentido, a adesão foi satisfatória.
Foram utilizados folders e banners confeccionados de acordo com as orientações do Fórum Brasileiro de Economia Solidária para a atividade e enviados e-mails de marketing para simpatizantes, parceiros e comunidade acadêmica. No período, foram realizadas várias postagens no blog do IHU.

Fórum – Qual o principal objetivo da campanha?
Célia – Acreditar e apoiar uma lógica econômica que supere a racionalidade financeira, que permita a pluralidade de motivações e coloque no centro da economia a vida do planeta, dos diferentes seres vivos, que retome a dimensão relacional da economia e que permita projetos das mais diferentes naturezas, que não a lógica da maximização de recursos, da técnica sem uma lógica ética. Acredita-se nessa economia plural, no repensar da economia, e uma das alternativas para fazer isso é a economia solidária.

Fórum – E politicamente?
Célia – Uma política de transparência, de construção de espaços verdadeiramente republicanos, contribuindo para uma sociedade cada vez mais participativa, emancipada e capaz de construir nosso país. Pensa-se na economia solidária como potencializadora dessas questões, e não como geração de trabalho e renda somente.

Fórum – Quais os próximos passos para a viabilização da lei?
Célia – A trajetória histórica da economia solidária no Brasil foi construída de maneira coletiva, buscando políticas públicas de apoio e fortalecimento por meio de debates e pressão social, tanto no nível local quanto no nível nacional, principalmente nas duas conferências nacionais realizadas (2006 e 2010) e nas plenárias do Fórum Brasileiro de Economia Solidária (2002, 2003, 2008).
Os resultados desses debates foram consolidados no Conselho Nacional de Economia Solidária, que elaborou a proposta de lei que cria a Política Nacional de Economia Solidária, além do Sistema e o Fundo Nacionais de Economia Solidária. Com a proposta, entidades ligadas à área da economia solidária uniram-se para potencializar a campanha e coletar, aproximadamente, 1,3 milhão de assinaturas, o que representa 1% do eleitorado brasileiro, necessárias à criação do projeto de lei de iniciativa popular.
Estamos preparando a V Plenária Nacional de Economia Solidária, que ocorrerá em Brasilia, de 9 a 13 de dezembro deste ano. Será nela que os cerca de 800 representantes estaduais e 200 observadores e convidados discutirão e estabelecerão estratégias para garantir e pressionar pela aprovação de uma política nacional.

Fórum – O que vocês esperam do poder público?
Célia – O projeto de lei prevê que, com base nos critérios estabelecidos pelo Conselho Nacional de Economia Solidária, seja implantado e garantido o Sistema Nacional de Economia Solidária (Sinaes), integrado por um conjunto de órgãos e entidades da União, dos estados, do Distrito Federal e dos municípios, pelos empreendimentos econômicos solidários e por instituições privadas afetas à economia solidária e que manifestem interesse em integrar o sistema.
Espera-se que o poder público federal e a Secretaria Nacional de Economia Solidária (Senaes) promovam a convergência das atuações e desenvolvam políticas, programas e ações voltados à economia solidária, no sentido de fomentá-la e de assegurar o direito ao trabalho associado e, mais ainda, que tenham por base os princípios da autogestão, da cooperação e da solidariedade. F



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