Uma chance para a democracia

Temos a chance, hoje, de avançar mais nesse debate e vencer o desencanto em relação à política que já toma conta de boa parte da população, em especial dos jovens

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Temos a chance, hoje, de avançar mais nesse debate e vencer o desencanto em relação à política que já toma conta de boa parte da população, em especial dos jovens

A necessidade de uma reforma política no Brasil não é exatamente um tema novo. Muito do que acontece hoje no País, aliás, decorre da falta de mudanças que já deveriam ter sido implementadas, corrigindo distorções que são evidentes em nosso sistema. Crises políticas poderiam ser evitadas ou minimizadas se tivéssemos instituições e partidos que fossem realmente sólidos.

No entanto, tal preocupação não parece estar na ordem do dia. Ainda que a proposta de reforma política que está na Câmara dos Deputados possa ser votada, certamente muitos de seus pontos, discutidos durante alguns meses na Comissão Legislativa sobre o tema, não conseguirão alcançar um mínimo consenso. E algumas lacunas irão se perpetuar, gerando ainda mais insatisfação ao cidadão que vê de forma menos otimista a democracia representativa que o País construiu nas últimas décadas, e que apresenta com cada vez mais naturalidade um cenário no qual representantes e representados se tornam mais distantes, parecendo existir cada qual em uma realidade paralela.

Em diversos países, esse modelo – em crise – de democracia já foi posto em xeque. Temos a chance, hoje, de avançar mais nesse debate e vencer o desencanto em relação à política que já toma conta de boa parte da população, em especial dos jovens, que não veem sentido em despender energia para votar, sendo essa quase a sua única possibilidade de buscar mudanças.

É do anseio dessa juventude, mas também de tantos outros, poder participar de forma mais decisiva do destino de sua cidade e de seu país. Como também é um desejo expresso, muitas vezes em mensagens não tão evidentes, de que haja mais transparência nas regras do jogo eleitoral, no qual o poder econômico não deveria participar de forma tão intensa, e muitas vezes determinante, em favor desse ou daquele.

A sociedade civil e a classe política têm a oportunidade de mostrar que vale a pena lutar por uma democracia mais viva e com um alcance que vá além do que se permite hoje.



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