De Berlim, “Fora Feliciano”

Protestos contra o deputado Marco Feliciano aconteceram em várias capitais europeias no fim de semana

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Protestos contra o deputado Marco Feliciano aconteceram em várias capitais europeias no fim de semana

Texto e fotos por Tainã Mansani, de Berlim

A onda de manifestações contra o deputado Marco Feliciano (PSC-sP) em várias capitais do Brasil e do mundo levou cerca de 80 manifestantes a protestarem também em Berlim, Alemanha. O ato reuniu pessoas de diferentes origens e nacionalidades contra a eleição do parlamentar, acusado de racismo e homofobia, para o cargo de presidente da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados.

Nem mesmo a temperatura abaixo de zero impediu que manifestantes permanecessem por cerca de duas horas em frente ao Portão de Brandemburgo, um dos pontos turísticos mais importantes da capital alemã. Com cartazes como “Sou mulher, lésbica e feminista; Feliciano, você não me representa”, “Fora Feliciano” e “Homofóbico”, o ato chamou atenção inclusive dos turistas.

O frio tampouco intimidou curiosos, que paravam para perguntar o motivo do ato ou ainda demonstrar apoio. “Sobre o que é esta manifestação?”, questionou o sul-africano Lucky Smith. Ao ser esclarecido por um dos manifestantes tratar-se de um deputado brasileiro que postou declarações em seu Twitter como “africanos descendem de ancestral amaldiçoado por Noé”, além de frases como ”união homossexual não é normal” e que ainda assim foi eleito presidente da Comissão de Direitos Humanos e Minorias, Smith demonstrou perplexidade.

O turista brasileiro Alcides de Alburque, de passagem pelo local, também criticou a eleição de Marco Feliciano e afirmou que o fato repercute de forma negativa para a imagem do Brasil no exterior. “A eleição de um parlamentar homofóbico para um cargo como este é um grande contraste”, considerou.

O evento foi organizado pelo Facebook. Segundo um dos idealizadores, o cientista social Pedro Costa, a iniciativa de realizar o ato surgiu após contatos com amigos e mobilização nas redes sociais.

Mal entendido  

Por volta das 16h (horário local), um cordão de isolamento no Portão de Brandemburgo foi criado pela polícia alemã para evitar que outra manifestação com cerca de 2.000 pessoas pela causa dos refugiados que pedem melhorias no sistema de asilo na Alemanha passasse pelo local do protesto contra Marco Feliciano.

Segundo o alemão Christian Russau, que também colaborou para a organização do ato contra o parlamentar brasileiro, para evitar o encontro entre as duas manifestações, os policiais procuravam copiar e enviar via celular para a central as frases não compreendidas. “Como não entendiam conteúdo dos cartazes escritos em português, o policial chefe ordenou que dois dos policiais copiassem todos os textos e repassassem para a central. É provável que tenham sido traduzidos por lá”, relatou Russau. Conforme previsto pela polícia alemã, o ato contra Feliciano foi encerrado às 16h30.

Na Europa, “Fora Feliciano”

Nas últimas semanas, protestos contra Marco Feliciano foram organizados por brasileiros também em Londres, Lisboa, Amsterdã e Paris. No sábado (23), o ato “Feliciano, dégage” ou “Fora, Feliciano”, em Paris, culminou em um abaixo-assinado pedindo a saída do parlamentar da Comissão de Direitos Humanos e Minorias. O documento será entregue esta semana ao embaixador brasileiro na França, José Mauricio Bustani.

 



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