Massacre do Carandiru: da ditadura ao Dj Lah

Seis dos 14 presos pela chacina do Jardim Rosana são do 37º Batalhão da Polícia Militar, que foi comandado por um dos 84 réus do caso

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Seis dos 14 presos pela chacina do Jardim Rosana são do 37º Batalhão da Polícia Militar, que foi comandado por um dos 84 réus do caso

Por Igor Carvalho

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Protesto em São Paulo lembra os 111 mortos no Massacre do Carandiru (Foto: Marcelo Camargo/ABr)

O tenente coronel Ronaldo Ribeiro dos Santos, um dos 84 policiais militares acusados de participar da morte de 111 presos no caso conhecido como Massacre do Carandiru, era comandante do 37º Batalhão da Polícia Militar (BPM), no Capão Redondo, zona sul. No dia 4 de janeiro de 2013 aconteceu a primeira chacina do ano em São Paulo, no Jardim Rosana, também zona sul. Seis policiais militares estão presos, acusados de serem os executores, todos do 37º Batalhão.

Os exames de balística feitos pela polícia indicam que pelo menos duas vítimas foram alvejadas com tiros da pistola do policial Gilberto Eric Rodrigues, do batalhão comandado por Santos. O Dj Lah, uma das vítimas, tomou uma coronhada de uma espingarda retirada ilegalmente do 37º BPM.

Os casos, separados por um período de 20 anos, ajudam a reforçar a o pouco crédito dado pela população à Polícia Militar. Pesquisa divulgada pelo Datafolha em novembro de 2012 mostra que 53% dos paulistanos sentem mais medo do que confiança na PM.

“É a velha prática do terrorismo de farda, eles matam e deixam as pessoas sem ação.” A opinião é de Ivan Seixas, presidente do Conselho Estadual de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana de São Paulo (Condepe-SP), que foi preso e torturado pela Ditadura Militar. Para ele, os dois casos evidenciam uma “política ideológica histórica”.  “Dois caras que participaram do Massacre do Carandiru eram ativos na época da ditadura militar, um deles é o Edson Faroro, que me torturou, e era conhecido como ‘bombeiro’ na Oban. E o [Luiz] Nakaharada é um dos assassinos do [Vladimir] Herzog.”

O tenente-coronel Luiz Nakaharada, que comandou a invasão da Rota no terceiro pavimento no Massacre, é o único réu que responde por dois crimes: lesão corporal e assassinato de cinco presos. Segundo o relato de testemunhas, o oficial teria agido “isoladamente”, quando entrou na cela 339-E e disparou uma metralhadora contra os que estavam lá dentro. Em 2006, Nakaharada foi homenageado pela Câmara Municipal de São Paulo, e recebeu o título de Cidadão Paulistano. A iniciativa foi do deputado Jooji Hato (PMDB).

Edson Faroro, citado por Seixas, respondia por lesão corporal no Massacre do Carandiru, mas o crime prescreveu em 1995. O 37º Batalhão foi inaugurado em 4 de janeiro de 2005 é responsável por bairros do extremo zona sul, como Jardim Ângela, Capão Redondo, Jardim Rosana, Jardim Herculano e Jardim Ranieri, entre outros.



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