Desisti de ser professor do Estado

Hoje tive o dia mais triste como professor: solicitei minha dispensa na rede pública de Minas Gerais

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Do Geledés Instituto da Mulher Negra

Hoje tive o dia mais triste como professor. Não estou me referindo a nenhuma indisciplina ou necessariamente a baixo rendimento escolar de meus alunos.

Professor teve que abandonar as aulas por não conseguir se sustentar (Foto: Reprodução/Géledes)

SOLICITEI A MINHA DISPENSA NA REDE PÚBLICA ESTADUAL DE MINAS GERAIS  e fui surpreendido pelos meus alunos.

Como sou muito exigente, muitas vezes coloco fardos pesados sobre meus alunos. Acreditava que a minha saída na transição dos bimestres seria encarada apenas como mais uma das tantas mudanças corriqueiras que ocorrem na Escola.

Estava enganado. Fui surpreendido pelo choro mais desolador que já vi em toda a minha vida. Minha maior tristeza foi pensar que eu poderia ser responsável por esse choro.

Jamais pensei que meus  ALUNOS DA REDE PÚBLICA ESTADUAL DE MINAS GERAIS  fossem chorar por minha saída.

Preocupado com o que eu diria paraeles como motivo, preferi a verdade.  ESTOU SAINDO PORQUE NÃO CONSIGO ME SUSTENTAR NA REDE PÚBLICA ESTADUAL DE MINAS GERAIS.  Como são crianças, muitas não entenderam o que eu queria dizer e me responderam novamente com o choro mais desolador que já vi ou causei em toda a
minha vida.

 “PROFESSOR NÃO NOS ABANDONE”!

A criança não entende a opção que nós professores fazemos quando abandonamos a sala de aula. Uma de minhas alunas gritou: “Vou me mudar para a escola onde o senhor vai continuar como professor”. Nessa hora engasguei o choro e me perguntei como poderia ser isso? Se a maioria de nós no Brasil e na  REDE PÚBLICA ESTADUAL DE MINAS GERAIS  não dispomos de recursos para bancar o ensino privado.

Algumas crianças se puseram na porta e tentavam impedir minha saída, sem palavras e assustado com o choro e
o pedido de que não as “abandonasse”, restou-me recolher na solidão de meu objetivo racional e deixar a sala com crianças chorosas como nunca vi a se despedirem com o olhar que jamais esquecerei, do professor que  NÃO CONSEGUIU SE SUSTENTAR NA REDE PÚBLICA ESTADUAL DE MINAS GERAIS.

Eu poderia recolher-me na vaidade, em pensar que sou um bom professor e que vou conseguir o melhor para mim.

Entretanto, sei que hoje a exemplo do que ocorreu comigo,  DEZENAS DE OUTROS PROFESSORES DEIXARAM A REDE PÚBLICA ESTADUAL DE MINAS GERAIS POR NÃO CONSEGUIREM SE SUSTENTAR, ASSIM COMO TAMBÉM DEZENAS DE CRIANÇAS CHORARAM AO SE DESPEDIREM DE SEUS PROFESSORES.

Resta-me na revolta implorar a todos os mineiros e brasileiros que lerem essa carta.

PELO AMOR DE DEUS! NÃOACREDITEM NA EDUCAÇÃO FAZ DE CONTA DO GOVERNO DE MINAS GERAIS. O ESTADO FAZ DE CONTA QUE REMUNERA SEUS PROFESSORES, PROFESSORES INFELIZMENTE FAZEM DE CONTA QUE ENSINAM, ALUNOS FAZEM DE CONTA QUE APRENDEM E ATORES GLOBAIS FAZEM DE CONTA QUE FALAM DA MELHOR EDUCAÇÃO DO PAÍS.

O episódio dessa carta ocorreu NO DIA 18 DE ABRIL DE 2013 NA ESCOLA ESTADUAL BARÃO DO RIO BRANCO EM BELO HORIZONTE. Infelizmente ocorreu também em dezenas de Escolas do Estado de Minas Gerais.

ENQUANTO O GOVERNO DE MINAS PAGA MILHARES DE REIAIS A ATORES GLOBAIS PARA MENTIREM SOBRE A EDUCAÇÃO NO HORÁRIO NOBRE, NOSSAS CRIANÇAS CHORAM OS SEUS PROFESSORES QUE ESTÃO SAINDO PORQUE NÃO CONSEGUEM MAIS SE SUSTENTAR NO ESTADO.

Prof. Juvenal Lima Gomes     

Ex-professor da Rede Pública Estadual de Minas Gerais

Leia também:

Estresse, depressão e ansiedade: os inimigos do professor da rede pública de SP

 



No artigo

51 comments

  1. maria Responder

    Professor, perdão, nem sei o que falar…Mas ainda que seja preciso desistir da escola pública, você não desistiu da educação, do contrário, não estaria divulgando essa situação triste do nosso país. Deus nos proteja.

  2. GIL TEIXEIRA Advogado Responder

    Estimado Juvenal,

    Sempre pensei que os professores eram professores dos alunos e não do “Estado”.

    Mais ainda sabendo que o “Estado” são os cidadãos dum país.

    Acredito que ganhe pouco, e tem todo o direito do mundo a encontrar melhor ganha-pão.

    Com todo o respeito, penso que não lhe fica bem usar as crianças como caixa de ressonância da sua reivindicação salarial, certamente justificada.

    Abraço.

    Gil Teixeira
    Lisboa/Portugal

    1. Vilma Luiza Responder

      Prezado Gil Teixeira,

      Com todo o respeito, talvez o que o prof. Juvenal queira dizer, no auge
      da sua emoção e frustração, é que os alunos perdem muito quando um bom
      professor – competente e amante do que faz – se sente obrigado a
      abandonar o cargo devido à baixa remuneração. Uma sala de aula não é
      como qualquer outro ambiente de trabalho; hoje em dia, então, nem se
      fala. A maioria dos professores não vê a hora de se aposentar; quem está
      começando já chega à escola com edital de outro concurso na mão – o
      magistério é só até conseguir “coisa melhor” … O governo não deveria de modo algum fazer tanto esforço para que seus profissionais tenham necessidade de sair; tbém sou profª no estado de MG, tenho dois cargos, faltam menos de cinco anos para me aposentar e tenho feito um esforço muito grande para não jogar a tolha… Não é exploração de crianças inocentes, não, caro Gil Teixeira, é tristeza mesmo, desilusão, pena… e indignação. Um abraço; dois, aliás: um pra você e outro ao colega Juvenal. Sucesso. Vilma Luiza

    2. Giovanni Scarpa Grion Zappile Responder

      Bom senhor Gil,a credito q o senhor está mto equivocado em seus apontamentos…o que não fica bem é o senhor daí de Portugal dando pitaco na luta de uma classe trabalhadora q o senhor não compreende sobre um país q vc não mora… achei sua frase completamente sem sentido…td q o senhor pensou estava errado… e se hj há politicos corruptos soltos é pq existem profissionais da sua área que não tem problema em defende-los, assim como professores encostados e mamando na teta do governo sem se preocupar com o ensino! Qual a imoralidade de um professor revelar q seus alunos estão tristes com sua saída, sendo esta saida uma consequencia direta do descompromisso do Estado! As nossa crianças choram sim: de fome e tristeza Senhor Gil Teixeira…aqui vivemos de pão e circo, mas disso o senhor entende afinal Portugal semrpe foi craque nisso..e na sua profissão acredito que fazer o circo, iludir e enganar são de praxe!. :) tenha um bom dia na sua miseravel existencia!

      1. Pedro Octávio Responder

        Eu até concordo com você Giovanni, mas como pedagogo não consigo discordar do Gil, até por que a educação de Portugal também está passando por uma crise imensa de qualidade e investimentos e acaba que eles estão tendo uma certa noção de alguns dos problemas crônicos que nós enfrentamos aqui. Ele está completamente certo quando diz que nós somos o estado, quem trabalha para o estado trabalha para o povo, a situação da educação brasileira não está calamitosa somente por conta da falta de investimentos não, é também um resultado da falta de formação adequada dos professores, nós ainda temos uma formação obsoleta, principalmente nós pedagogos, com exceção dos que se formam nas federais e algumas estaduais de excelência. O corpo docente brasileiro é desunido e só quem está ou já esteve dentro de um grupo docente pra saber disso, os sindicatos são extremamente corruptos, o SINPRO na maioria dos casos é um trampolim para a politicagem e você está errada quando diz que se hj há políticos corruptos soltos é por que há pessoas que os defendem. Eles nem deveriam estar exercendo o ofício da política! A política de um país é reflexo do seu povo e convenhamos, nosso povo não é um dos melhores exemplos de honestidade e moralidade. Nós nos tornamos tão imorais que passamos a considerar a honestidade como uma qualidade pessoal quando ela é um pré requisito para se viver em sociedade.
        Fora que nós somos idiotas, nos últimos 30 anos, ao percebermos que a educação pública estava se deteriorando, preferimos pagar instituições privadas de ensino ao invés de lutarmos por uma educação pública de melhor qualidade. Aí agora enchemos a boca pra culpar os maus políticos que nós mesmos os elegemos, ou o Aécio, no caso de Minas, não foi eleito e reeleito pelo próprio povo que agora está reivindicando tantas melhorias. Mas quando ele ainda estava no governo, o que eu mais ouvia era: “Ele foi o melhor governador de Minas” e não sei mais o que. Isso tudo é culpa nossa, povo individualista que não se preocupa com o coletivo, que se cala e se abstém de lutar, agora é muito fácil só apontar nos políticos e atribuir alguma culpa. Assumamos nossa responsabilidade ante ao caos também!

      2. Guest Responder

        Amiga está certíssima!!

      3. Vanessa Cocenza Responder

        Bem colocado Giovanni, é essa a
        realidade, nua e crua, também sou professora do estado e acompanho de perto o
        drama dos professores, das escolas e dos alunos. Estes jovens cidadãos são os
        mais prejudicados. Como sabemos, o rendimento escolar tem piorado e são muitos
        os fatores, o salário dos professores é um fator desta lista. A educação
        brasileira precisa passar urgente por uma reformulação, mas não a que tira o
        coelho da cartola, porque não existe fórmula mágica, temos que lidar com a
        complexidade social brasileira para oferecer ensino público de qualidade para
        uma diversidade muito grande de alunos. É preciso pôr as cartas na mesa, tirar
        os véus, desmascarar pessoas e situações mascaradas, discutir continua e
        intensamente os problemas do sistema e precisamos pressionar os governos para
        ter firmado, assinado e carimbado esses contratos tácitos de campanha
        eleitoral! Não dá mais para aceitar essa situação que chegou a educação
        brasileira!

    3. Elaine Responder

      ele nao reivindica nada, esta deixando seu cargo porque nao pode se manter. tampouco usa as crianças como “caixa de ressonancia” (sic), apenas relata o que ocorreu, de forma simples e direta.

    4. Bia Blanco Responder

      Ô Gil, vem pro Brasil trabalhar como professor da rede pública ai vc vai entender o que o colega quis dizer no seu desabafo. Aqui, além de ganharmos muito pouco, somos submetidos a toda sorte de violência, que vai desde o risco de morte, por trabalharmos em áreas onde a violência é o cartão postal, até ter que passar na marra alunos que sequer frequentam a sala de aula, porque o diretor da escola tem que cumprir a meta que a secretaria de educação impõe. Aqui Gil, o valor que dão ao profissional da educação é mínimo, aliás inexistente. Se liga cabeção!!!

    5. Edna Hermes Responder

      Desculpe,mas quanto as crianças só acho que ele quiz dizer que era bom professor,mas que nem assim dava pra ficar,sou prova viva que o salário está uma vergonha,e que deveriam todo juntas forças e defender a causa

    6. Luca Martins Responder

      PSDB disfarçado de português

      1. Ti Fonseca Responder

        verdade!!!

    7. Samuel Edward Gomes Responder

      Nem mora aqui, nem trabalha aqui, bom tem vaga quer o emprego ? ah você é advogado ! desculpe-me

    8. Rodrigo Gonçalves Responder

      “Estado” do qual ele está falando, é o governo estadual. O “Estado” é um constructo com administradores e uma estrutura. E a pessoa trabalha para isto. Que vergonha, que vergonha, vir com essa desfaçatez e truque retórico.

      E seria interessante porque é justamente o que os plutocratas querem: que os professores cassem outro rumo e assim acabe com a educação pública.
      As crianças não foram usadas. Seria muito diferente se ele não se comovesse com elas e saísse indiferente. Poderíamos dizer então que ele só se importa com salário.

      Talvez, seria coerente com seus valores morais.

      Você me envergonha, Gil.

      1. Ti Fonseca Responder

        Rodrigo faço minhas suas palavras!!!

    9. Ti Fonseca Responder

      vc deve ser um daqueles advogados que fazem qlqr coisa por dinheiro, porisso toma essa posição… aliás quero lembrá-lo que antes de ser advogado teve uns muitos professores!

  3. Jorge Roberto Guimarães Responder

    Caro Professor Mineiro e Senhores Redatores da revista Forum.

    A situação da categoria dos professores das redes públicas estaduais e federais, quer de primeiro, como de segundo e terceiro graus é realmente calamitosa EM TODO O PAÍS. Não entendo porque as reportagens referem apenas São Paulo e Minas Gerais. Deveriam referir também os outros estados, como o Rio Grande do Sul. Nosso governador Tarso Genro PROMETEU AOS PROFESSORES E PROFESSORAS da rede estadual que pagaria imediatamente quando assumisse, pelo menos o teto estipulado por lei federal, aos professores do Estado. MENTIU DESCARADAMENTE! Já lá vão quase dois anos e meio de governo e a situação que já era ruim, agora é caótica. Professores na miséria, falta de material, prédios das escolas caindo, caracterizam esse (des) governo de Tarso, aliás antigo advogado do CPERS, Centro dos Professores do Estado do Rio Grande do Sul. Perguntem às professoras, antigas eleitoras de Tarso, o que pensam dele agora! Ass. Professor Jorge Roberto Guimarães.

  4. Elisa Pedrosa Responder

    Prezado Gil Teixeira,

    Empregue melhor seus esforços avaliativos notificando a conduta das propagandas feitas pelo governo do estado e prefeitura sobre a educação de Minas / Belo Horizonte. Eles sim “usam” as crianças como “caixa de ressonância”. E, pior, para ressoar mentiras que lhes dizem respeito, que tornam o mundo em que vivem um lugar pior.

    Um abraço,

    Elisa Pedrosa

  5. Luciana Responder

    Depoimento fiel,verdadeiro… emocionante! Quem realmente faz um bom trabalho,os alunos jamais esquecem e reconhecem.Pena que neste momento,o governo consiga o quer: deixar esta população sem a educação ideal,sonhada por um professor qualificado!

    1. Edna Hermes Responder

      Gente o governos vai conseguir o que quer até o momento em que todos nós nos unirmos,vejam alunos insatisfeitos,tem pais insatisfeitos e muitossssssssssssssssssssssssssssss professores insatisfeitos,vamos fazer uma união mais resistentes e se pra eles é política que conta,tbm podemos fazer política e trabalhar todos que estão contra o desenvolvimento do estados,a começar de baixos salários de professores,de propagandas enganosas,nós quem temos as provas dessa mentira,podemos tbm mostrar isso aos pais…união gente!!

  6. Douglas Costa Responder

    O que agente deve fazer com Aécio Neves e seu sucessor? Matar é um crime, mas o que se deve fazer então? Queremos alguma resposta satisfatória.

    1. Lumena Marques Responder

      Como professora da rede me solidarizo com o professor Juvenal e digo ao Douglas que não devemos votar nestes e nem em outros e que o melhor jeito de ajudar é conversar com os pais nas reuniões mostrando a eles que nossos filhos são apenas um número nas mãos do governo.Abraços.

    2. Edna Hermes Responder

      Mostrar a eles que professor é gente e que elege sim pessoas,como tbm retira-os do poder

  7. Carlos Júnior Responder

    A situação não é diferente no Estado do Rio Grande do Norte, sem sorte. Por aqui a educação estadual está falida há anos. Enquanto isso, os investimentos em publicidade só aumentam a cada ano.

  8. Elaine Responder

    Vergonha. Lixo de governo. Os políticos sao ratas inimigas da educaçao, vivem nos esgotos da ignorancia. sao inimigos das crianças, adolescentes, educadores, pais, maes. nao melhoram o salario porque nao se importam.

  9. GIL TEIXEIRA Advogado Responder

    Estimada Giovanni,

    Agradeço o seu comentário, e lembro que todos os casos, pelo
    menos, têm duas partes opostas, e que uma delas, o ofendido, ou lesado, é
    defendido por um advogado. Depois não são os advogados que “escrevem”
    as leis e também não promanam as sentenças.

    Aliás, em Portugal, conheço muitos cidadãos brasileiros, e
    conheço o Brasil, e porque estou ligado a uma organização que representa os
    cidadãos brasileiros, já defendi imensos cidadãos brasileiros, em condições
    bastante difíceis, e “pro bonu”, como se pode ver, por exemplo, em (e outros);
    http://www.destak.pt/artigo/578

    http://www.24horasnewspaper.com/fotonews/2540/pdf/Pagina%2011%20-%20Portugal.pdf

    Depois tenho o maior respeito pelos professores, pela
    simples razão de que exerci esse nobre profissão, quiçá a mais importante de
    todos, e jamais afirmaria, como o faz a Giovanni, que; “(…) assim como
    professores encostados e mamando na teta do governo sem se preocupar com o
    ensino!”

    Também se sabe que pão e circo é vendido em todas as partes
    do mundo.

    Finalmente, não percebo onde a Giovanni vai buscar tanta
    ódio, ou xenofobia(?), bem expressa na sua expressão; ” tenha um bom dia
    na sua miserável existência!”. Felizmente que os sentimentos que a Giovanni
    manifesta pelos portugueses não são recíprocos. Em contrapartida desejo-lhe o
    melhor do mundo, e que consiga ultrapassar o mau momento que atravessa.

    Abraço

    Gil Teixeira
    Advogado
    Lisboa/Portugal

    pt.linkedin.com/pub/gil-teixeira/34/53/34/

  10. Ricardo Rago Responder

    Um dia tive o sonho de ser professor, e mesmo com outra carreira já consolidada voltei à faculdade e me formei para poder me preparar adequadamente, sem “fingir que ensinava”. Infelizmente, este sonho está quase morto, pois é realmente IMPOSSÍVEL alguém se manter dignamente com o salário que TODOS os governos brasileiros pagam. O Sr. Gil, advogado, certamente não tem a menor noção do que acontece no Brasil, e acredito que, aos seus clientes, não lhes concede seu tempo, inteligência e determinação por R$80,00/dia (salário médio de um professor de ensino médio), que é menos do que um pedreiro ganha e é quase o que um servente de pedreiro fatura (sem desmerecer o trabalho de ninguém, apenas para efeito de comparação).

  11. Joao Ribeiro Responder

    Só devemos lamentar professor que uma carreira de formação do intelecto seja interrompida por falta de incentivo, condições de trabalho e melhores remunerações.

  12. Paulo Rogério Responder

    Em semana que Aécio ataca governo Dilma revista da muita atenção a falhas do governo Aécio. é impressão minha ou essa revista é do PT?

  13. Bia Blanco Responder

    E ISSO SE REPETE EM TODOS OS ESTADOS DO BRASIL…LAMENTÁVEL!

  14. Bia Blanco Responder

    Só não entendo pq nós professores, que tanto estudamos, ainda não conseguimos reverter essa situação humilhante, será que é pq não somos suficientemente unidos para ter uma representatividade perante as autoridades públicas?

  15. Marcos Responder

    Como foi bem falado pelos colegas que comentaram, realmente é um problema nacional. Onde resido, Estado de Pernambuco, não é diferente. O senhor Governador Eduardo Campos tem usado de uma propaganda massiva apontando que realizou grandes feitos pela educação em Pernambuco. Propaganda falsa! Fala que implantou 200 escolas em tempo integral com toda estrutura física e qualidade de ensino, mas na prática é bem diferente. São escolas que muitas vezes não possuem sequer água para os alunos beberem e salas que as 11:00 da manhã chegam a 40º de temperatura. Falo isso porque vi pessoalmente. Quanto ao salário fica alardeando que foi um dos primeiros estados a implantar o piso quando na verdade usa de todos os subterfúgios para incorporar toda e qualquer gratificação para chegar no valor do piso. O Governador Eduardo Campos desde 2008 não realiza concurso para seleção de professores. A secretária de educação está com quinze mil professores trabalhando como temporários. O Próprio MP de Pernambuco já determinou que o estado não pode mais renovar contratos temporários e tem que realizar concursos, todavia o judiciário está nas mãos do senhor governador. A prefeitura de Recife, cujo prefeito foi lançado pelo governador como uma de suas primeiras ações a frente da prefeitura cortou com a ajuda do TJ as horas brancas dos professores que agora devem ficar 100% do tempo em sala de aula e se virem pra realizar as demais atividades inerentes a atividade docente. A única coisa que esse governo faz pela educação é PROPAGANDA. Terminei minha licenciatura em História agora em 2012, mas na atual conjuntura da educação não irei exercer tal honrada atividade. Infelizmente, tive que tomar outros rumos.

  16. Edvaldo Lima Responder

    Parabenizo o amigo de profissão pela coragem. Que direi eu que sou professor do Estado que paga, há mais de uma década, o PIOR SALÁRIO DE PROFESSOR DO BRASIL, que é Pernambuco. Costumo dizer para professores iniciantes que só vejo uma única saída: SAIR. Você decidiu pela única saída que os politiqueiros deixaram. Parabéns pela coragem. Aproveito para divulgar a tabela comparativa dos salários dos professores estaduais brasileiros que confeccionamos, salários atualizados até março de 2013:

    http://sintepenrms.blogspot.com/2013/04/comparacao-dos-salarios-dos-professores.html

  17. Francisco Romildo Silva Responder

    Caríssimo camara Juvenal, Professor.
    Antes mesmo de comentar neste espaço minhas impressões cuidei de compartilhei no twitter assim como no facebook recomendando aos leitores que em todo o texto onde se lê MG, substitua por PE. Passaos quase treis décadas do final da ditadura militar imaginamos que não há mais espaço para a velha ideia de que o governo não investe em educação para manter o povo oprimido pela ignorância. Portanto, qual afinal a razão para que nossa categoria tenha um piso salarial tão baixo?
    Estamos juntos nesta luta.
    Um grande abraço direto do Sertão de Pernambuco

  18. Adelson de Brito Responder

    Queridos

    Aos 25 anos tive pela frente um dilema: ser professor da rede estadual ou sobreviver. Fiz a segunda escolha e hoje, aos 58 anos, não me arrependo da escolha fieta. Dentro dos “professores dos alunos”,moram cidadãos como quaisqeur outros, com os mesmso anseios e as mesmas necessidades. Apesar de ver o ato de ensinar como a prática de um sacerdócio, a escolha dessa atividade como opção profissional não pode ser interpretada como uma opção pelo ascetismo, como quer sugerir posturas, como aquelas identifcáveis em alguns dos nosos comentários.Afinal, a função precípua da “escola” ocidental é preparar o cidadão de amnhã para o exercício da preservação do sistema,que liás, está longe da santificação que poderia ser colhida pelo exemplo de um monge asceta.

  19. Edna Hermes Responder

    Professor eu admiro a sua coragem,assim como eu tbm esse ano não suportei tantas exigências,e tão pouco tempo nem mesmo pra preparar boas aulas,preferi sair depois de 12 anos,da rede Estadual de Educação de Minas Gerais.O salário não dava pra sustentar nem mesmo minhas necessidades básicas( aluguel,alimentação,saúde,energia,água,etc…) fico triste de saber que estudei tanto,me esforcei ,fui uma das melhores alunas na faculdade,passei sem comer várias vezes por não ter dinheiro pro lanche,pq tive de estudar em outra cidade,na minha não tinha faculdade,ainda pagar a faculdade e o ônibus. E hj descobrir que o que eu escolhi como profissão não me dá o que preciso para sobreviver e tantos políticos corruptos fazendo propagando enganosa na televisão e usando o dinheiro dos impostos,que nós com baixos salários pagamos pra pagar a artistas famosos,enquanto nós nem uma ajuda no coletivo pra ir trabalhas,nem um convênio médico descente…Isso é revoltante.Edna

  20. Greyce Ramalho Responder

    Imaginem vocês, em PE, onde o nosso “querido” governador Eduardo Campos, dá uma de bonzinho, investindo pesado na mídia para a sua futura campanha à presidência da República, sem reconhecimento de quem faz essa educação, …A Educação é um problema nacional….E se ele ganhar……o problema aumentará!!

  21. Márcio Responder

    Aqui no Rio de Janeiro não é diferente governador Cabral e seu lacaio Risolia, este secretário de educação transformaram a secretaria de educação num bunker de maldades contra os professores da rede estadual do Rio, solta migalhas que ele chama de gratificações e ainda diz que esta “valorizando” os professores greve geral da educação já……………………………………………………………………………………………….

  22. Mirna Cardoso Responder

    Infelizmente esta é uma triste realidade, sou professora e sei de casos onde eu trabalho de professores que exoneraram. Além do salário, eu considero um desrespeito a promoção automática que está acontecendo em todas as redes. Eu trabalho com crianças do 4º ano do ensino fundamental e tenho crianças que não sabem ler e escrever. Não é culpa dos professores, é que as crianças passam de um ano ao outro independente de saberem ou não.

  23. Marta Responder

    Caro Professor,
    É a sua declaração nos entristece de todas as formas, a que ponto chegamos? E o pior que ainda vamos afundar muito mais na educação para começarmos a de fato nos mobilizar enquanto País, pela melhoria da escola pública no Brasil, enquanto isso, perderemos dia após dia, profissionais como vc, e nossas crianças ficarão a mercê de uma educação de “faz de conta”. Abraços.

  24. Rodrigo Gonçalves Responder

    Creio que seria oportuno enviar esta postagem aos atores e atrizes globais.

  25. Márnei Consul Responder

    Estou quase no mesmo caminho aqui no Rio Grande do Sul…

  26. GIL TEIXEIRA Advogado Responder

    O comentário do Rodrigo é interessante, sobretudo porque faz uma destrinça que desconhecia quanto à natureza do Estado-ficção jurídico-política, reduzindo-o ou aumentando-o, conforme os olhos do interessado, e como se aquele, o Estado, não fosse, de facto, uma mera representação, a dita ficção, de todos os cidadãos que integram um território organizado politicamente, e com instituições materiais e imateriais próprias.

    Esta perpectiva merece uma reflexão sociológica, e de que não nos deve envergonhar, nem o seu autor, e menos ainda os professores.

    Abraço.

    Gil Teixeira

  27. Magno Oliveira Responder

    Em primeiro lugar o depoimento do professor é quase que recorrente, pois muitos outros rofessores brasileiros estão desistindo da profissão por questões salariais e falta de uma boa estrutura para o exercício do magistério. Esse caos generalizado na educação chama-se capitalismo. Creio que nós, professores, precisaríamos ousar mais na rebeldia e dar início em nossas aulas ao desenvolvimento da consciência socialista. Demonstar ainda que os conteúdos que nos dão já enlatados e prontos não são necessários aos alunos e, pior, as suas realidades. Nós, professores deveríamos ser em sala de aula militantes socialistas, o que não implica em filiação partidária (não confundir). A educação como ato político exige escolha, e essa esclha está diretamente relacionada com a (des)organização social na qual estamos inseridos e muitas vezes reprodutores dos valores ideológicos da sociedade capitalista. Corroer essas bases conhecendo melhor o socialismo e a pedagogia socialista já será um grande passo na luta pela construção de uma sociedade democrática e uma escola mais comprometida com toda a comunidade.

  28. Wanessa Lorena Responder

    E uma vergonha esses governantes miseráveis

  29. vinicius Responder

    Se o governo estivesse do lado do povo, pagaria melhor seus professores. Educação de qualidade e saúde de qualidade e gratuitas, que são direitos fundamentais segundo a nossa constituição, são “regalias” daqueles que podem pagar por isso. O pobre não pode estudar em escola de qualidade e nem dar ao seu filho a condição de estudar em uma, visto que o que o pobre ganha não o permite pagar escolas particulares e fortunas para planos de saude privados. Tira-se o basico dessas pessoas e assim elas entram no mercado capitalista fadadas ao fracasso e a reproduçao “escravista-moderna” da mão de obra para os empresarios. Enquanto isso, o governo continua enganando a população oferecendo dados manipulados sobre educação e muito entretenimento “enburrecedor” para distrair as pessoas. O governo investe nas puniçoes, a constroi cadeias, paga muito bem seus juizes mas nao investe na educaçao e tira a diginidade das pessoas, exigindo que depois elas sejam “pacificas” e dignas com a mesma sociedade que a “violentou”, punindo qualquer sinal de rebelião. O primeiro ato de violencia e talvez o que de origem a todos os outros é retirar das pessoas o direito de se instruirem e alcançar posiçoes sociais dignas e isso começa com a forma pela qual são tratados os nossos professores e nosso sistema de educação básicos. Sinceramente … Eu creio que isso só vai mudar com luta e pancadaria nas ruas, porque fazer passeata e reclamar é politicamente correto, mas ineficaz. Todo mundo que saber do BBB, mas ninguem tá nem ai pra educação. Isso tem que mudar, nem que seja a ferro e fogo! Eu me orgulho dos professores do Brasil e gostaria que eles se orgulhassem e se sentissem valorizados pelo que representam, ou deveriam representar para nossa sociedade que seria o mais digno e alto grau de valor e a personificaçao daquilo que temos de melhor. Criamos herois de mentiras e admiramos suas virtudes ao vê-los na tela do cinema, enquanto isso matamos os nossos herois de verdade que estão dentro das salas de aula das escolas publicas. (com rarissimas excessoes de pessoas imorais que ocupam os cargos de professores, assim como existem essas pessoas em todas as camadas da socieddade e em todas as profissoes do mundo). Que tristeza cara …

  30. Daniela De Jesus Responder

    Infelizmente eh a realidade!

  31. Professora Maria Saleti Dias Responder

    Não é só em Minas Gerais que isso acontece. No Paraná também.
    Como um professor consegue trabalhar com qualidade em salas tão indisciplinadas como temos hoje?
    As leis precisam mudar. Os pais precisam ser obrigados a acompanhar a vida escolar de seus filhos. Bolsa família sem cobrar nada em troca, somente a presença, não surte efeito nenhum.
    É preciso abrir os olhos enquanto ainda podemos fazer alguma coisa pela escola, aliás, pela sociedade, pois do jeito que está só tende a piorar, e todos vão ser vítimas das consequências.

  32. Anônimo Responder

    Caro Gil Teixeira! (infelizmente, mais um advogado do diabo),Vá vc. dar aulas todos os dias, com esse salário, durante, apenas, um mês e, em seguida, faça uma reflexão. Os profissionais que escolhem essa profissão são corresponsáveis pela formação de cidadãos que tem a obrigação de tornar o Brasil, um país melhor, pois este está um caos, causado ao longo dos anos, por, inclusive, legisladores, empresários e políticos corruptos e sem escrúpulos, com formação semelhante a sua (advogado), cujos se utilizam de subverterem a lei em detrimento próprio.

  33. Débora Rafaela S. Toledo Responder

    Caro Prof. Juvenal,

    Fiz a mesma coisa em fevereiro de 2012: não consegui me sustentar na rede estadual de Minas Gerais. E não me arrependo! Foi uma questão de autoestima, amor próprio e vergonha na cara. Perdi muito tempo no Estado. Modéstia à parte, sempre fui uma profissional exemplar. Nunca faltava às aulas (o que é incomum nas salas de aulas do País – têm muitos professores doentes), sempre me atualizei através de pós-graduação, congressos, seminários, leituras e desenvolvia sempre projetos inovadores. Depois de sete anos, cansei de ser desvalorizada! O salário é de fome! Minha diarista ganhava mais do que eu… A escolas públicas são fraudulentas: os estudantes e suas famílias são duramente enganados. Na escola pública acontece de tudo, menos aprendizagem… Sinto muito por todos os profissionais da educação pública deste País. Espero que muitos professores tenham a coragem de “chutar o balde”. Professor, normalmente, é um profissional muito completo: lê e escreve muito bem, comunica-se bem, relaciona-se bem e é autodidata. Têm muitos concursos públicos e negócios que podemos nos aventurar. Merecemos ser felizes!

    Profa. Débora R. S. Toledo
    Ex professora da rede estadual de Minas Gerais

  34. Borges Responder

    Caro Juvenal, vc tem toda razão em estar indignado com esse descaso feito pelos governos em relação à educação. Sou graduado em Física e até hoje me pergunto se valeu apena ser professor num país em que um padeiro ganha mais que um professor graduado.


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