Agente da ditadura militar é “escrachado” em Itatiba

“Carlinhos Metralha” é réu em processo do MPF e, recentemente, foi nomeado delegado  Por Igor Carvalho...

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“Carlinhos Metralha” é réu em processo do MPF e, recentemente, foi nomeado delegado 

Por Igor Carvalho

Protesto foi realizado em Itatiba, onde moradores receberam panfletos que informavam a trajetória de Carlinhos Metralha (Foto: Peu Robles)

A Frente de Esculacho Popular (FEP) organizou um “escracho” de Carlos Alberto Augusto, conhecido como o torturador “Carlinhos Metralha”, que reside em Itatiba, interior de São Paulo. A manifestação ocorreu neste sábado. O agente da ditadura militar foi nomeado delegado de segunda classe em fevereiro.

Augusto é réu, ao lado do coronel reformado Carlos Alberto Ustra, de um processo movido pelo Ministério Público Federal (MPF), em outubro de 2012, por conta do sequestro do militante de esquerda Edgard Aquino Duarte, na década de 70.

Carlinhos Metralha era o principal assistente do ex-delegado do Departamento de Ordem Política e Social de São Paulo (Dops-SP), Sérgio Paranhos Fleury. O agente da ditadura militar foi um dos integrantes da operação que, em 1973, assassinou seis pessoas na Chácara São Bento, em Paulista, interior de Pernambuco. Entre as vítimas, estava Soledad Viedma, grávida de 7 meses, o pai da criança era o cabo Anselmo.

Delegado

O passado de agente da ditadura e o processo movido pelo MPF não impediram que Augusto fosse nomeado delegado de segunda classe. Nico de Almeida, integrante do FEP, criticou a nomeação, na frente da casa de Augusto: “Estamos aqui hoje pela primeira vez para escrachar um agente da ditadura que continua na ativa. Reivindicamos a exoneração deste sujeito. O fato dele já ser alvo de processo penal não poderia permitir que ele tivesse esse posto.”

Recentemente, em nota, a Comissão da Verdade de São Paulo afirmou que repudiava “a nomeação de Carlos Alberto Augusto ao cargo de Delegado de Polícia de 2ª classe do município de Itatiba (SP), publicado no Diário Oficial do Estado de São Paulo.”

A Comissão explicou a trajetória do militar. “No Dops, trabalhou de janeiro de 1970 a 1977 onde foi apelidado de “Carlinhos Metralha”, pois costumava andar pelos corredores do departamento portando uma metralhadora.”



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