Militares perseguidos pela ditadura são ouvidos pela Comissão da Verdade

Em depoimento, agentes pedem anistia assim como aqueles que participaram do regime

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Em depoimento, agentes pedem anistia assim como aqueles que participaram do regime

Por Igor Carvalho

Militares pedem anistia interna nas Forças Armadas brasileira (Foto: Marcello Casal Jr/ABr)

Audiência pública, realizada no último sábado (4) pela Comissão Nacional da Verdade (CNV), no Rio de Janeiro, ouviu militares que foram perseguidos durante a ditadura de 1964 a 1985 no Brasil. Em seus depoimentos, eles reclamaram de sofrer discriminação.

De acordo com os militares, desde o fim da ditadura eles não conseguem promoções na carreira dentro das Forças Armadas, enquanto colegas, que eram fieis à ditadura militar, estão em patentes superiores. Outros benefícios que não foram estendidos aos dissidentes foram os pagamentos de pensão para mulheres e filhos.

Luiz Carlos de Souza Moreira é capitão de mar e guerra na Marinha, foi dele o depoimento mais contundente na CNV. “Não querem nos deixar voltar à condição de militar. Até hoje somos rotulados e mal recebidos nos quartéis. Você é olhado com desconfiança. Eles estão nos humilhando.”

Moreira foi expulso da Marinha em 1964, por conta de sua relação estreita com militares que apoiavam o presidente da República à época, João Goulart. “Eu quero uma anistia ampla, geral e irrestrita como tiveram os torturadores”, disse Moreira.

Os seis agentes escutados forneceram informações sobre a Operação Mosquito, ação que teria tentado impedir a posse de João Goulart, em 1961. O coronel-aviador Roberto Baere afirmou que as ordens que ele recebeu determinavam que o avião do presidente deveria ser abatido. Ao ser questionado, o militar informou que a decisão tinha partido do tenente-coronel Paulo Costa, já falecido.

Paulo Novais, suboficial, afirmou que foi expulso após impedir um massacre. Segundo o militar, havia uma ordem para “dispersar” uma reunião da Associação de Marinheiros e Fuzileiros Navais, no dia 25 de março de 1964, que apoiaria Goulart.

Quando entraram no Sindicato dos Metalúrgicos, onde ocorreu a assembleia, os militares que deveriam “dispersar” a reunião perceberam que “aquilo se tornaria um massacre”, então largaram as armas no chão e apoiaram o movimento.

Novais foi expulso do Corpo dos Fuzileiros Navais e ficou preso por oito meses, 30 dias isolado, no porão de um navio adernado.



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