Juiz israelense afirma que “algumas meninas gostam de ser estupradas”

Magistrado fez a declaração durante uma audiência de um caso de estupro no qual a vítima tinha apenas 13 anos na época do crime

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Nissim Yeshaya fez a declaração durante uma audiência de um caso de estupro no qual a vítima tinha apenas 13 anos na época do crime

Da Redação

Yeshaya afirma que suas palavras foram mal interpretadas (Foto: Divulgação)

Um juiz israelense causou polêmica ao afirmar, durante uma audiência de um caso de estupro de uma menor de idade que hoje está com 19 anos, que “algumas meninas gostam de ser estupradas. A fala de Nissim Yeshaya teve grande repercussão na imprensa de Israel nesta última quarta-feira, 5, e gerou protestos.

Segundo a advogada Alani Sadovnik, que representa a vítima, o comentário do juiz causou constrangimento entre os presentes na audiência, incluindo outros dois membros do tribunal de apelações, que tentaram minimizar a declaração e acalmar os ânimos. À época do crime, a vítima tinha apenas 13 anos.

“No meio de um debate acalorado, o juiz diz, de repente e alto e para todos os presentes ouvirem, ‘há algumas meninas que gostam de ser estupradas”, declarou Sadovnik. “A sala ficou em silêncio (…) inclusive os (outros dois) membros do tribunal (de apelações) ficaram calados por vários minutos. Ele nem sequer percebeu o que acabava de dizer. Não entendia por que todo mundo estava em silêncio ao mesmo tempo”, relatou a advogada.

De acordo com o site Ynet, a presidenta da Comissão para o Status da Mulher, Aliza Laví, solicitou que a ministra da Justiça, Tzip Livni, interdite imediatamente Yeshaya, que já está aposentado há quatro anos, mas que atua como presidente de tribunais administrativos e de orientação. Já a ministra de Cultura e Esporte de Israel, Limor Livnat, considerou as declarações do juiz “assustadoras e escandalosas” e também solicitou que o juiz seja aposentado em definitivo. “As vítimas de estupro sofrem severos traumas psicológicos. É difícil imaginar o dano causado por esse comentário, que poderia dissuadir outras vítimas de abusos sexuais (de denunciar os crimes)”, criticou.

Yeshaya era o candidato de Benjamin Netanyahu para presidir o tribunal interno do partido Likud, mas o primeiro-ministro israelense retirou o apoio porque “uma pessoa que se expressa assim não merece o cargo”.

Segundo o juiz, que pediu desculpas pela declaração, o escândalo “não é sério” e seus críticos estariam querendo publicidade com o caso. “Estão tentando conseguir publicidade às minha custas. Eu não acho que a vítima de um estupro não sofre danos ou que o estupro não é um crime grave. (Meus comentários) foram mal interpretados”, afirmou Yeshaya.

Com informações do Opera Mundi. 



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