Depoimento de Zé Celso à polícia é adiado

Diretor do Teatro Oficina é intimado por intervenção teatral durante protesto na PUC-SP

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Diretor do Teatro Oficina é intimado por intervenção teatral durante protesto na PUC-SP

Por Igor Carvalho

Intimação encaminhada ao diretor de teatro Zé Celso Martinez (Imagem: Reprodução)

O depoimento do diretor Zé Celso Martinez Corrêa à polícia, marcado para ontem à tarde, foi adiado. O artista foi intimado a depor no 23º Departamento de Polícia de Perdizes, por conta de uma intervenção teatral durante protesto na PUC-SP, em 27 de novembro de 2012. Na ocasião, Zé Celso e atores do Teatro Oficina encenaram a “Decapitação do Papa”, uma adaptação da peça “Acordes”, de Bertold Brecht.

A apresentação foi feita a pedido dos alunos e professores, que estavam de greve, em protesto pela nomeação de Anna Cintra à reitoria da PUC-SP, após ela ter ficado em terceiro lugar no pleito eleitoral. “Os alunos e muitos professores ocuparam a Universidade em virtude da nomeação para a Reitoria de uma candidata que pegou 3º lugar na eleição, mas foi a escolhida antidemocraticamente pelos representantes do Vaticano no Brasil por estar de acordo em transformar a PUC num ‘Recinto de Pregação Fundamentalista Romana’”, disse Zé Celso, em seu  blog.

Segundo o delegado Percival de Moura Alcantara Junior, no texto da intimação, Zé Celso deverá “reconhecer atores do teatro, postado na internet sob o título ‘Decapitando o Papa na Puc’.”

Zé Celso lamentou a intimação e criticou o seu cunho religioso. “Estamos sendo processados mais uma vez pelos que devíamos processar pelo desrespeito ao Teatro e ao Estado Laico Brasileiro: os ‘Fundamentalistas Católicos Apostólicos Romanos’,  que consideram a atuação teatral farsesca mais desrespeitosa do que o próprio ato destes Fundamentalistas de violar o espaço até então livremente sagrado da Universidade Católica”, explicou o artista. “Querer incriminar os artistas de Teat(r)o por esta cena é um atentado à liberdade de expressão do ator.”

Em comunicado ao portal R7, a Secretaria de Segurança Pública (SSP) informou que o processo foi movido pelo Ministério Público (MP). “Apuramos que, por requisição do Ministério Público, a Polícia Civil instaurou inquérito para apurar o fato. A natureza da investigação é o artigo 208 do Código Penal: ‘Escarnecer de alguém publicamente, por motivo de crença ou função religiosa; impedir ou perturbar cerimônia ou prática de culto religioso; vilipendiar publicamente ato ou objeto de culto religioso’. O delegado que preside o inquérito é o titular do 23° DP, Marco Aurélio Floridi Batista.”

Imagem de capa: Reprodução do vídeo “Decapitando o Papa”

Assista ao vídeo da cena:



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