A Passagem abaixou, agora falta abrir a planilha de custos e muito mais

A passagem abaixou, agora falta abrir a planilha de custos do transporte público, suspender temporariamente a licitação para concessões no transporte na cidade e convocar uma Conferência Democrática sobre Mobilidade Urbana. Felizmente o prefeito Fernando...

424 1

A passagem abaixou, agora falta abrir a planilha de custos do transporte público, suspender temporariamente a licitação para concessões no transporte na cidade e convocar uma Conferência Democrática sobre Mobilidade Urbana.

Felizmente o prefeito Fernando Haddad e o governador Alckmin (além de todos outros governantes do Brasil, que também baixaram tarifas) ouviram a voz da Multidão e recuaram. Poderiam ter tomado esta decisão antes, evitando maiores transtornos, mas ainda bem que o fizeram. Agora é buscar uma nova repactuação com a sociedade. Como contribuição, republico o artigo que escrevi ontem, enquanto ainda perdurava o impasse sobre o preço da passagem:

Acabo de saber sobre o encontro que o prefeito Fernando Haddad manteve com o Conselho da Cidade (conselho consultivo com representantes de diversos setores) e Movimento Passe Livre.

Neste encontro o prefeito sinaliza que pode baixar a tarifa, desde que criando um novo imposto a ser cobrado na Bomba de Gasolina, sugerindo o corte de ICMS sobre Óleo Diesel (o que, segundo ele, representaria menos 0,07% na tarifa), além de se comprometer a examinar os lucros das empresas de ônibus para “cortar gordura”. Em proposta praticamente unânime, todos os 150 conselheiros defenderam a imediata revogação do aumento da tarifa a partir da redução do lucro das empresas de transportes, ao que, o secretário Jilmar Tatto responde: “Não é possível espremer tanto assim os empresários das concessionárias de transporte para viabilizar a revogação do aumento.” Para justificar a impossibilidade do congelamento da tarifa, o prefeito também faz comparações, dizendo que um congelamento da tarifa até 2016 “seria suficiente para contratar 20.000 médicos ou dobrar a rede de hospitais.”

A seguir com argumentos assim a prefeitura de São Paulo vai se distanciar ainda mais do sentimento da Multidão.

Os tempos mudaram. Agora a negociação é com a Multidão. E para negociar com a Multidão há que escutar, entender, respeitar. E atender. A Multidão não quer seguir sendo enganada com jogos de palavras. Por isso não há representantes hierárquicos. Ou se escuta com respeito e se atende a voz da Multidão, ou se dá as costas a ela. E se enfrenta as consequências.

Se for para comparar custos há muito a comparar, mas nunca com serviços essenciais, como educação e saúde. Que se leve em comparação o custo da tarifa de transporte a partir de 1994, por exemplo. No início do Plano Real, a tarifa era de R$ 0,50 e no período foi reajustada em 540%, muito acima da inflação, que foi de 332%; ou seja, em 2013, a tarifa deveria ser de R$ 2,16, menos até que a proposta de redução para R$ 3,00. E este aumento real da tarifa não veio acompanhado da melhoria do serviço, pelo contrário. Também poderemos comparar custos públicos a serem cortados e perguntar: Por que, mesmo com a mudança de governo, a prefeitura optou por continuar com o Sistema de Gestão da Saúde via OS (Organização Social – gestão privada da saúde pública)? A mesma pergunta pode ser feita em relação à Câmara dos Vereadores, como despesas com emendas parlamentares, que promovem até campeonatos de Futebol de Botão, e que representam R$ 124 milhões/ano (quase a metade do que representaria a redução da tarifa), ou o motivo da necessidade de 1077 assessores parlamentares para 55 vereadores, que representa um custo anual de R$ 73 milhões.

Há outro caminho. Como realizá-lo em uma negociação justa e respeitosa?

Em primeiro: Reduzir imediatamente a tarifa. Que seja por 45 dias, como propôs o Ministério Público, mas tem que ser já e sem qualquer outra condição ou aumento de subsídio aos empresários.

Em segundo: Abrir a composição de custos para definição da tarifa de transporte, pois este é um dos segredos mais bem guardados em todos os governos. Sem subterfúgios. Além da redução dos R$ 0,20, a voz da Multidão também diz que os lucros do empresariado não condizem com um transporte público caro e de má qualidade.

Em terceiro: Suspender a licitação para concessão do transporte público em São Paulo, igualmente por 45 dias. Se há seriedade na abertura de discussão sobre os rumos da mobilidade urbana em São Paulo, inclusive com a proposta apresentada pelo deputado Ricardo Berzoini, de realização de uma Conferência sobre Mobilidade, não faz sentido seguir com uma licitação que vai consolidar a cartelização do transporte público.

Adotadas estas medidas, a prefeitura de São Paulo estará tomando um passo no sentido de se reaproximar com o novo espírito do tempo: o sentimento da Multidão que se recusa a ser coisa.

 



No artigo

1 comment

  1. Leoblos Responder

    Que povo ignorante, o governo acenou baixar a passagem tirando os impostos que vão faltar para outros programas sociais na outra ponta. A verdadeira gordura das planilhas em depreciações e manutenções indevidas e insumos superfaturados não foram tirados da planilha dos empresários. No frigir dos ovos o povo é que paga a conta.


x