Brasileiros lotam a praça mais famosa de Barcelona

Movimento "Democracia sem fronteiras" reuniu centenas de pessoas para discutir e protestar contra os problemas do Brasil

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Movimento “Democracia sem fronteiras” reuniu centenas de pessoas para discutir e protestar contra os problemas do Brasil

Texto e fotos por Tati Seoane, de Barcelona

A Praça Catalunha, onde por muito tempo foi o lugar de encontro dos “Indignados” e acampados do 15-M, foi ocupada, nesta tarde (18), por brasileiros representados pelo movimento “Democracia não tem fronteiras” – que surgiu através das redes sociais para dar apoio aos protestos que estão mobilizando o País desde a última semana.

De caras pintadas, enrolados na bandeira do Brasil e munidos de cartazes, crianças e adultos gritavam diversos lemas como “nenhum partido me representa”, “Copa do Mundo eu abro mão, quero dinheiro para saúde e educação”, ou, “Brasil, vamos acordar, o professor vale mais que Neymar”, entre as 17h e 21h (hora de Madri).

Para a artista Fafa Franco, que há 21 anos vive em Barcelona, este momento pelo qual passa o País hoje é um espelho do que aconteceu na cidade, depois das Olimpíadas de 1992. Em sua última visita ao Brasil, em 2009, o que mais chamou a sua atenção foi o elevado custo de vida. “Estou emocionada, mas a ação precisa continuar. Não quero ver este movimento sendo afogado, como muitos outros que vi por aqui”, conta.

Esta mesma questão comentou a publicitária brasileira Andrea Simão, que há menos de um ano mora na capital catalã. “Já provamos que temos força, mas agora temos de manter o foco e lutar, de maneira pacífica, pelas mudanças que desejamos”.

Com os manifestantes organizados em uma grande roda, o ato promoveu a discussão de diversos problemas como a precariedade do transporte público, falta de educação de qualidade, violência contra a mulher, gastos com a Copa do Mundo, entre outros. Eles ainda cantaram o hino nacional e fecharam o encontro ao som de uma batucada.

Segundo a organizadora do “Democracia não tem fronteiras” de Barcelona, a estudante de psicologia social Catarina Santos, a ideia é dar continuidade a estes protestos por meio de reuniões e assembleias, junto aos grupos das outras cidades do mundo. “Isto incluiu, além do transporte público, temas como a saúde, a homofobia e os direitos humanos, etc.”, diz. O movimento já promoveu manifestações de brasileiros em cidades como Dublin, Berlim e Lisboa, nestes últimos dias.

A concentração contou também com um abaixo-assinado que será entregue, na próxima quinta-feira, ao cônsul-geral do Brasil em Barcelona, Sergio Barbosa Serra, para ser enviado à presidente Dilma Rousseff. Este seria um símbolo de apoio à população que foi às ruas para protestar contra o aumento da tarifa do transporte público em São Paulo e que desencadeou manifestações históricas em diversas cidades brasileiras. Antes mesmo de terminar o ato, mais de 400 assinaturas haviam sido recolhidas.

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