É hora de defender o Movimento Passe Livre

Continuem na luta. Mas saibam mudar a tática e desarmar o adversário. Ele tem nome: os fascistas que o discurso de direita disfarçado de combate à corrupção despejou nas ruas

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Continuem na luta. Mas saibam mudar a tática e desarmar o adversário. Ele tem nome: os fascistas que o discurso de direita disfarçado de combate à corrupção despejou nas ruas

Por Lincoln Secco e Antonio David, especial para o Viomundo

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Em célebre imagem do Manifesto Comunista Karl Marx mostra um feiticeiro que perdeu o controle dos poderes subterrâneos que ele mesmo despertou. As manifestações de segunda-feira foram o ponto de virada do Movimento Passe Livre.

Quando o movimento se massificou, isto não aconteceu sob a bandeira do MPL, mas depois de uma convocação de parte da grande imprensa. Sendo assim, as justas demandas iniciais se juntaram a manifestações de direita. O que explica a metamorfose?

Em primeiro lugar, lembremos que este movimento atual é seguramente importante e de massas, mas muito menor do que outros passados. Basta pensar nas Diretas Já que colocavam milhões nas ruas numa era sem redes sociais. Mais fraco e sem uma direção tradicional, ele tem que aprender no calor da luta a recuar para avançar depois.

O segundo aspecto do momento atual reside no fato de que antes as pessoas comuns iam às ruas depois de ouvirem o chamado que passava pela palavra impressa e esta dependia de organizações previamente estabelecidas que podiam arcar com  custos de edição de revistas, jornais etc. As redes sociais permitem que indivíduos falem diretamente entre si sem a mediação de organizações, salvo o mercado virtual.

Pessoas assim podem partir para a ação e expor ingenuamente os seus preconceitos e sua “coragem” (sic) escondida no anonimato da rede.

O terceiro aspecto que merece consideração é que a grande imprensa televisionada continua muito importante e, ao mesmo tempo, totalmente fora de controle democrático. Na Venezuela, Chávez enfrentou manifestações e tentativas de golpe reduzindo o papel da televisão.

Organizações na forma de “rede” existem desde que Marx criou seu círculo de correspondência londrina ou antes. Decerto os meios atuais potencializam infinitamente uma teia assim. O que o MPL pode aprender com seu magnífico movimento inicial é que organizações horizontais não deixam de ter pessoas provisoriamente na  liderança. Mas os líderes devem obedecer às bases e podem ser trocados. E as bases não são as pessoas nas ruas simplesmente, mas aquelas que comprovam real participação nas tarefas decididas. O MPL tem sim o direito de vetar atos que os seus membros orgânicos não decidiram previamente.

Para os partidos está dado o recado: está havendo um ensaio de algo diferente que poderá suscitar organizações de tipo novo à direita e à esquerda, assim como existem partidos verticais de direita e de esquerda. A juventude deve invocar o tumulto. É seu direito. É seu dever. Depois, estudar, estudar e estudar. Só assim se aprende. Primeiro nas ruas, depois se reorganizando. Não tenham medo. Continuem na luta. Mas saibam mudar a tática e desarmar o adversário. Ele tem nome: os fascistas que o discurso de direita disfarçado de combate à corrupção despejou nas ruas.

É possível que passeatas atrás de carros de som e líderes rotativos do próprio MPL no comando sejam a solução imediata que sindicatos mais à esquerda podem emprestar ao movimento, pois as atuais manifestações carecem deste elemento básico: o direcionamento conferido por quem fala mais alto.

Mas a saída estratégica passa por São Paulo e pela prefeitura. O MPL não quer e nem poderia influenciar o quadro eleitoral que ainda está distante. Mas precisa de uma saída digna para eliminar a gordura indesejada do movimento. A saída é o prefeito quem deve oferecer: baixar a tarifa e abrir um diálogo permanente sobre mudanças estruturais nos transportes.

Lincoln Secco é Professor de História Contemporânea na USP; Antonio David é Pós Graduando em Filosofia na USP


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7 comments

  1. Fernando Responder

    os comunas não fazem o menor sentido.

  2. swift Responder

    Faz
    muito tempo que essas manifestações não são do Passe Livre patrocinado
    pela esquerda e sim justamente contra a corrupção, não pelos hipócritas
    fachistas de esquerda ou de direita, ambos com o mesmo apetite sórdido
    por dinheiro e poder, mas pelo povo. O que esse calhorda da USP
    recomenda é usar a massa novamente como inocententes úteis, fortalecer a
    esquerda e descarta-los, bem próprio de comunistas. E que combate à
    corrupção é secundário, reprovável até. É EXATAMENTE ESSE TIPO DE
    PENSAMENTO QUE TEM QUE MUDAR NO PAÍS!!! Impeachmet de Dilma já!

    1. Disoque Responder

      Se mata, babaca.

    2. mugnatto Responder

      O que ocorre é que de qualquer jeito alguém vai infiltrar, e de qualquer jeito haverá algum tendencialismo no movimento, tal como você tem claramente um tendencialismo de direita, logo, não adianta você se fazer de vitiminha, porque dá pra perceber que se fosse por você o movimento seria direitista golpista. Ser a-partidário inclui não levantar bandeiras de partidos mas também não gritar contra bandeira de partido X nem contra governante Y também. Perseguição específica e levante de bandeira específica dão na mesma. Em outras palavras compre um espelho.

    3. André Yaakoub Responder

      Diz que o movimento é “do povo”, mas pede impeachment da Dilma. Menos, né? A presidenta foi eleita democraticamente, tem ampla aprovação popular, e não enfrenta nenhum processo na justiça. Esse discurso de impeachment é fascismo travestido de moralidade.

    4. daniel Responder

      Difícil dizer se o comentário acima é pura burrice/imbecilidade + alienação ou se é reacionário disfarçado.

  3. Katherine Bernardis Responder

    Lembrando que as “Diretas Já” não acabaram em diretas já, mas pela eleição INDIRETA do ex 1º ministro de Getúlio Vargas, Tancredo Neves, filhote da Ditadura,no caso melhor dizer: vovô da ditadura.


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