SP: “A vitória não é do Movimento Passe Livre, é do povo na rua”

Em coletiva de imprensa, ativistas do MPL comentam a revogação do aumento das tarifas de transporte público em São Paulo e reafirmam sua luta pela tarifa zero

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Em coletiva de imprensa, ativistas do MPL comentam a revogação do aumento das tarifas de transporte público em São Paulo e reafirmam sua luta pela tarifa zero

Por Felipe Rousselet

Ativistas do Movimento Passe Livre afirmam que vão continuar trabalhando em busca da tarifa zero (Foto: Felipe Rousselet)

Na manhã desta quinta-feira, 20, o Movimento Passe Livre concedeu uma entrevista coletiva para falar sobre a revogação das tarifas do transporte público conquistada após as manifestações convocadas pelo movimento. Mayara Vivian, integrante do MPL, destacou que a revogação do aumento foi uma vitória da população e não do Movimento Passe Livre. “A vitória não é do Movimento Passe Livre, é do povo na rua. É consequência direta do lado que o povo decidiu ficar, que não foi o da repressão, o do Estado, foi o da luta”.

Questionados sobre as agressões e abusos que jornalistas sofreram, tanto de policiais como de manifestantes, os representantes do MPL afirmaram que repudiam qualquer atitude neste sentido ocorridas durante as manifestações.

“A gente acredita na total liberdade de imprensa e que o jornalista tem o direito de trabalhar. Não é a polícia militar, outra pessoas ou o governo que vai proibir o jornalista de cumprir a sua função. Ao mesmo tempo, a gente entende a revolta de algumas pessoas com alguns meios de comunicação pelo histórico destes meios dentro da vida política brasileira. A gente não apoia nenhum tipo de violência contra jornalistas, que fique bem claro”, afirmou Rafael Siqueira, ativista do MPL. Sobre os atos de vandalismo ocorridos na região central durante o protesto da última terça-feira, 18, os representantes do MPL afirmaram que as pessoas que promoveram saques, incendiaram um carro da Rede Record e depredaram a Prefeitura e estabelecimentos comerciais não pertencem ao movimento.

Os representantes disseram ainda que existiram pessoas infiltradas no movimento. “A gente já viu, a imprensa internacional também pontuou, que teve a presença clara de agentes infiltrados, seja da polícia ou de organizações escusas, que promoveram atos extremos que evidentemente destoam da ação da grande maioria dos manifestantes. Inclusive, eu não vi nenhum destes agentes que estiveram a frente destes atos extremos sendo preso. Nós vemos outros manifestantes presos, isso é estranho”, disse Mayara Vivian.

De acordo com o MPL, todas as pessoas que foram presas durante as manifestações terão auxílio jurídico do MPL, mas aqueles casos que forem identificados como ações de vandalismo e saques, que não fizeram parte do contexto do movimento e das manifestações, serão encaminhados à Defensoria Pública. “Com relação aos nossos advogados apoiadores, eles vão defender os manifestantes, os demais serão encaminhados para a defensoria pública. Como nós convocamos as manifestações, nós nos sentimos responsáveis pelo o que acontece com elas. Se ela não tiver um auxílio, nós vamos encaminhá-la para a defensoria pública. Após feita a análise dos casos, é isso que vai acontecer”, explicou o ativista Douglas Belome.

Os representantes do MPL reforçaram que o movimento é apartidário, horizontal e tem como única pauta o transporte público. De acordo com eles, a luta pela tarifa zero vai continuar. Outro ponto enfatizado pelos ativistas foi o repúdio a pautas que não se alinham com a carta de princípios do MPL.

“A pauta que uniu todo mundo foi a revogação do aumento, mas as pessoas sentiram a necessidade de se manifestarem sobre outras questões. Muitas delas que não achamos válidas. Outras achamos válidas, legal, façam as suas manifestações. As nossas manifestações tinham uma pauta clara, a revogação do aumento e vamos seguir nosso trabalho pela tarifa zero”, explicou Douglas Belome.

“Infelizmente eu vi cartazes com dizeres horrorosos durante a manifestação que não fazem parte de forma alguma do conjunto da manifestação. Gente pedindo a criminalização do aborto e a redução da maioridade penal. Tem gente que não consegue mobilizar nem 10 pessoas na esquina de casa e vai pra manifestação do MPL achando que colocar uma faixa lá no meio vai adiantar alguma coisa. A gente quer inclusive manifestar o repúdio a determinadas pautas que foram colocadas e entram em contradição totalmente com a luta do povo na rua. Nós temos uma carta de princípios bem rígida nesse sentido. Somos um movimento horizontal, apartidário, autônomo, anti-capitalista e contra qualquer tipo de opressão, seja ela racista, homofóbica, machista, etc…”, comentou Mayara Vivian.

O Movimento Passe Livre informou que a manifestação programada para esta quinta-feira (20), às 17h, na Av.Paulista, está mantida e tem três objetivos: pontuar a vitória do povo na rua, manifestar solidariedade a outras cidades onde a luta continua e a defesa daqueles manifestantes que estão presos ou sofrendo processos.



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