McDonald’s se recusa a abrir loja em assentamento israelense

Defensores da ocupação israelense pedem boicote à rede de fast-food; empresa disse que se trata de uma política antiga

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Defensores da ocupação israelense pedem boicote à rede de fast-food; empresa disse que se trata de uma política antiga

Do Opera Mundi

O proprietário da marca McDonald’s em Israel, Omri Padan, rejeitou uma oferta para abrir uma unidade de sua cadeia de fast-food em um centro comercial de um assentamento judaico de Ariel, localizado no território ocupado da Cisjordânia. A decisão provocou forte reação de políticos pró-ocupação.

Uma das 180 unidades do McDonald’s em território israelense (Foto: Wikimedia Commons)

O diário Haaretz informou nesta quinta-feira (27/06) que o empresário, um dos fundadores do grupo pacifista Shalom Ajshav (Paz Agora, contrária aos assentamentos), tomou esta decisão por razões ideológicas – a rede citou uma política de décadas em não operar em territórios palestinos invadidos após a guerra de 1967.

Representantes da McDonald’s Israel disseram ao jornal especializado em economia Calcalist que a decisão de não abrir uma franquia no território ocupado da Cisjordânia “sempre foi a política da cadeia de restaurantes”.

Padan declarou pela primeira vez que não faria negócios na Cisjordânia nos anos 1980, uma década antes da abertura do primeiro McDonald’s em Israel, e manteve essa política durante as duas décadas em que trabalhou na rede de fast-food. Desde sua entrada em Israel, em 1993, a cadeia cresceu a uma média de nove filiais ao ano, e conta hoje com 180 restaurantes, que representam 70% do setor de fast-food no país.

O McDonald’s rejeitou outra oferta para inaugurar um restaurante em um bairro judaico ao norte de Jerusalém localizado no território ocupado em 1967.

Revolta

O pronunciamento provocou revolta entre os colonos, que propuseram que os israelenses passassem a boicotar a rede. “O McDonald’s se transformou, mudou de uma empresa de negócios para uma organização com uma agenda política anti-israelense”, disse Yigal Delmonti, do conselho de uma organização pró-assentamentos, em entrevista ao Jerusalem Post. “Esperamos que os cidadãos israelenses, especialmente aqueles que vivem na Judeia e Samaria [o termo usado pela extrema-direita para se referir à Cisjordânia], levem isso em conta antes de entrar nas unidades dessa companhia”.

O prefeito de Ariel, Eliyahu Shaviro, disse ao jornal Ma’ariv que a decisão do McDonald’s “em não abrir uma unidade em Israel é infeliz e discrimina os residentes da ‘cidade'”. Dois deputados de extrema-direita do Knesset, Parlamento israelense, Ayelet Shaked e Zvulan Kalfa, também pediram o boicote à rede.

Aproveitando-se da situação, a rede Burger Ranch, principal concorrente do McDonald’s, afirmou que abrirá uma unidade em Israel “em nome da glória do Estado de Israel”. Já Yariv Oppenheimer, do Peace Now, defendeu a empresa. “Em todo país democrático, cada pessoa ou empresa tem o direito de escolher em não ir de encontro aos seus valores, ideologias ou morais. A decisão do McDonald’s reflete isso e nós a apoiamos”, disse, lembrando que Padan não é mais um membro ativo da organização. Segundo o ativista, há uma pressão nos empresários israelenses para investir e operar nos assentamentos e é “importante defender o direito das companhias em não serem forçadas a ajudar os colonos”.

O assentamento de Ariel é um dos maiores e mais populosos na Cisjordânia, com 20 mil ocupantes. O premiê israelense Benjamin Netanyahu já disse publicamente que considera o assentamento parte do território israelense.



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