Mapa mostra a assessoria jurídica e advocacia popular no Brasil

A maior concentração está nas regiões metropolitanas e nas capitais, o que reafirma a atuação da advocacia popular no trabalho de tradução entre o mundo dos movimentos sociais e as instituições públicas

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A maior concentração está nas regiões metropolitanas e nas capitais, o que reafirma a atuação da advocacia popular no trabalho de tradução entre o mundo dos movimentos sociais e as instituições públicas

Por Terra de Direitos, em Adital

A prática da assessoria jurídica e advocacia popular, em diferentes contextos sociais e eixos de atuação, é tema de pesquisa realizada pela Terra de Direitos e Dignitatis Assessoria Técnica Popular ao longo de um ano, que culminou no “Mapa Territorial, Temático e Instrumental da Assessoria Jurídica e Advocacia Popular no Brasil”. O estudo trata a assessoria jurídica e advocacia popular como indicadores do grau de qualidade democrática do sistema de justiça, compreendendo o papel dessas organizações tradutoras e mediadoras das lutas políticas dos movimentos sociais com as instituições do poder público, em especial as da justiça.

Presente na história institucional da Terra de Direitos e da Dignitatis, a Renap – Rede de Advogadas e Advogados Populares está entre as motivações para a realização da pesquisa. A Rede foi criada em 1995 com o propósito de fortalecer a comunicação e a interlocução entre os diversos advogados e advogadas que atuam junto aos movimentos sociais no Brasil. Aliado à Renap, a pesquisa surge também no âmbito dos debates da JusDh – Articulação Justiça e Direitos Humanos, que vem atuando sobre uma agenda política voltada para a democratização da justiça.

Mapa – Segundo levantamento feito pela pesquisa, o cenário da assessoria e advocacia popular no Brasil conta com 96 entidades, distribuídas por 117 pontos de atuação, considerando que há organizações com escritórios em mais de uma cidade. A maior concentração está nas regiões metropolitanas e nas capitais, o que reafirma a atuação da advocacia popular no trabalho de tradução entre o mundo dos movimentos sociais e as instituições públicas das três esferas de poder, agrupados principalmente nas capitais.

Já os escritórios localizados no interior estão principalmente nas regiões Norte. Estado com de alto índice de conflitos fundiários, o Pará se destaca pelo número de entidade espalhadas pelo seu território, voltadas especialmente aos temas agrários, como Terra e Território, Meio Ambiente e Trabalho Escravo. Dados da Comissão Pastoral da Terra, publicados no Relatório de Conflitos no Campo, mostram que houve registro de 89 conflitos por terra no estado em 2012, despontando como o mais violento da região e o 4º estado com o maior número de conflitos no país.

A pesquisa traz, ainda, outras duas abordagens: a identificação da variação temática da atuação das entidades de assessoria jurídica e advocacia popular, e o instrumental manejado em sua atuação. No âmbito do “mapa temático”, foram identificados 13 temas de direitos humanos usualmente defendidos pelas entidades pesquisadas. Segundo Antonio Escrivão Filho, co-coordenador da pesquisa pela Terra de Direitos, “um dado interessante foi a revelação de que há variações na distribuição e presença de temas, na medida das diferentes regiões do país. Neste sentido, destacaram-se, por exemplo, a elevada incidência do tema “LGBTT” no Nordeste, ao passo em que a temática de “Criança e Adolescente” se concentrou na região Sudeste”.

A pesquisa foi realizada junto ao Observatório da Justiça Brasileira (OJB) do Centro de Estudos Sociais da América latina – CES/AL, com o apoio da Fundação Ford e Secretaria da Reforma do Judiciário do Ministério da Justiça.

Clique aqui para acessar o estudo na íntegra.

Veja também o mapa temático interativo.



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1 comment

  1. Luísa Helena Stern Responder

    Importante levantamento, que serve para muitas análises e reflexões.

    Chamou-se a atenção o fato de não constatarem nenhuma entidade com o tema LGBT na região Sul, quando a ABGLT é (ou era) sediada em Curitiba, defende o tema em diversas frentes, inclusive foi até o STF como “amicus curiae” na ADPF 132 e ADI 4277, que regulamentaram a união estável para pessoas do mesmo sexo.

    Aqui em Porto Alegre, atendemos casos de discriminação por homo-lesbo-transfobia e processos de retificação do registro civil de travestis e transexuais pelo SAJU da UFRGS, com a realização de dois mutirões em 2013, em uma parceria do grupo G8-Generalizando do SAJU com a ONG Igualdade RS – Associação de Travestis e Transexuais do Rio Grande do Sul.

    A Igualdade-RS também faz um trabalho pioneiro com as travestis no Presídio Central de Porto Alegre, com apoio psicológico, assistência social e assessoria jurídica, além de atuar na defesa dos direitos de travestis e transexuais no sentido mais amplo.


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