Para estudantes, reitoria da Unesp ordenou desocupação por não querer dialogar

A Tropa de Choque da Polícia Militar realizou a desocupação do prédio da reitoria da universidade durante a madrugada de hoje (17). Aproximadamente 120 estudantes universitários ocuparam o local

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A Tropa de Choque da Polícia Militar realizou a desocupação do prédio da reitoria da universidade durante a madrugada de hoje (17). Aproximadamente 120 estudantes universitários ocuparam o local

Por Paulo Cezar Pastor Monteiro

A Tropa de Choque da Polícia Militar realizou a desocupação do prédio da reitoria da Unesp (Universidade Estadual Paulista), no Vale do Anhangabaú, centro de São Paulo, durante a madrugada de hoje (17). Os cerca de 120 estudantes universitários que ocuparam o local na tarde da última terça-feira (16), exigindo mudanças nas políticas estudantis da universidade, foram levados para o 2º DP, no bairro do Bom Retiro, onde assinaram um boletim de ocorrência.

Samantha Camacam, estudante de Psicologia do campus de Bauru, explica que os alunos foram até a reitoria para cobrar o andamento das demandas ligadas a permanência estudantil, universalização do ensino e democracia na administração da universidade. Porém, de acordo com ela, a reação da Unesp foi a de ameaçar os alunos com a possibilidade do uso da força.

Tropa de Choque no momento da desocupação do prédio da reitoria da Unesp (Foto Mídia Ninja)

“Nos ocupamos o prédio porque o reitor [Julio Cezar] Durigan não demonstra o necessário comprometimento com as pautas de permanência estudantil. Ao invés de abrir o diálogo, a resposta foi que já havia sido feito o pedido de reintegração de posse e que, se não desocupássemos o prédio, a polícia iria entrar para nos retirar dali. Somos um movimento legítimo, com uma pauta legítima, não tínhamos porque recuar e por isso não o fizemos”, explica Samantha.

Em nota, a Unesp diz que, apesar de “estar em processo de negociação” com os seus alunos, o prédio da Reitoria foi “surpreendentemente” invadido por cerca de 120 alunos. Ainda de acordo com reitoria, a ação só ocorreu após “esgotadas todas as possibilidades de acordo por parte da Administração perante a postura intransigente dos alunos da universidade”.

A universidade também diz que a ordem foi dada “em nome da preservação do patrimônio público” e, apesar de os alunos terem “usado de violência”, destaca que a ação da PM ocorreu de “forma absolutamente pacifica”.

Os estudantes negam que a ação policial tenha sido pacífíca. De acordo com eles, os policiais agiram de forma intimidatória, não portavam identificação, teriam depredado parte do patrimônio da universidade, além de terem realizado toda a operação sem a presença de oficial da justiça e sem mostrar a ordem judicial que determinava a reintegração.

Primeira ocupação

No dia 27 de junho, os unespianos já haviam ocupado a reitoria. Porém, desta vez, após reunião com a vice-reitora, professora Marilza Vieira Cunha Rudge, foi firmado acordo entre as partes e a desocupação ocorreu de maneira pacífica e sem nenhum incidente.

Samantha explica que o DCE (Diretório Central dos Estudantes) Helenira Rezende, que representa todos os campi da Unesp, tomou a decisão de ir até a reitoria porque, desde a primeira ocupação,  alguns pontos não tinham evoluído e, após se reunirem com o reitor Durigan, no dia 12 de julho, ficou claro que as pautas apresentadas pelos estudantes não eram prioridade para a atual administração.

“Falta vontade política da reitoria para a implementação de uma política de permanência estudantil eficiente. Por exemplo, no plano de gestão, a Unesp opta por destinar verbas para o auxílio-aluguel, que é uma medida paliativa e que pode ser cancelada a qualquer momento, ao invés de planejar a construção de moradia nos campus”, critica a estudante.

Por sua vez, a reitoria diz que mantêm os compromissos assumidos com estudantes, “tendo em vista que está em constante negociação com o objetivo de atender as demandas dos discentes”.  Em outra nota, a administração lembra que atendeu parte das demandas apresentadas pelos estudantes entre elas: o aumento da quantidade de bolsas BAAE I (voltadas a alunos de baixa renda) para 447, mais 36 auxílios-aluguel e também definir como prioridade a construção de moradias e restaurantes universitários.

Contudo, de acordo Samantha, a reitoria precisa deixar claro como irá atender essas demandas e é isso que os estudantes exigem agora.



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