Concentração de mídia dificulta diplomacia autônoma, diz assessor de Dilma

Guilherme de Aguiar Patriota afirmou que grandes veículos brasileiros são "nostálgicos" da Alca e críticos do Mercosul

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Guilherme de Aguiar Patriota afirmou que grandes veículos brasileiros são “nostálgicos” da Alca e críticos do Mercosul

Por Vitor Sion, do Opera Mundi 

Guilherme de Aguiar Patriota: “A imprensa é um ator importante na formulação da nossa política externa”(Foto: Vitor Sion/Opera Mundi)

Um dos assessores da presidente Dilma Rousseff para assuntos internacionais, o embaixador Guilherme de Aguiar Patriota lamentou nesta quarta-feira, 17, que a legislação brasileira ainda permita a propriedade cruzada nos meios de comunicação. No penúltimo dia de debates da conferência “2003-2013: Uma nova política externa”, na Universidade Federal do ABC, Patriota argumentou que a concentração dos grandes veículos da imprensa nas mãos de poucos grupos dificulta a implementação de uma diplomacia autônoma em relação aos Estados Unidos.

“A imprensa é um ator importante na formulação da nossa política externa, pois a opinião pública é formada basicamente por grandes jornais e canais de televisão. E aqui ainda é permitida a propriedade cruzada dos meios. Então é muito difícil executar uma diplomacia contra a grande imprensa, pois eles vão criticar o governo de maneira muito contundente, não vão economizar recursos para isso”, afirmou o embaixador.

Patriota, que é irmão do chanceler Antonio Patriota, classificou o posicionamento da mídia nacional como defensor de um aprofundamento da relação bilateral com os Estados Unidos, crítico do Mercosul e nostálgico da Alca (Área de Livre Comércio das Américas), iniciativa dos EUA rechaçada pelos países latino-americanos. “Esse cenário poderá ser quebrado com a internet. Espero que o meio digital não tenha concentração como a grande mídia. O governo deve ficar atento para que isso não ocorra”, argumentou.

O tema da democratização dos meios de comunicação já havia aparecido no seminário da UFABC nesta terça-feira. Na ocasião, o embaixador Samuel Pinheiro Guimarães, um dos principais formuladores da política externa do governo Lula (2002-2010), considerou que uma mudança nessa área é “essencial”.

“O primeiro passo seria dividir melhor a verba de propaganda do governo, que hoje é distribuída pelo critério de audiência, dando prioridade aos grandes oligopólios. Uma ideia seria tentar analisar a qualidade da informação e criar uma cota máxima para cada veículo, como nos EUA, mas é muito difícil que um projeto desse passe pelo Congresso”, lamentou.

Pinheiro Guimarães também lembrou que os Estados que tentaram democratizar a imprensa na América Latina, como Argentina e Venezuela, têm sofrido “intensa campanha contrária na mídia brasileira”. A conferência “2003-2013: Uma nova política externa” termina hoje, em São Bernardo do Campo, com a presença do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.



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1 comment

  1. Antônio Alberto (Pe. Alberto ) Responder

    .

    Em 02/03/2011 eu já dizia assim …

    Em uma enquete da Carta Maior

    http://www.cartamaior.com.br/templates/postMostrar.cfm?blog_id=1&post_id=67

    BOM !!! >>

    É O MINISTÉRIO
    DAS COMUNICAÇÕES QUE TEM APRESENTADO MAIORES PROBLEMAS NESTE INÍCIO DE GOVERNO… >>

    COM OS IMPROPÉRIOS – ou impropriedades – PRONUNCIADOS PELO “DESAVISADO” PAULO BERNARDES – ministro da comunicações (???) – ;
    É A PRÓPRIA – área da comunicação – QUE PRECISA DA UTI … (Unidade de Terapia Intensiva). >>

    ESSE ” MINISTRO DA ABERT/DIREITA/PIC-PIG ”
    PRECISA SE LOCALIZAR … E SAIR DO ARMÁRIO – de cima do muro -… >>

    É o paradoxo dos homens do Min. das Comunicações…; não sabemos se são incompetentes, ingênuos ou aderentes???


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