Católicas lançam campanha contra discurso “conservador” da Jornada Mundial da Juventude

Para a Católicas pelo Direito de Decidir, vinda do papa pode significar um momento preocupante para o debate em torno de políticas públicas sobre aborto e direitos de homossexuais

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Para a Católicas pelo Direito de Decidir, vinda do papa pode significar um momento preocupante para o debate em torno de políticas públicas sobre aborto e direitos de homossexuais

Por Paulo Cezar Pastor Monteiro

Com uma expectativa de público superior a 2 milhões de  pessoas, a JMJ (Jornada Mundial da Juventude), que será realizada no Rio de Janeiro, entre os dias 23 e 28 de julho. Considerada um dos maiores eventos do ano, a jornada vai marcar a primeira visita oficial do papa Francisco ao Brasil.  O evento, tratado no clima de festividade, promete receber uma atenção especial da mídia, além de já contar investimentos do poder público estimado na casa dos R$ 120 milhões.

No entanto, nem todos vêm na JMJ motivos para comemorar. Para a entidade Católicas pelo Direito de Decidir, organização não governamental feminista, a vinda do papa pode significar um momento “preocupante” para o debate em torno de políticas públicas sobre o aborto e direitos de homossexuais, além de representar um “retrocesso” na discussão da liberdade sexual dos jovens.

(Reprodução)

Para criar um contraponto ao discurso defendido na JMJ, a Católicas pelo Direito de Decidir lançou a campanha “O Papa vem aí? O que muda na sua vida?”, composta por uma série de vídeos que discutem “outras possibilidades” de se posicionar em relação à visão defendida pela alta cúpula da Igreja Católica. Confira abaixo a entrevista com Valéria Melki Busin , uma da organizadoras do grupo.

Fórum – Como surgiu a ideia da campanha? Qual o objetivo?

Valéria Melki Busin – A campanha “O Papa vem aí, o que muda na sua vida” é uma série de vídeos que aborda temáticas que vão do Estado laico, passando pelo direito ao aborto e pelo comportamento sexual. Ela foi criada com o objetivo de oferecer um discurso de resistência à mensagem conservadora, direcionada para os jovens, que ganha ainda mais visibilidade e é reforçada com a realização da JMJ (Jornada Mundial da Juventude) no Rio de Janeiro.

A ideia das Católicas pelo Direito de Decidir é produzir um contra-discurso àqueles que defendem uma moral sexual ultrapassada, do preconceito ao amor homossexual e da interferência da religião na elaboração de leis e políticas públicas. É preocupante a Igreja Católica defender um discurso que coloca os jovens em riscos ao proibir o sexo sem camisinha ou uso de anticoncepcionais. Queremos oferecer à juventude a possibilidade de pensar a partir de outros pontos de vista sobre essas mesmas questões, mostrar que existem várias possibilidades de ser católico e ser religioso.

A ideia não é fazer uma lavagem cerebral, mas oferecer informações para que esses jovens possam ter elementos para decidir como vão agir.

Fórum- Quanto vídeos? Quais as temáticas?

Valéria –Ao todo, são cinco vídeos, que produzimos com apoio do Elas – Fundo de Investimento Social. Até agora já disparamos três, um sobre a legalização do aborto, a questão homoafetiva e a da importância da defesa do Estado laico. Os dois próximos vídeos, que serão divulgados semana que vem, vão abordar, separadamente, o sexo antes do casamento e uso de camisinha.

Cada vídeo faz uma pergunta diferente, mas sempre relacionada com aquilo que percebemos serem pontos chaves do discurso conservador defendido pela Igreja Católica. São temas cruciais, em relação aos quais, ao invés de avançar, ela só retrocede e impõe aos jovens uma vida sexual reprimida, a exposição a doenças sexualmente transmissíveis ou ainda serve para reforça r um discurso de homofobia.

Fórum – O que muda com a vinda do Papa? Aumento do conservadorismo?

Valéria – O Papa Francisco traz algumas coisas bem complicadas. Em termos de figura pública, ele é muito mais carismático que Bento XVI, se mostra como alguém simples e mais humilde, demonstra ser mais voltado para as pessoas mais humildes, preocupado com justiça social, que é algo que também defendemos. Por outro lado, o Papa Francisco reforça o pior do conservadorismo católico em relação aos direitos sexuais e direitos reprodutivos. Um exemplo disso é o Manual de Bioética para Jovens, que será distribuído na JMJ. Ele diz que uma mulher que fique grávida em decorrência de estupro deve levar a gravidez até o fim! Não fala sobre prevenção de gravidez e ainda informa, incorretamente, que pílula anticoncepcional é abortiva. Isso será entregue aos milhares de jovens que estarão presentes no encontro, o que é péssimo, coloca a vida dos jovens em risco, pois não lhes dá a oportunidade de tomar decisões fundamentadas em informações corretas para se proteger. Por isso, a vinda dele significa um retrocesso na discussão da moral sexual e dos direitos reprodutivos, pois a mensagem dele vai reverberar bastante na mídia. O alcance que esse discurso terá nos preocupa porque é contra essa mensagem que nos lutamos.

Fórum – Vocês esperam fazer uma disputa de discurso na JMJ?

Valéria – O nosso objetivo não é doutrinar as pessoas, não queremos fazer lavagem cerebral em ninguém. Obviamente, nos esforçamos para que mais gente pense como nós, que veja o mundo da forma como o enxergamos. Mas a ideia da Católicas é oferecer informação e conhecimento para que as pessoas sejam autônomas e tomem suas decisões bem informadas, conscientes. No domingo que antecede a JMJ, pretendemos estender algumas faixas em frente de algumas igrejas com mensagens sobre o tipo de igreja que a gente espera.

É importante ressaltar que a proibição do aborto e a homossexualidade não são dogmas da Igreja católica pois não são questões de fé. São temas da lei eclesiástica, que é o conjunto de normas feitas pela mais alta hierarquia católica relativas a moralidade que católicos devem seguir no seu dia a dia, portanto podem ser discutidos pelos fiéis.

Há um conceito importante no catolicismo que afirma que, quando você se encontra perante uma situação de dúvida, a melhor decisão que você pode tomar é aquela que é feita de acordo com os recursos da sua consciência. E ninguém pode ser considerado mau católico por isso. Isso faz parte do documento Gaudium et Spes, do Concílio Vaticano II. Infelizmente já faz algum tempo que a mais alta hierarquia católica não se ‘lembra’ disso.

Fórum – As igrejas, no Brasil, respeitam o Estado laico?

Valéria – Não, algumas igrejas não respeitam a laicidade do Estado. Uma coisa é fazer parte da discussão pública – quanto mais grupos tenham representantes, melhor para a democracia. Outra é querer impor, para toda a população, o que uma religião acredita ou entende como certo, é ter uma bancada religiosa que legisla de acordo com os interesses da sua denominação religiosa.

Também não vale o argumento de que maioria dos brasileiros são católicos ou cristãos. Democracia não é a imposição da vontade da maioria sobre uma minoria, democracia significa a defesa dos direitos humanos e a defesa da cidadania para todas as pessoas. Portanto, entendemos que participar do debate público é correto, convencer as pessoas com argumentos também. Agora, não faz sentido fazer uma lei para coagir alguém a agir de acordo com essa ou aquela crença religiosa, as pessoas devem aderir às crenças religiosas pelo que elas acreditam, porque querem seguir o seu coração e não por força de uma lei. Interferir nas políticas públicas de acordo com uma religião não é uma medida aceitável, é antidemocrático. Por exemplo, caso o aborto seja legalizado, quem quiser seguir a orientação da Igreja e não abortar, continua podendo levar sua gravidez até o fim. O problema é que hoje não há possibilidade de escolha para quem não acredita na crença religiosa que proibe o aborto, colocando a vida das mulheres em risco.



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23 comments

  1. Pedro Algazar Responder

    Tem muuuita gente desequlibrada que aproveita pra jogar mais “M” em um mundo que já está cheio de “M”… não agrega nada….

    1. andreia Responder

      concordo penamente

  2. Guest Responder

    Pra quem não sabe a entidade “Católicas pelo Direito de Decidir, organização não governamental feminista, é uma entidade pró-aborto. Portanto, de católica, só tem o nome. Católicos são contra o aborto. Não se deixe enganar. Quando eles falam em direito de decidir (sobre seu corpo), estão falando na mãe que engravidou e teria o direito de abortar, preterindo o direito da criança que está no ventre que a gerou.

    1. Guest Responder

      A Bíblia defende a escravidão entre outras coisas. Você defende também?
      Tanta coisa errada na Bíblia, mas católico é assim mesmo, só lê o que interessa.

    2. luiz silveira Responder

      Sou um Cristão sem religião. Jesus Cristo deu a cada um o direito de seguir suas próprias inspirações e aspirações. Se há Deus , ele está na consciência de cada um.

      Tenho certa dificuldade em entender , por exemplo, o conceito bíblico do “livre Arbítrio”. Que livre arbítrio foi aquele que Deus teria aplicado no Gênesis? Você é livre para tomar suas decisões. Mas se não decidir de acordo com o que eu espero de você te condenarei. Não parece insensato ? Eu creio sim em Deus. Mas não nesse incoerente que alguns adotam…. este movimento pelo direito de decidir me agradou pelo seu discurso democrático e coerente. Acho que deveriam mudar o nome para “Cristãs pelo direito de decidir”.

      1. Breno Responder

        Luiz, sugiro um livro do Nietzsche, Ecce Homo, que pode te ajudar a compreender muita coisa… adiantando, olha só o que ele diz rapidamente sobre essa questão que vc levantou… “A noção ‘pecado’, inventada junto com o instrumento de tortura correspondente, o conceito “livre-arbítrio”, a fim de confundir os instintos, a fim de fazer da desconfiança frente aos instintos uma segunda natureza!”…

    3. Julia Responder

      então você acha que um embrião tem mais direitos que uma mulher?

    4. Cora Responder

      não está correto usar “gerou” neste contexto. o correto é dizer está gerando. está em processo de desenvolvimento intra-uterino. e não é o ventre que gera, é a mulher. o processo envolve a mulher como um todo. é só dizemos “a gerou” para aquelas pessoas nascidas. você é uma pessoa que sua mão gerou. enquanto intra-uterino, você estava sendo gerado, estava em gestação.

  3. Karura Tomoko Responder

    Estes, considerados cristãos, vão contra seu próprio Senhor Jesus Cristo quando pregam suas ideologias onde tem como objetivo tirar direitos de outras pessoas.
    Se me lembro Deus nos deu a liberdade de escolha, onde só ele iria julgar os atos de alguém, até mesmo quando seu Filho Jesus Cristo veio à Terra ele não rejeitou ninguém e sim acolheu quem mesmo não o chamava. Muitos se dizem cristão, mas são extremamente poucos os que seguem os passos de Cristo.

    Encerro com a frase que Mahatma Gandhi um dia disse “Eu seria cristão, sem dúvida, se os cristãos o fossem vinte e quatro horas por dia.” !

    Compreenção em suas mentes e paz e amor em seus corações!

    1. Samfortal Responder

      Eu tenho pena de quem tem um filho que não quer, talvez de uma pessoa que não goste e ainda sem condições mentais, financeiras ou físicas nenhuma. A vida dela foi desgraçada e ainda tem que conviver com aquela humilhação por meses ou talvez até anos. Até tenho pena da mulher que tem tpm, mas nada se compara com essas situações onde as consequências podem durar anos ou décadas de dor diárias. Não é olhar pelo lado pessimista, mas pelo direito da mulher poder decidir a sua vida.

      O que me preocupa no seu comentário é que você cita religião, mas ela não ajuda, só inventa o que é certo ou errado, como em países muçulmanos onde é certo apedrejar (muitas vezes até a morte) em quem trai ou queimar o rosto da filha que não aceita o marido que os pais escolheram e por aí vai. A Bíblia mesmo tem dezenas de contradições, se você pesquisar vai ver. Pessoas tem religiões diferentes, opiniões diferentes e não permitir que uma pessoa escolha a própria vida usando argumentos religiosos pra mim é o maior dos Absurdos.

      A única discussão séria é sobre os direitos do nascituro mas discutir sobre o aborto também é falar sobre a vida da mãe e de um futuro órfão e a questão não é simples. Eu defendo o direito da escolha individual, ou seja, o da mãe, sem qualquer tipo pressão de terceiros.

      1. Karura Tomoko Responder

        Exato Samfortal, eu também defendo o direito de escolha individual. Não sei se me expressei mal em meu primeiro comentário e não consegui passar o que realmente queria dizer.

        Já fui participante da igreja católica, sou criada em uma família onde a maioria, se não todos, se dizem cristãos. E hoje me considero Deísta e não busco uma igreja, busco um estilo de vida. Não busco uma religião apenas para seguir sem questionar, busco exemplos em tudo, desde o comportamento animal, filmes, histórias até ao comportamento humano. E é principalmente em pessoas que tento tirar os bons exemplos, tento apanhar o que cada um pode contribuir e acrescentar isso em minha vida, para que eu possa crescer e viver em fraternidade com as pessoas ao meu redor.

        Um dos motivos de eu ter deixado de seguir o catolicismo foi exatamente o que disse no meu primeiro comentário. A interferência dos que se dizem cristões na vida dos outros, e que com base nisso tentam proibir a escolha livre de vida das outras pessoas. Critico também o fato de eles não seguirem o que pregam e querer impor isso aos outros. Critico à sua falsidade(Das religiões) de inventar (como você mesmo disse) e manipular tudo e todos para que a sua vontade sejam feitas. Crítico o fato deles pregarem em nome de Deus e eles se portarem como deuses e como os únicos que serão salvos.

        Religião é algo criado por humanos e humanos são perversos, todos nós sabemos a capacidade de atrocidades que a espécie humana tem de realizar vide na era da inquisição ou do nazismo.

        Caso alguém tenha estomago e sangue frio para ver , ai está:

        http://www.spectrumgothic.com.br/ocultismo/inquisicao/torturas.htm

        http://monteolimpoblog.blogspot.com.br/2010/09/os-piores-metodos-de-tortura-nda-idade.html

        http://forum.cifraclub.com.br/forum/11/132031/
        ( neste último fala sobre o nazismo)

        Uma das coisas que apoio e espero que não só o nosso Brasil o faça, como também o mudo é que ele se torne Laico. Quando eles perceberem que ao deixarem de defender apenas uma religião é que eles irão passar a defender todos os povos, o respeito entre todos irá começar a nascer, o amor ao próximo irá começar a brotar.

        Samfortal concordo com o que disse!
        Defendo completamente o direito de decisão IDIVIDUAL!

        Bem, não sei se o comentário ficou compreensível, grande sei que ele ficou, mas é que quando toco nesses assuntos minha mente ferve e as vezes nem consigo raciocinar direito.

        Como eu disse: Compreenção em suas mentes e paz e amor em seus corações!

      2. Natália Pascoal Responder

        “pena de quem tem um filho que não quer, talvez de uma pessoa que não goste e ainda sem condições mentais, financeiras ou físicas nenhuma. A vida dela foi desgraçada e ainda tem que conviver com aquela humilhação por meses ou talvez até anos.” desde quando ter um filho com problemas fisicos ou mentais é uma humilhação? Me desculpe mas, com todo o respeito, você está sendo muito preconceituoso em relação a crianças ESPECIAIS, ao contrario do que você diz quem as tem é um privilegiado por poder cuidar dessa criança e presenciar um milagre na vida de seu próprio filho. Até concordo com vcs de que cada um tem o direito de escolha mas me diga uma coisa se vc tivesse um filho de aproximadamente 1 ano e sua mulher engravidasse de novo e decidisse que não queria ter outro filho e resolvesse abortar vc estaria matando uma vida que está dentro dela em um ato que ela e a criança correm perigo, porque então não matar o seu outro filho, afinal sua mulher não corre perigo nenhum e é bem mais fácil do que o que está no útero dela. Você faria isso? porque então se não queria outro filho porque não usou preservativos ou sua mulher anticoncepcional que faz bem pro corpo da mulher pois regula o ciclo menstrual e previne espinhas??

        1. Karura Tomoko Responder

          Natália Pascoal, acredito que quando Samfortal disse “Eu tenho pena de quem tem um filho que não quer, talvez de uma pessoa que não goste e ainda sem condições mentais, financeiras ou físicas nenhuma.”
          Ele estava falando sobre os pais da criança e não a criança.
          Pelo que compreendi, a frase dita se refere aos pais (principalmente às mães) que estão sem condições mentais para cuidar de uma criança. De mães que talvez estejam em situações de depressões, de perturbações e insanidades mentais, condições que poderiam incapacitá-la de cuidar da criança após o nascimento e até mesmo durante sua gestação. Pois
          muitas pessoas com psicopatologias e transtornos psiquiátricos tem uma maior prevalência de se envolverem com drogas e terem interesses suicidas.

    2. L. F. Responder

      DEUS É DEUS E SEMPRE SERÁ DEUS…NUNCA MORREU….MAHATMA GANDHI ONDE ESTÁ?…DEUS ÉO TODO PODEROSO E CRIADOR DE TUDO QUE NO MUNDO HÁ….QUEM SOMOS NÓS PARA DUVIDAR DE SUAS PALAVRAS. DEUS É AMOR SIM….MAS ELE TBM QUER QUE OBDEÇAMOS E ANDEMOS CONFORME OS SEUS MANDAMENTOS, E NEM PORISSO TEMOS QUE ACEITAR IDÉIAS E PENSAMENTOS DE PESSOAS QUE NÃO CRÊM NA PALAVRA DE DEUS.

      1. Anselmo Chaves Responder

        Você se deu o direito de não aceitar nada que não queira aceitar. Você, então, deve aceitar que o outro se dê o direito de não aceitar a dita palavra de seu dito suposto deus – e viver a vida como quiser. Agora, se, para você, todos devem aceitar a palavra de seu suposto deus, aí isso é tirania e, praticamente, uma declaração de guerra. Do meu lado, digo: viva a vida como quiser, de acordo com as normas e regras que considerar adequadas (no caso, a do seu deus), mas não imponha aos outros a sua norma como se fosse a única correta (no caso, a do seu deus). No entanto, sinto que, pelo que você escreveu, parece que você está tão mergulhado dentro da redoma de sua crença que não irá admitir que outra pessoa tenha um modo de viver diferente do seu, pois você já está convicto de que o mundo é regido por uma ordem moral e que todos devem seguí-la. Assim, o que eu disser aqui não irá fazer você refletir pois sua alma foi blindada de tal forma pelo dogmatismo religioso que a sua razão foi sufocada. De todo modo, um caso interessante pelo menos para quem gosta de penetrar na subjetividade religiosa-dogmática-extremista e arrancar algumas lições de psicologia. Obrigado. Eu te amo.

        1. Karura Tomoko Responder

          Concordo completamente com oque você disse Anselmo, algumas pessoas se baseiam em religiões e querem impô-las aos outros sem que ao menos eles a sigam. E mesmo que eles a seguissem completamente isso não seriam motivo algum de tentar impor que outra pessoa o faça, acredito que ninguém aqui queira ter um novo Hitler ou voltar à época de tortura física onde muitos cristões o faziam sem motivo algum (Porque sinceramente nenhum dos motivos por ele citados deveriam ser levados à sério, bruxas? desobediência ao marido??).

      2. Karura Tomoko Responder

        Exato e vocês não tem “QUE ACEITAR IDÉIAS E PENSAMENTOS DE PESSOAS QUE NÃO CRÊM NA PALAVRA DE DEUS.”
        assim como também não pode impor à ninguém a sua religião, suas ideias e pensamentos. Mas RESPEITAR meu caro TODOS TEMOS!
        TODOS TEMOS QUE NOS RESPEITAR!

  4. Porantim Responder

    Igreja Católica distribui manual pseudocientífico que defende o fim da laicidade

    http://livrepensamento.com/2013/07/23/igreja-catolica-distribui-manual-pseudocientifico-que-defende-o-fim-da-laicidade/

  5. Julia Responder

    Na verdade tem que gente que acha que o embrião tem mais direitos. Já teve caso de mulheres correndo risco de vida por causa da gravidez pedindo autorização para abortar e tendo o pedido negado. Você vê até onde vai a misoginia da nossa sociedade, ate esquecem que se a mulher morre o embrião/feto morre também. A mulher tem que ter de fato direito de decidir o que faz com o seu corpo e isso pressupõe ter direito a fazer um aborto seguro se essa for a sua vontade e isso é muito maior do que “ter direito a liberdade sexual”. É ter a sua (nossa) autonomia respeitada.

    1. andreicarcara . Responder

      Ela tem todo direito sobre o corpo, como qualquer ser humano, mas assim como eu não posso usar o meu corpo pra cometer qualquer ato de barbárie e me justificar que “eu preciso ter autonomia sobre o corpo”, a mulher também está limitadas a regras quando tratamos do contexto social. Eu não sou capaz de identificar até onde vai a misoginia e não vou emitir valor sobre o caso em questão, afinal, ela morreu ou teve o filho? Ela poderia está simulando uma situação de risco, ou sobrevalorizando um problema menor, quem tem poder pra definir isto é apenas a equipe médica responsável por ela, certamente deve ter caroço no angu.

      1. Julia Responder

        Abortos são feitos desde sempre. Ninguém pode obrigar uma mulher a seguir com uma gravidez que não quer. O que queremos é um tratamento digno, um aborto seguro, pois essa é uma questão de saúde pública. Mulheres morrem fazendo abortos clandestinos. Não existe regra que obrigue um ser humano a continuar uma gravidez em que se corre risco de morrer. Mulheres têm direito de ter apreço pelo própria vida. O que aconteceu foi que ela recorreu da sentença e outro juiz de bom senso, não misógino, autorizou o aborto. E aborto em caso de risco de vida da mãe já é liberado, mas o juiz mesmo assim negou o pedido, atrasando o procedimento que poderia ter custado a vida dela. Mas esse não foi um caso isolado. Acontece principalmente em países religiosos, consequentemente misóginos, e que consideram a vida da mulher descartável. E quando a mulher grávida e o feto morrem ficam tristes, pelo feto.

        1. andreicarcara . Responder

          abortos são feitos desde sempre, como qualquer outro crime, assassinato, sequestro, estupro, roubo e etc…. Ninguém está falando em obrigar a pessoa a fazer o que não quer, o que é defendido é a leis estipule como regras que defendem o direito a vida de todos sem quaisquer tipo de discriminação, fazer aborto pode? Pode, mas deve? Não, não deve. Concordo que a mulher que faz aborto é um problema de saúde público e deveria ser tratado como tal, assim como os viciados, são pessoas que falharam como cidadãos e precisam de ajuda não de ir pra cadeia, já os médicos e instituições que promovem, facilitam ou executam o procedimento do aborto deve ficar na cadeia e não sair de lá por um bom tempo.
          Eu não defendo a vida a qualquer costo se o que está em jogo são valores semelhantes, ou seja, a vida do feto/ vida da mulher, então, neste caso, justifica-se que se tente salvar primeiro a mulher. Mas este caso já é garantido pela lei não vejo ponto de conflito nisto..
          Como eu disse, não conheço o caso com profundidade pra julgar…


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