MST reocupa fazenda grilada pela Cutrale, no interior de São Paulo

Os Sem Terra denunciam a grilagem dos 2,6 mil hectares de terra pela empresa. Há sete anos que a Fazenda Santo Henrique é reivindicada pelo Incra

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Por Jade Percassi, da Página do MST
Fazenda também foi ocupada em novembro de 2012 por mulheres do movimento que denunciaram o uso excessivo de agrotóxicos e a grilagem (Foto: Valter Campanato/ABr)

Na manhã desta quarta-feira (31), cerca de 300 famílias assentados e acampados de diferentes regiões do estado de São Paulo, ocuparam a Fazenda Santo Henrique, pertencente a empresa Cutrale, nos municípios de Iaras, Borebi e Lençóis Paulista, interior de São Paulo.

Os Sem Terra denunciam a grilagem dos 2,6 mil hectares de terra pela Cutrale. Há sete anos que a Fazenda Santo Henrique é objeto de ação reivindicatória por parte do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra).
No último dia 10 de julho, a Justiça Federal bloqueou a matrícula da fazenda, após a juíza substituta da 1ª Vara Federal de Ourinhos, Melina Faucz Kletemberg, ter finalmente acatado o pedido de tutela antecipada feito pelo (Incra), por meio da Advocacia Geral da União.
O órgão federal alega que as terras são remanescentes de um antigo projeto de colonização federal, o Núcleo Colonial Monção, mas que foram ocupadas irregularmente.
Segundo Ana Carolina Mazin, da direção estadual do MST, a ocupação visa pressionar para que o processo tenha continuidade, além de buscar o diálogo com a sociedade para reafirmar o propósito do Movimento em todas as ações anteriores.
“Ao contrário do que foi divulgado em alguns órgãos de imprensa, o objetivo do MST com as ocupações realizadas na Fazenda Santo Henrique nunca foi de causar destruição ou vandalismo; os meios de comunicação promoveram uma campanha contra a luta dos Sem Terra para esconder os verdadeiros atos criminosos praticados pela Cutrale”, disse Mazin.
Com a atual decisão da justiça, o bloqueio da fazenda impede a venda ou outras transações até que se tenha decisão definitiva sobre o domínio das terras. “Pois bem, reivindicamos que a decisão seja de retomada das terras pela União, para que sejam transformadas em assentamentos da Reforma Agrária”, afirma a dirigente.


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