Norman Finkelstein: Um Punk filho do Holocausto

"Todos os membros da minha família, em ambos os lados, foram exterminados"

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“Todos os membros da minha família, em ambos os lados, foram exterminados”

Para entender os conflitos entre Palestina e Israel:

Norman Finkelstein.

Cientista político. Acadêmico brilhante, vários livros publicados, aclamado pelos gênios de Noam Chomsky e Raul Hilberg.

Punk. Norman Finkelstein é um punk foda.

Do dicionário Houaiss: Punk: “diz-se de ou movimento contestador reunindo jovens que exibem vários signos exteriores (cortes de cabelos, roupas) de provocação e escarninho com relação à ordem social vigente.”

Punk não por usar moicano, jaquetas rasgadas e escutar Ramones. A coragem intelectual de Norman Finkelstein é o que o faz dançar o moshing no meio de outros acadêmicos sem se importar em quem esteja dando porrada. Tem escárnio à ordem vigente na academia dedicada aos estudos sobre o Holocausto.

Finkelstein, por ele mesmo:

Não gosto de usar as credenciais de judeu filho de pais que estiveram em campos de concentração. Meu falecido pai esteve em Auschwitz, minha falecida mãe esteve  em Majdanek. Todos os membros da minha família, em ambos os lados, foram exterminados. Os meus dois pais estiveram nas revoltas do gueto Polonês. E é exatamente por causa das lições que meus pais ensinaram a mim e aos meus irmãos que eu não vou ficar calado quando Israel cometer seus crimes contra os Palestinos. Considero que não há nada mais desprezivel do que usar o sofrimento e a morte deles para tentar justificar a tortura, a brutalidade, a demolição de lares que Israel comete diariamente contra os Palestinos. Me recuso a continuar a ser intimidado por lágrimas  [dos judeus que invocam o Holocausto para atacar os palestinos]. Se vocês tivessem coração estariam chorando pelos palestinos, não pelas metralhadoras israelenses.”

Não há nada mais punk do que o escárnio de Finkelstein dirigido ao establishment judeu que apóia a violência rotineira que sofrem os palestinos nas ocupações ilegais da Cisjordânia e da Faixa Gaza; nada mais punk do que Finkelstein afrontar um dos advogados criminais mais famosos dos Estados Unidos, Alan Dershowitz (defendeu OJ Simpson, dentre outros famosos) – Dershowitz é um dos apologistas da violência israelense contra os palestinos. Finkelstein expôs a fraude das teses do livro de Dershowitz, The Case for Israel. Não há nada mais punk do que o escárnio de Finkelstein dirigido aos acadêmicos que fabricam realidades e falseiam a descrição das dinâmicas de poder entre Palestina e Israel.

A coisa começou a ficar feia para o lado de Norman Finkelstein após a publicação de um artigo em que criticava o livro From Time Immemorial, de Joan Peters. Até aquela época, o livro de Peters servia como cartilha para educar jovens israelenses e judeus americanos, ainda no ensino secundário, a respeito do sionismo e da história dos territórios de onde hoje se encontra Israel. Norman Finkelstein desconstruiu o argumento central do livro – o de que não havia uma população palestina na região de Israel antes do movimento sionista. Com o artigo, ganhou o respeito de alguns acadêmicos e o ódio do establishment judeu americano.

Apesar de ser extremamente prolífico como autor, após mais de 20 anos ensinando em universidades de elite nos Eua, Norman se encontra desempregado; graças ao fortíssimo lobby judeu que o impediu de manter seu emprego na universidade CUNY, em sua cidade natal (NY), e mais tarde na universidade Loyola, em Chicago.

Filho do Holocausto

Em uma exibição de dignidade, nobreza e inteligência, Norman Finkelstein evita usar a sombria “credencial” de ser filho de sobreviventes do Holocausto. Ele quer que suas ideias valham por si mesmas. Ideias brilhantes expressas em vários livros. Dentre eles A indústria do Holocausto, obra onde ele expõe e critica a conduta de alguns banqueiros novaiorquinos no pós Segunda Guerra por usarem o sofrimento dos judeus que estiveram em campos de concentração. De acordo com Finkelstein, um grupo de banqueiros usou os nomes de milhares de judeus para extorquir dinheiro de bancos suíços. Mais ainda, o livro argumenta que hoje o Estado de Israel usa o Holocausto como arma ideológica e de relações públicas para se defender de qualquer crítica com relação a sua atroz política externa.

Ironicamente, este corajoso punk é ele mesmo um filho do Holocausto.

Documentário sobre Norman Finkelstein (em inglês):

 



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