PLC 03/2013: E, finalmente, um Basta!

Nina Madsen, socióloga e integrante do Colegiado de Gestão do CFEMEA, analisa a sanção integral do projeto que regulamenta o atendimento de saúde às vítimas de estupro

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Nina Madsen, socióloga e integrante do Colegiado de Gestão do CFEMEA, analisa a sanção integral pela presidenta Dilma Rousseff do projeto que regulamenta o atendimento de saúde às vítimas de estupro 

Por Nina Madsen, do CFEMEA

(Foto: Marcelo Camargo / ABr)

Têm sido escassos os nossos motivos de comemoração nos últimos tempos; raras as nossas oportunidades de exercitar o otimismo; menos e menos frequente o sentimento de estarmos representadas por aquelas e aqueles nos quais votamos para nos representarem.

Ontem, porém, com a sanção integral do PLC 03/2013, algo novo parece ter brotado dos abundantes gramados da Esplanada dos Ministérios. Um sonoro e retumbante Basta! – foi esse o grito que nos alcançou e nos encheu de alívio.

A sanção do PLC 03/2013 é uma lufada de esperança em meio a uma tempestade de absurdos que já parecia não ter fim. Esperança de que a justiça social e os direitos humanos prevaleçam sobre o ranço misógino, racista e homofóbico que se instalou no país; esperança de que a vida, a dignidade e a autonomia das mulheres sejam respeitadas, garantidas e protegidas por nosso Estado (Laico!!!!!). Esperança de que noss@s governantes tenham coragem de erguer suas vozes conosco para fazerem valer nossos direitos, os direitos de tod@s. Esperança de que a história compartilhada entre movimentos e partidos, que construíram a democracia fundada nos direitos humanos nesse país, não seja esquecida nem renegada por oportunismos eleitorais.

A sanção do PLC 03/2013 nos diz que é sempre tempo de lutar e que nossa luta deve manter intacto e íntegro o seu sentido. Estamos lutando por nossas vidas, pelas vidas de todas as mulheres brasileiras. E não iremos retroceder.

Queremos entender essa decisão da Presidenta Dilma Roussef como um Basta! ao conservadorismo e ao oportunismo político. Um Basta! aos fundamentalismos, um Basta! àqueles que pensam que a vida das mulheres não vale nada, um Basta! à misoginia, ao racismo, à homofobia.

Esse é o grito engasgado que precisamos dar. É nosso grito de liberdade. É nossa possibilidade real e tangível de resgatar o sentido histórico e político da democracia que vimos construindo até aqui. Esperamos que, a partir daqui, ele ecoe e se amplifique em muitas, novas e velhas vozes. Basta!!!

Nina Madsen – Socióloga e integrante do Colegiado de Gestão do Centro Feminista de Estudos e Assessoria (CFEMEA)



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4 comments

  1. Brunoe Jamila Vieira Responder

    Pra mim vc está certíssima, não apoio essa ideia e sou mulher, já vi crianças linda, saudáveis, que a mãe ama e foi por causa de um estupro, não acredito que a criança tenha culpa das atrocidades de alguns humanos por ai, se é que podemos chamar isso de humano.

  2. Rosa1112 Responder

    Um FETO é exatamente isso, um feto; ou seja, um projeto de pessoa que não pode se sobrepor aos direitos adquiridos por uma pessoa completa, desenvolvida e plena de direitos como é a mulher. simples assim.

    Esses anti-mulher são realmente patéticos em suas argumentações. São os mesmos conservadores que são a favor da pena de morte, da redução da maioridade penal e seriam os primeiros a querer que o menino de rua encontrado em sua casa, fosse direto pra polícia e exigiriam que o mesmo ficasse trancafiado num presídio pelo maior tempo possível.
    Hipocrisia, a gente vê por aqui…

  3. Rosa1112 Responder

    Vcs anti-mulher, que são contra os direitos reprodutivos de um ser humano completo e formado em todas as suas dimensões estão confundindo o propósito da lei.
    A lei em questão apenas regulamenta práticas que deverão acionadas em casos e somente em casos, de estupro.
    Ninguém será obrigado a abortar o feto, mas é claro, que se a vítima da violencia sexual assim o desejar e tiver a infelicidade de ter engravidado do agressor estuprador, ela tem TODO o direito assegurado por lei em fazê-lo.
    E um dos procedimentos garantidos pela lei, é justamente a contracepção de emergencia, que evitará um futuro aborto.
    Ninguém é obrigado a abortar, assim como NENHUMA mulher vítima de violência sexual deve ser obrigada a gerar um feto fruto de uma violencia sexual.

  4. Daniel Coelho Responder

    eu sou ignorante com quem é irracional e atrasa o desenvolvimento…. quem é contra essa Lei pode ir pra puta que pariu, bando de macacos irracionais… uma das poucas coisas prestativas que a Lei nos concede e tem esse moralistas falsos de merda defecando pela boca.


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