Liverpool lança lista de palavras “inaceitáveis” para torcedores

Iniciativa pretende banir termos discriminatórios do estádio do clube inglês

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Iniciativa pretende banir termos discriminatórios do estádio do clube inglês

Do Opera Mundi 

O Liverpool, um dos mais tradicionais clubes de futebol da Inglaterra e com um passado turbulento de violência envolvendo a torcida, emitiu uma comunicado aos fãs com uma lista de palavras que passou a considerar “inaceitáveis”. Segundo os jornais The Guardian Le Monde, o clube afirma ter o objetivo de banir termos discriminatórios de suas arquibancadas, mas não informou se pretende tomar alguma ação formal contra algum torcedor que for identificado falando alguma dessas palavras.

“O clube deseja erradicar TODA forma de discriminação ou comportamento discriminatório tanto dentro quanto fora do campo de futebol. É importante entendermos o contexto com o qual [esses] termos são ditos, mas aqui vão exemplos de algumas palavras que consideramos melhor evitar, já que são frequentemente ofensivas e o clube as considera inaceitáveis”, diz o comunicado.

Lista do Liverpool com as palavras consideradas discriminatórias e a serem evitadas (Reprodução/Twitter)

Na lista, figuram 13 termos e palavras de conteúdo ofensivo contra raças e religiões, 16 que atacam a sexualidade alheia, outros oito de preconceito de gênero e seis ofensas a portadores de necessidades especiais.

Entre os termos mais conhecidos estão o “nigger” (forma pejorativa de se referir a afrodescendentes), “poof” (contra homossexuais), “paki” (para descendentes paquistaneses), “princess” (princesa), além de frase como “Don’t be a woman” (não seja uma mulher) ou “play like a girl” (joga como uma garota).

A iniciativa, inédita, faz parte de um programa de educação desenvolvido pelo clube contra a discriminação, mas não foi distribuído aos jogadores, que já recebem orientações especiais da Federação Inglesa.

Em outubro de 2011, o atacante uruguaio Luis Suárez, do Liverpool, foi acusado de ofender racialmente o lateral-direito francês Patrice Évra, em jogo contra o Manchester United. Foi condenado a oito jogos de suspensão e uma multa de 40 mil libras. Em fevereiro de 2012, durante um novo jogo entre as duas equipes, ele se recusou a cumprimentar o colega de profissão.

Histórico de violência

Na década de 1970 e no início da de 1980, a violência entre torcedores havia explodido nos estádios da Inglaterra. Os adeptos do Liverpool estavam envolvidos em vários desses episódios, ao mesmo tempo em que o clube vivia sua fase áurea, com quatro títulos europeus e domínio nas disputas nacionais. Em 1985, na final da Liga dos Campeões contra a Juventus, no estádio de Heysel, em Bruxelas, 39 pessoas morreram e cerca de 600 ficaram feridas em um tumulto envolvendo as duas torcidas.

Os clubes ingleses foram suspensos por cinco anos de competições continentais (o Liverpool cumpriu pena de seis). Em 1989, outro tumulto no estádio de Hillsborough, em Sheffield, em um jogo da Copa da Inglaterra contra o Nottingham Forest, terminou com 96 mortes e 766 feridos.

O governo, na época, culpou a torcida do Liverpool, mas uma nova investigação terminada este ano concluiu que as falhas foram da organização, da estrutura do estádio e da polícia, o que gerou um pedido de desculpa formal do governo. O incidente, no entanto, causou na época uma reformulação nos estádios britânicos.

(Foto de capa: Reprodução / Facebook)



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