Quem matou Ricardo?

DCE da Unifesp denuncia que o assassinato de Ricardo Ferreira Gomes, funcionário da universidade, pode ter sido motivado por agressão supostamente cometida por PMs na presença de estudantes

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DCE da Unifesp denuncia que o assassinato de Ricardo Ferreira Gomes, funcionário da universidade, pode ter sido motivado por agressão supostamente cometida por PMs  na presença de estudantes

Da Redação 

Reprodução

Ricardo Ferreira Gama, funcionário terceirizado do campus da Unifesp na Baixada Santista, foi morto na madrugada da última sexta-feira (2) na porta da sua casa, na Vila Mathias, em Santos. Dois dias antes, na quarta-feira (31), de acordo com nota divulgada pelo DCE da Unifesp, ele teria respondido a uma ofensa e foi agredido por policiais militares em frente à unidade central da universidade em Santos. A cena foi presenciada por alguns estudantes, que defenderam o funcionário verbalmente. Após a confusão, os policiais detiveram Ricardo, que depois foi liberado e não registrou ocorrência contra os agressores.

O DCE da Unifesp levanta a hipótese de Ricardo ter sido assassinado em decorrência da agressão sofrida por ele. A nota diz que, após os estudantes serem informados que o funcionário não registraria ocorrência por ter “confessado” que não sofreu nenhuma violência, um dos estudantes quis fazer ele mesmo o boletim de ocorrência, mas foi intimidado pelos policiais.

Segundo a nota, Ricardo procurou pelos estudantes para avisar que policiais tinham ido até a sua casa e avisado que, se eles não parassem de ir até a delegacia, iriam resolver o assunto de “outro jeito”. O DCE da Unifesp ainda afirma que, na quinta-feira (1), viaturas com homens não fardados rondavam a universidade e pessoas pediram para que funcionários entregassem os vídeos que os alunos fizeram da agressão, afirmando que, se não o fizessem, “seria pior”.

Ricardo foi assassinado na madrugada seguinte por quatro homens encapuzados, que o balearam oito vezes. Na nota, o DCE da Unifesp afirma que não se calará até que seja esclarecida a autoria do crime.

A Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo informou que o  4º DP de Santos instaurou inquérito para investigar a morte de Ricardo e que as imagens das câmeras de segurança da Unifesp já foram solicitadas. De acordo com nota enviada pela assessoria de imprensa da pasta, o presidente do DCE da Unifesp será chamado para prestar depoimento, assim como amigos e parentes da vítima.

Leia a íntegra da nota divulgada pelo DCE da Unifesp: 

O Diretório Central dos Estudantes da Universidade Federal de São Paulo vem a público relatar e se posicionar diante dos fatos ocorridos desde quarta-feira na Vila Mathias, em Santos-SP.

Na quarta feira, 31/07, Ricardo Ferreira Gama – funcionário terceirizado da Unifesp Baixada Santista – após responder a uma ofensa feita a ele, foi agredido pela polícia em frente da Unidade Central, na Rua Silva Jardim. Alguns estudantes agiram verbalmente em defesa de Ricardo e foram ao 1º DP, aonde os policiais afirmaram que levariam o funcionário.

Chegando lá, os estudantes foram informados que Ricardo fora levado ao 4º DP. E no 4º DP, que eles estariam na Santa Casa. Ou seja, eles estavam sendo despistados. De volta da Santa Casa, onde realmente estavam os policiais e o funcionário, foram avisados pelos próprios policiais que cometeram a agressão que o rapaz tinha sido liberado e que estava tudo resolvido. Ele não teria feito Boletim de Ocorrência., pois “admitiu” que não fora agredido.

Um dos estudantes quis, ele próprio, abrir um Boletim de Ocorrência e, a partir disso, começou a ser intimidado pelos policiais. Assustados, os estudantes foram embora sem abrir o B.O.

Chegando na Unifesp, os estudantes foram procurados pelo Ricardo que disse ter sido procurado em sua casa pelos policiais dizendo que se estudantes não parassem de ir à delegacia, eles “resolveriam de outro jeito”.

Na quinta-feira (01) à noite viaturas com homens não fardados de cabeça pra fora rondavam a Unifesp. Pessoas também chegaram a ir pessoalmente na Unifesp pedir a funcionários vídeos que estudantes teriam feito da agressão, e disseram que se eles não entregassem, “seria pior”.

Pois, mesmo com o passo atrás em relação ao Boletim de Ocorrência e sem nenhum vídeo publicado, na madrugada de quinta para sexta-feira (02) quatro homens encapuzados mataram o Ricardo na frente de sua casa com oito tiros.

Na segunda-feira (05), houve uma roda de conversa no campus sobre o caso puxada pela Congregação. A direção teve momentos vergonhosos, dizendo, por exemplo, que “o caso aconteceu da porta pra fora”, ou ainda, sob risos, que “os terceirizados são tratados da mesma forma que os demais servidores”.

Isso acontece num contexto em que o país ainda se pergunta “Onde está o Amarildo?” e em que a Baixada Santista enfrenta grupos de extermínio que matam a juventude com um único critério: a vítima é pobre, preta e periférica.

Sabemos que a polícia não garante a segurança da maioria da população, pelo contrário, sendo um dos braços do Estado ela institucionaliza o controle social e exerce a repressão contra os trabalhadores, principalmente os negros e pobres. As políticas de segurança pública criminalizam qualquer ato resistente às imposições que seguem a lógica do mercado, suas elites e do governo. Não é essa segurança que queremos, que nos oprime, reprime e nos explora! Defendemos a desmilitarização da polícia e uma segurança pública a serviço dos trabalhadores, e não das propriedades privadas!

O Diretório Central dos Estudantes não se calará e se manterá em luta, junto da comunidade acadêmica e da classe trabalhadora contra a truculência e a violência policial contra a população pobre e trabalhadora.

Não nos calaremos até que seja respondida a pergunta: QUEM MATOU O RICARDO? E até que o Estado seja responsabilizado pelos seus crimes.

06 de agosto de 2013

Diretório Central dos Estudantes da Universidade Federal de São Paulo



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