Telefonia celular em Oaxaca desafia o Sistema

O projeto de telefonia celular GSM é o único do mundo que é baseado no modelo das rádios comunitárias e administrado pela própria comunidade

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O projeto de telefonia celular GSM é o único do mundo que é baseado no modelo das rádios comunitárias e administrado pela própria comunidade

Por Revolución Tres Punto Cero

O projeto foi financiado principalmente pela própria comunidade que fez doações através da plataforma Indiegogo (Foto: Revolución Tres Ponto Cero)

No México existem 101,7 milhões de usuários de telefone celular, o que representa um total de 86% da população. Porém, existem 50 mil comunidades indígenas sem acesso aos serviços de telefonia porque as empresas de telecomunicação consideram pouco rentável investir na infraestrutura para oferecer esse tipo de serviço.

Na região de Sierra Negra de Oaxaca, “as pessoas tem que caminhar ou sair de ônibus, ou caminhonete, para os povoados mais próximos onde existam telefones para chamar suas famílias”, explica Melquiades Rosas Blanco, de origem Mazateca, que hoje é um dos beneficiados pelo projeto de telefonia celular GSM, o único do mundo que é baseado no modelo das rádios comunitárias e administrado pela própria comunidade.

Este projeto foi viabilizado graças ao grupo Rhizomantica, encabeçado por Peter Bloom, que promove a aplicação de novas tecnologias baseadas em hardware e software livres, que tornam possível o acesso às telecomunicações para as comunidades e que atualmente já operam em Villa Talea de Castro no fornecimento de “liberdade de comunicação” para centenas de pessoas.

A Rhizomantica visitou e apresentou o projeto para as assembleias comunitárias nas zonas rurais do estado de Oaxaca. O projeto foi financiado principalmente pela própria comunidade que fez doações através da plataforma Indiegogo. Esse modelo está previsto para ser replicado em outras comunidades sem acesso a serviços de telecomunicações, não só em Oaxaca, mas em outros estados da República Mexicana.

Peter Bloom afirma que o projeto enfrenta grandes desafios. O primeiro é no terreno da legalidade, já que a Comissão Federal de Telecomunicações (Cofetel) só autorizou dois anos de permissão, pois a lei estipula que, para operar a rede, deve-se estar presente no mínimo em quatro estados. Em segundo lugar, em termos de tecnologia, a infraestrutura deve ser otimizada para que seja menos custosa.  Bloom afirma que as empresas operadoras do serviço, que anteriormente haviam declarado que essas comunidades não eram um “mercado potencial”, estão se aproximando das zonas rurais e tentando se aproveitar da rede telefônica comunitária para instalar telefones residenciais. Segundo ele, as empresas tentaram entrar à medida em que mais comunidades replicaram o sistema. “Ninguém se opôs a princípio, mas logo viram como uma ameaça aos seus interesses. Isso pode acontecer a qualquer momento”, afirma Peter Bloom. 



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