“No Capão Redondo, ninguém sonha em ser médico”

Para estudante brasileira de medicina em Cuba, médicos temem mudança de pensamento da população em relação à sua saúde

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Para estudante brasileira de medicina em Cuba, médicos temem mudança de pensamento da população em relação à sua saúde

Da Redação

Cintia Santos Cunha é estudante da Universidad de Ciencias Médicas de la Habana (Cuba). Neste vídeo, ela que nasceu na periferia de São Paulo e conseguiu uma vaga por meio da UneAfro Brasil (União de Núcleos de Educação Popular para Negras/os e Classe Trabalhadora), fala sobre as diferenças entre a medicina cubana e a brasileira. A diferença entre os dois países começa na hora de sonhar. Aqui no Brasil, medicina é um curso caro e as vagas nas faculdades públicas acabam ficando para quem estudou nos melhores colégios e cursinhos. “Medicina é um curso impensável para as pessoas de onde eu venho e como eu sou, negra, mulher e pobre”, afirma. Veja abaixo o depoimento gravado em meio à polêmica vinda dos médicos cubanos ao Brasil pelo programa Mais Médicos.



No artigo

38 comments

  1. José Ferreira Responder

    O pensamento da entidade de medicina destila mediocridade, hipocrisia, xenofobia e racismo.

  2. Mota Neto Responder

    O medo deles é exatamente isso,que a medicina preventiva acabe com a galinha dos ovos de ouro deles,chamado plano de saúde.Que o programa dê certo, e acabe com a demanda por plano de saúde à preço popular,que funciona em esquema com clínicas também populares.

  3. Alexandre Soares Responder

    Ta certinha

  4. Tuco Cotrim Responder

    Parabéns Cintia, exemplo.

  5. Marilia Responder

    QUe lindo o vídeo! Parabéns a ela pela mensagem! Vou usar nas minhas aulas :)

  6. Socorro Vieira Responder

    Maravilhosa! Tranquila! Fala com docilidade, com humildade e com verdade. Muito forte o seu depoimento. Adorei!

  7. viviane werutsky Responder

    Emoção e orgulho desta jovem!!Precisamos de muitos sonhos como este no nosso pais!!!

  8. Florizeu Campos Responder

    Mulher, negra e pobre materialmente, mas muito rica e poderosa de alma e coração. Figura linda e doce, forte e terna como propunha Chê! Cinta conclui logo o teu curso, teu povo está ansioso para te ver clinicando, cuidando-lhes com essa delicadeza e carinho que exalas! O nosso SUS aprenderá muito com tua experiência acadêmica nessa ilha maravilhosa, que ostenta os melhores indicadores de saúde do planeta. Viva a saúde pública! Viva o SUS! Viva Cuba! Vivam os ideais de Tchê Guevara!

  9. Lourdes Grigolon Responder

    EXCELENTE!!!!!!
    PARABÉNS!!!!

  10. Saulo Meira Responder

    Incrível o nível e a qualidade do raciocínio. VocÊ representa o pensar dos trabalhadores que lutam pela saúde pública do Brasil. Continue!

  11. MARCELO DIAS Responder

    EXTRAORDINÁRIA…QUE HONRA CAPÃO REDONDO.
    .

  12. Zodja Podóloga Responder

    Mega entrevista

  13. Flavio Santana Locutor Responder

    Linda!

  14. Flavio Santana Locutor Responder

    Lição de vida! sem comentários!

  15. Alex.fsi Responder

    Bom, achei o vídeo um pouco tendencioso….. E isto é deveras preocupante num momento em que o governo procura aprovação para suas ações, visto que estamos tão próximos de novas eleições.

    Primeiramente, é correto e necessário o fato de que os médicos aprendam a trabalhar em situações extremas, como em situações de guerra, onde os recursos sejam limitados ou até inexistentes. Porém, uma situação desta não deve ser a comum, principalmente quando a responsabilidade está sob o governo, e não se pode exigir de um profissional que escolheu tal área como vocação e carreira que se exponha a uma situação de stress extremo diariamente (isso já desconsiderando que a profissão de médico já é estressante por si só)! Se dispor a algo assim seria abnegar-se de si mesmo e não podemos exigir isto de profissão alguma, pois todos escolhemos nossas carreiras também pelo fato de desejar encontrar a felicidade no trabalho. Exigir que trabalhem sobre a possibilidade da vida e da morte em situações que, na realidade, não deveriam existir é desumano! Não há psicológico que suporte.

    E me parece muito estranho que um médico defenda a situação em que se é normal fazer o diagnóstico de seus pacientes somente com toques e “ouvindo-o”, mediante INÚMERAS possibilidades de diagnósticos incorretos, muitas vezes, fatais. Se estivéssemos hoje numa guerra civil ou com inimigos externos, poderíamos aceitar isto com certa passividade, mas estamos no país do carnaval, dos feriados, das festas e etc e, excetuando-se a guerra diária contra a violência urbana, a única guerra e massacre que visualizo no Brasil atualmente é o realizado pela corrupção!

    Ela parece se contradizer: “os médicos não vão às regiões mais distantes afim de controlar os salários da categoria”, mas estes mesmos locais oferecem salários exorbitantes… Espere um pouco! Com tantos médicos se formando, não seria realmente interessante passar por estes locais, mesmo que por um período definido de tempo? Não! Esta situação é “adequada demais” aos argumentos dela – e, temo em me lembrar, do governo! É ilógico não imaginar que existam motivos para que tais vagas não sejam preenchidas além de garantir um controle cambial do salário dos profissionais da saúde, pois se as questões são realmente estas, o médico concursado locado em hospitais municipais teriam condições de aumentar em “X vezes” o seu próprio salário (difícil de resistir, não?). Podem me chamar de desconfiado, mas deve haver, além de alguns outros, motivos como inadimplência de prefeituras e/ou estruturas inadmissíveis nestes locais (como já foi massivamente denunciado por bons médicos).

    Apesar de não concordar com todos os argumentos da Cíntia, não podemos deixar de concordar que falta algo nos médicos e na saúde brasileira. Mas uma questão não torna verídica nem desmente a outra, diferente do que o vídeo parece propor para se tornar mais verossímil. Infelizmente, é um recurso se misturar mentiras à verdades afim de convencer um interlocutor desprevenido.

  16. Susuka Costa Linda Poderosa Responder

    Eu sempre esperei por este Momento viu agora eles que corram atraz
    de atender os pacientes bem se não os médicos estão lascados Parabéns
    Jovem vamos Brasil Médicos com este Pensamento seu e da forma que vc
    falou é o que o Brasil precisa .

  17. Susuka Costa Linda Poderosa Responder

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    Eu sempre esperei por este Momento viu agora eles que corram atraz
    de atender os pacientes bem se não os médicos estão lascados Parabéns
    Jovem vamos Brasil Médicos com este Pensamento seu e da forma que vc
    falou é o que o Brasil precisa .

  18. Fátima Lopes Costa Lopes Responder

    Parabéns, Cíntia! Concordo e apoio a sua manifestação. Sou veterana do Educafro, moradora do Jd. Angela, Assistente Social e acredito, que essa visão de mundo que você tão bem manifesta está associada também com a participação e ação de cidadania tão presente no curso Uneafro.

  19. Patricia De Oliveira Furukawa Responder

    O governo está conseguindo exatamente o que queria. Desviar a sua responsabilidade quanto ao caos da saúde publica para EXCLUSIVAMENTE nos profissionais. Vou lembra-los que temos muitos e muitos casos de médicos em nosso pais que se formaram as custas de muito sacrifício tanto por parte deles próprios quanto dos pais, que abdicaram e se abdicam finais de semana, feriado, ferias com a família pra salvar vidas em locais onde nao há o mínimo necessário. Nao sou medica, mas o que vcs estão fazendo é um total desrespeito para com esses profissionais. Elogiar políticos corruptos com medidas puramente eleitoreiras e humilhar cidadãos brasileiros.

  20. Rosa Maria Bartalini Responder

    Maravilhoso depoimento! Inteligente, bonita, sensível e vitoriosa! PARABÉNS!

  21. Ivandro Paula Rafael Responder

    Muito boa a fala da Cintia, de maneira muito simples ela colocou a essência da questão. Parabéns!

  22. Naná Ribeiro Responder

    TOTALMENTE DE ACORDO! SEJAM BEM-VINDOS O MÉDICOS CUBANOS, E QUEM TEVE ESSA CHANCE, ISTO É, DE ESTUDAR MEDICINA LÁ.PRECISAMOS DESSA MEDICINA.

  23. Damaris Gomes Maranhão Responder

    Quando fui fazer vestibular em 1975, eu nem pensei na medicina porque eu nem poderia imaginar um curso longo, de período integral, sem trabalhar durante seis anos, sem falar na disputa no vestibular. Afinal eu nasci e cresci em São Miguel Paulista, semelhante ao bairro que ela se refere. Enfermagem era possível, embora em período integral, compatibilizar com meu emprego de técnica em radiologia no Hospital do Servidor, eu podia trabalhar 12 hs no domingo e 12 horas a noite para ficar com a semana livre. Hoje eu sou professora de enfermagem e ao mesmo tempo mãe de um estudante de medicina, que está na UNIFESPl porque estudou muutooooo e eu trabalhei muitooooo como enfermeira para pagar seus estudos na escola privada, e em três anos e meio em um cursinho caro. Hoje, com 60 anos, continuo sustentando-o para terminar o curso e entrar na residência, para a qual ele ainda tem que fazer um cursinho de sábado em período integral, a parte, também pago, para conseguir uma vaga na residencia. Mas não concordo com esta fala, em parte, porque não é tão simples, tão maquineísta, do ponto de vista dos médicos e enfermeiros que entram no sistema de saúde brasileiro. . Sei pelos meus alunos de enfermagem e pelos alunos de medicina que acompanho que a grande maioria entra na faculdade sonhando com uma medicina humanitária mas o sistema de saúde logo demonstrará sua perversidade, suas distorções, seu gerenciamento equivocado e corrupto. Somos um pais capitalista e cheio de contradições! Não podemos depositar na medicina todas as culpas de todos os brasileiros que contribuem com sua postura muitas vezes para manter uma atitude do jeitinho brasileiro, de uma ética de quem pode mais, vamos parar de hipocrisia. Eu também sonho com uma saúde humanitária, mas que começa pelas condições de existência, porque situação de guerra não pode ser a cotidiana da periferia!!!

    1. Elizangela Leite Responder

      são os costumes que coloca os erros!…. é o sistema igual na Enfermagem se vc tratar seus pacientes como pessoa humana fazer todas as técnicas correta….fica de fora….as pessoas te criticam…. são dois lados, dois pensamentos…. cada um com sua razão.

  24. Damaris Gomes Maranhão Responder

    Eu não posso concordar com esta fala, pelo menos em sua totalidade. Eu sou da periferia, nasci pobre, em São Miguel Paulista, semelhante ao bairro a que se refere. Não sou negra, mas mulher e pobre. Eu ouço todos os dias as crianças na periferia sonhando ser médicos, meus alunos de enfermagem da periferia da zona sul, alguns favelados, como eu, nem chegaram a pensar na possibilidade de ser medico, porque sabiam que o vestibular exigiria um conhecimento que eles não puderam construir, além dos seis longos anos em período integral, sem trabalhar, com alguém pagando suas refeições e condução e moradia. Por isto em 1975 nem cogitei medicina, mas tenho certeza que seria uma medica excelente e sensível, como tento ser como enfermeira e professora de enfermagem também na periferia. Convido-os para visitarem o posto de saúde onde acompanho estagio, a conversar com os médicos e enfermeiros e auxiliares de lá, para ver, que não estamos em guerra civil, mas numa eterna precariedade de condições de vida que a medicina e a enfermagem são produtos e não origem. Eu penso que estão equivocados ao polarizar a discussão desta forma, que deveria ocorrer em um debate real com a população e profissionais, sem intenções eleitorais, a partir de um fato: estamos em pais capitalista, onde a saúde é um produto e os profissionais vendem a sua força de trabalho, este é o fato. Trabalhei aos sábados e domingos, e continuo aos 60 anos trabalhando para educar meus filhos em bons colégios particulares para que um deles hoje pudesse estar na Unifesp, no sexto ano de medicina. Eu e ele, que estudamos e trabalhamos no SUS, atendendo pacientes na periferia sabemos como tantos outros profissionais que em todas as categorias, inclusive no ensino, no direito, na politica, existe um sistema que muitas vezes faz o sonho de quem entrou na faculdade querendo ser um bom medico e uma boa enfermeira, sensível, capaz e humano, tornar-se quase um pesadelo. Porque resolvemos, após os movimentos sociais, buscar bodes expiatórios para as mazelas de um pais onde educação e saúde nunca foi prioridade do poder publico e nem de seus cidadãos? Saúde não se faz apenas com medicina, mas sobretudo com condições de vida. e estas condições que são desumanas na periferia e que impede tanto o acesso dos meninos e meninas ao conhecimento que permita que realizem sonhos aqui, e não precisem ser exportados, como esta moça, como o exercício de uma medicina, de uma enfermagem dignas do desenvolvimento cientifico que a humanidade alcançou. As vezes na periferia, como me disse um medico do PSF outro dia, eu tenho que me recolher a minha insignificância e fazer apenas o que posso, as vezes quase nada, para aliviar o sofrimento humano. Embora eu concorde que a medicina é uma profissão que é exercida por uma parte da elite, é preciso reconhecer que o conhecimento exigido requer uma base que não se constrói na maioria dos casos , exceção as crianças, brancas ou negras, que puderam de alguma forma superar o analfabetismo funcional em português, matemática e ciências. É preciso abrir o debate além de bodes expiatórios, refletir com todos somo este nosso jeitinho brasileiro, que abre as possibilidades para a corrupção, para o não cumprimento das regras, para o desperdício de cérebros, sejam para formar médicos, engenheiros, políticos, gestores públicos, humanos, éticos, capazes.

  25. Pedro Teixeira Responder

    Me impressiono e sinto um grande desejo de sonhar e de realização. Excelente depoimento, que muitos possam ver e espelhar-se com esse depoimento.

  26. NILTON BR Responder

    Os médicos brasileiros precisam rever seus valores em um processo que deveria ser institucional além de pessoal, pois estão tratando com hipocrisia o Juramento de Hipócrates. Ganhar dinheiro não é errado em uma sociedade capitalista; errado é tomar atitudes que desrespeitam a Ética e ostentar preconceito racial em uma país multiétnico como o Brasil.

  27. NILTON BR Responder

    Os médicos brasileiros precisam rever seus valores. Ganhar dinheiro, em uma sociedade capitalista, não é errado; errado é tentar preservar uma reserva de mercado que priva populações do interior do Brasil de receberem assistência médica, por mais básica que seja. Atitudes que desrespeitam a Ética e manifestações de preconceito racial com os médicos cubanos são intoleráveis em uma sociedade multiétnica como a brasileira, mais injustificáveis ainda por partirem de profissionais que não querem abandonar o conforto dos seus consultórios, localizados nas grandes metrópoles, para clinicar em lugarejos onde há risco de contrair dengue, malária e hepatite. Vamos rememorar o Juramento de Hipócrates, senhores doutores !

  28. Cesar Tadeu Miranda Responder

    Vc não precisa se embrenhar pelo sertão nordestino ou do centro oeste, para ver que médico algum brasileiro quer ir para lá. Aqui em Pitangui, mesmo no Sudeste na zona central do Estado de Minas (o segundo mais rico do país) a carência de médicos é imensa. Quem diz isso é o provedor do único hospital da cidade. O anestesista de plantão costumeiramente foge de seu plantão para atender em seu consultório particular. Portanto, bem vindos aos médicos do mundo inteiro para nos ajudar a sair desse apagão de saúde que vive o país. Em 1990 BH tinha 2 faculdades de Medicina e éramos bem atendidos, hoje são 13 e a maioria dos formandos não servem nem para trabalhar como atendentes de farmácia, parece que fizeram graduação na FGV e residência na BOVESPA. Os CRM que são grandes mafias, não estão nem aí para nada, são órgãos tão inúteis como o nosso congresso nacional….

  29. IGOR BRANDAO Responder

    minha
    gente, não venho comentar pra desconsiderar as palavras dessa jovem estudante.
    Ela rompeu um ciclo quase intransponível, é de pessoas assim que o Brasil
    precisa. Sou médico e fiz minha formação em uma faculdade federal. Estudei 3
    anos até conseguir entrar. Tenho vários exemplos de pessoas na condição dela
    que conseguiram entrar na faculdade estudando pra passar no vestibular. Ela
    certamente deve ter seus exemplos. Falo isso não para desmerecê-la, o que
    importa é que ela estude muito porque terá nas nas mãos uma responsabilidade
    que poucas profissões tem.

    Ela
    fala da saúde no Brasil e só conhece a situação como paciente. A população
    tende a achar que a formação dos médicos no Brasil é voltada para os
    planos de saúde e para um mercado onde se estimula o uso de exames
    complementares. Isso não é verdade. Os sistemas público e privado desencorajam
    o uso de exames complexos, pois isso torna o a saúde mais cara. Na minha
    formação também aprendi o caráter complementar dos exames, isso não é
    exclusividade da medicina cubana. Toda medicina ensinada no Brasil, pelo menos
    nas faculdades publicas, é voltada para o sus e para que isso dê certo. A
    gente aprende a dinâmica do sus e entende sim a importância da medicina
    preventiva. Somos inseridos na atenção básica e na promoção da saúde desde o
    início da formação. A atenção básica é primodial no sus, no entanto a
    competência para gerir esses recursos fica na esfera municipal. Os recursos são
    na maioria das vezes desviados, seja
    pela própria corrupção, seja pela gestão
    que não prioriza a saúde. Nesses municípios isolados não existe atividade
    econômica para se sustentar, a verba repassada é consumida quase totalmente na
    folha de pagamento de comissionados na maioria das vezes inúteis.
    Resultado: falta dinheiro para tudo
    aquilo que fará a saúde da população melhorar (educação- saneamento básico-serviço
    de saúde). A meu ver, o impacto maior na
    expectativa de vida não vem da qualidade prestada no serviço de saúde, mas sim de como a pessoa se alimenta, das condições do
    local onde vive e trabalha e da educação que essa pessoa tem. Entender a doença
    faz parte do tratamento também.

    Dizer
    que o maior interesse das entidades médicas quando repudiam a entrada desses
    profissionais sem a devida revalidação é
    para regular os salários dos que aqui trabalham, ou evitar que sem instale uma
    medicina preventiva e eficaz é uma grande de uma BESTEIRA. Não há como ouvir
    isso e ficar calado. Não costumo a escrever mais de duas linhas para opinar em
    redes sociais, mas dessa vez deu vontade de escrever um tratado sobre o tema. O
    objetivo de todos os médicos que trabalham no SUS( favor não incluir os maus profissionais
    pulverizados em todas as áreas de
    conhecimento) é promover a saúde. O sistema único de saúde já tem suas
    diretrizes, que por sinal são muito bem escritas. O que falei não precisou sair
    de um discurso pseudo-altruista e demagógico. O raciocínio é vil e egoista: mais
    saúde, menos trabalho. Ganhar o mesmo e ter menos trabalho. Os problemas não
    resolvidos viram mais trabalho no futuro.

    O fato
    é que a medicina básica no SUS não está funcionando como deveria por falta de
    tudo isso que já falei. As doenças simples se agravam e sobrecarregam as
    unidades de atenção secundária e terciária (os hospitais com centro cirúrgico e
    especialidades). Há também os que vão direto para o hospital por uma questão
    cultural mesmo, por se sentir mais seguro numa estrutura tão emblemática. Existem
    ainda alguns municípios que preferem montar uma estrutura de transporte (comprar
    ambulância, contratar motorista) a montar um serviço de saúde. Sai mais barato jogar
    a batata quente na maior cidade mais próxima. Essa sobrecarga diminui o tempo e a qualidade das
    consultas e aumenta a demanda por exames.

    O que
    me parece é que a situação desta estudante criou uma mágoa da sociedade, e ela
    está assimilando um engodo maniqueísta, culpando uma uma suposta “ elite”
    médica pelos os problemas de saúde do Brasil. Está sendo um objeto de uma propaganda
    ordinária e superficial que o governo do Brasil e os simpatizantes do governo
    de Havana tem espalhado para desviar o debate sobre o que é a realidade e como
    fazer pra mudá-la. Utilizar apenas amor no coração e o altruísmo como ferramenta
    não é o suficiente para mudar essa situação de uma forma sustentável. O médico
    tem família, não pode investir sua vida num lugar que não lhe dá segurança, que
    será substituído quando não mais convier
    aos prefeitos e secretários (não demorou muito pra se ouvir as primeiras
    notícias de demissão de médicos brasileiro para
    inclusão de médicos cubanos). Seria difícil imaginar em planos de
    carreira para esses profissionais?

    Sou médico
    cirurgião, do ponto de vista de mercado isso em nada me afetará. As doenças que
    tratarei serão agudas e inexoráveis. Minha preocupação é de como a questão da saúde
    está sendo tratada. Pessoas sem conhecimento opinando de uma forma imatura,
    superficial e ganhando força à custa de um embate de classes já inapropriado, anacrônico
    e que nada agregará. Os brasileiros terão que se acostumar com filas ainda
    maiores nos hospitais, com cenas absurdas,
    gente morrendo antes de terem acesso ao que a medicina pode oferecer. Por mais frio que
    possa parecer, deve-se ver as mortes com o olhar estatístico para evitar mais
    mortes. O recurso empregado nessa empreitada tem que ser eficaz, a quantidade
    dos diagnósticos tem que ser igual a quantidade dos tratados. Saber o que
    paciente tem não significa dizer que seu problema será assimilado para o
    tratamento numa estrutura disponível. Isso quando doença se mostra clara na
    abordagem semiológica ( estudo dos sinais e sintomas). Caso contrário, a doença
    será para sempre uma hipótese esperando que um simples exame a revele.

    1. Falcon Responder

      Concordo com o Dr. Igor. Quem se deslumbrou com tanta bobagem que esta estudante falou deve estar a serviço do governo populista e socialista de nosso país. Não se pode generalizar, pois maus profissionais existem em todas as áreas. Sou do interior do país e conheci muitos médicos que deixaram as grandes cidades e lá se embrenharam, não visando grandes ganhos, mas para salvar vidas. Desde quando os médicos da rede pública são mercenários? Afinal, ganham um salário irrisório, comprando a sua importância com os salários dos deputados e senadores.

  30. Duxty Lykos Responder

    Digo e repito sempre a mesma coisa a uns dez anos. O problema do Brasil é cultural. O brasileiro tem a cultura do corporativismo onde a analogia é a seguinte : “Temos um bolo e quanto mais gente vier, menor será o pedaço” e qualquer ser mais inteligente sabe que é totalmente o contrario. Quanto mais gente, mais a maquina econômica cresce, menos desigualdade teremos e mais oportunidades se criam. E esse corporativismo chegou na medicina, onde médico se forma pra ganhar dinheiro e não salvar vidas. E essa cultura vai em tudo. Desde o cara que torce o nariz pra criação de corredores de ônibus que impossibilita dele de sair com seu carro pra se sentir importante até na corrupção onde muitos são contra políticos roubarem, mas no dia a dia adora dar o famoso “jeitinho” pra tudo.

  31. Moacir Responder

    O temor do CFM é que o programa Mais Médico contribua para a conscientização social de quanto nossa medicina está mercantilizada. Um modelo assistencialista que paga aos profissionais ou às instituições privadas contratadas por nº de atendimentos e por procedimentos interfere na formação profissional (mais especialistas e menos generalistas) e na utilização de recursos. Se não se investe mais na prevenção, mais doentes crônicos evoluem para complicações que vão requerer mais procedimentos caros ou mutilantes: mais amputações de diabéticos, mais hemodiálises, transplantes, pontes de safenas, colocação de stents etc. A preocupação com a formação técnica dos profissionais, por importante que seja, não deveria ser mais importante do que a preocupação com a substituição desse modelo por um contrato global com metas de desempenho, qualidade e prioridades. Aliás, esse era o objetivo da criação do SUS e da extinção do INAMPS. Interesses privados e poderosos interferiram e levaram à “inampsação” do SUS (na definição do Dr. Sergio Arouca). O modelo atual é irracional, portanto. Cria a própria demanda e não resolve o problema de saúde da população, tornando-se num sumidouro de recursos financeiros. Muito bom pra enriquecer donos de operadoras de planos de saúde (um se tornou multibilionário).

  32. Zodja Podóloga Responder

    Esclarecedora á mensagem

  33. Elizangela Leite Responder

    ADOREIIIIIIIIIIIIII…MUITO BOM DESTA FORMA VAMOS VER ESTES PROFISSIONAIS DE OUTRA FORMA.

  34. Marcio Alves Responder

    Eu ficaria tão feliz, se pudesse ou existisse a possibilidade de vários médicos brasileiros, e também outros profissionais da saúde, pudessem estudar a saúde pública em Cuba. Embora, eu saiba que não seria necessário, ir até Cuba para aprender a lidar com o paciente e seu sofrimento. Bastasse apenas atuar com humanidade, colocando-se no lugar dele. De fato vemos profissionais fazendo da saúde um comercio, onde o paciente é visto como um cliente. Infelizmente devo admitir, que às vezes, é melhor ser considerado como um cliente, do que ser considerado um nada, um SER inexistente, sem importância nas mãos de um profissional da saúde. Sei que precisamos ganhar dinheiro para manter nosso sustento, mas não com o sofrimento do outro, mas que possamos ter em mente que o nosso objetivo, seja unicamente, aliviar o sofrimento do paciente.

  35. Enilda Suzart Responder

    Conheço um médico na minha quebrada que atua com profissionalismo e respeito pela vida humana. Ele é formado em Cuba.

  36. Patricia Franciulli Responder

    Nossa ninguem sonha no capao redondo? que mentiroza. Com certeza a familia dessa senhora tem dinheiro pra mandar ela pra cuba… Maior hipocrita..


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