Defensor do ataque à Síria, Kerry jantou com Assad em Damasco em 2009

Na ocasião, o secretário de Estado dos EUA disse que o país árabe era fundamental para a paz no Oriente Médio

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Na ocasião, o secretário de Estado dos EUA disse que o país árabe era fundamental para a paz no Oriente Médio

Por Charles Nisz, no Opera Mundi 

Um dos principais personagens da tentativa do governo norte-americano de iniciar um ataque à Síria, o secretário de Estado, John Kerry, nem sempre manteve críticas tão contundentes ao presidente Bashar Al Assad. Há cerca de quatro anos, em 2009, Kerry e Assad dividiram um “aconchegante” jantar em Damasco, com as respectivas esposas.

Com a crise política entre os dois países, começaram a surgir imagens na internet desse encontro. Segundo jornais europeus, como o inglês Telegraph e o italiano Corriere Della Sera, as fotos foram capturadas em fevereiro de 2009. Na época, Kerry, senador democrata pelo estado de Massachusetts, era presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado dos EUA.

Kerry também defendeu abertura de embaixada dos EUA em Damasco (Foto: Reprodução)

Em discurso na última sexta-feira (30), Kerry chamou Assad de “bandido” e o comparou a Adolf Hitler e Saddam Hussein por conta do uso de armas químicas contra os opositores. Mas no início de 2009, as palavras de Kerry sobre Assad eram mais afáveis: “A Síria é um componente essencial na busca pela paz e a estabilidade do Oriente Médio”, disse o então senador em uma entrevista coletiva em Damasco, capital síria.

Kerry encontrou Assad pelo menos seis vezes, segundo informa o Telegraph. Numa dessas ocasiões, conforme mostram as fotos, os casais Kerry e Assad jantam no restaurante Naranj, no centro de Damasco, localizado na Via Recta, uma das principais avenidas da capital síria. Pavimentada com mármore, a via foi construída pelos romanos e é mencionada na Bíblia.

O atual secretário de Estado norte-americano foi um dos principais apoiadores da decisão do governo Obama em enviar um embaixador a Damasco em janeiro de 2011, após cinco anos de rompimento. A ideia era integrar a Síria no processo de paz do Oriente Médio. Segundo a diplomacia dos EUA, o envio de um embaixador ajudaria a mudar a posição da Síria em relação ao Líbano, Iraque e Israel.

Durante um pronunciamento no Fundo Carneggie para a Paz Mundial, em março de 2011, Kerry discursou sobre a política externa norte-americana em face do chamado “despertar árabe” e as revoltas de Líbia, Egito, Tunísia, Bahrein, Irã, Iraque, Marrocos. Omã e Líbano. No entanto, Kerry não mencionou a Síria em sua fala.

Quando perguntado sobre o governo Assad, após sua palestra, ele respondeu: “Acredito na melhoria das relações com a Síria”. Na época, Assad teria concordado com a construção de uma embaixada e um centro cultural norte-americano em Damasco. Outro pedido norte-americano foi a não-interferência da Síria nas eleições libanesas e o estabelecimento de contato da Síria com o Iraque e o Bahrein.

Apenas dois anos depois do jantar, o cenário mudou drasticamente. Na segunda-feira (2), Kerry pediu apoio do Senado para permitir o uso da força pelo presidente Barack Obama. Segundo Kerry, a Síria chegou ao estágio “Munique”. O secretário fez referência ao acordo de Munique em 1938, considerado um apaziguamento de Grã-Bretanha e França ao avanço nazista sobre a Tchecoslováquia antes da II Guerra Mundial.



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