Mães de adolescentes denunciam espancamentos na Fundação Casa

Representante da Pastoral do Menor afirma que na instituição "os menores perdem sua identidade e voltam para a sociedade mais violentos”

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Representante da Pastoral do Menor afirma que na instituição “os menores perdem sua identidade e voltam para a sociedade mais violentos”

Por Redação

Audiência pública foi realizada na Comissão de Direitos Humanos da Câmara Municipal de São Paulo (Foto: Assessoria de Imprensa da Vereadora Juliana Cardoso)

Em audiência pública da Comissão de Direitos Humanos da Câmara Municipal, ocorrida no auditório Prestes Maia e realizada na última quinta-feira (12), mães de adolescentes denunciaram que os filhos sofrem espancamentos dentro das unidades da Fundação Casa. Em agosto passado, a reportagem do Fantástico, da Rede Globo, flagrou funcionários da unidade da Vila Maria, da Fundação Casa, agredindo fisicamente internos.

Sueli Camargo, representante da Pastoral do Menor da Arquidiocese de São Paulo levou uma pasta com mais de 50 denúncias de violência contra os internos, todas protocoladas no Ministério Público. “Os funcionários envolvidos em maus tratos deveriam responder a processos civil e criminalmente, mas não é o que acontece.”

Em tom de ironia, Sueli afirmou que “já pensou em protocolar as denúncias na TV Globo”, por conta da repercussão alcançada com a reportagem feito do flagrante na unidade da Vila Maria. Para a representante da Pastoral, “Mães não geram bandidos, eles são resultados da sociedade. Na Fundação Casa, os menores perdem sua identidade e voltam para a sociedade mais violentos.”

Presente na audiência, o vice-presidente da Fundação Casa, Antônio Cláudio Pitério afirmou que todos os casos devem ser “analisados” e pediu que não se descarte o trabalho realizado na instituição pela atual gestão. “Por problemas pontuais não podemos, porém, jogar fora todos  avanços que transformou o modelo da antiga Febem na Fundação Casa.” Ele  informou também o destino dos cinco funcionários envolvidos no caso da Vila Maria. “Os dois agressores obtiveram licença médica pelo INSS. Já os outros três que também foram denunciados estão trabalhando em funções administrativas.”

A vereadora Juliana Cardoso (PT), presidenta da Comissão, e demais vereadores aprovaram requerimento para convidar as Secretarias Municipais de Assistência Social e da Saúde, além de secretarias do governo do Estado para nova audiência sobre  a questão.

A audiência ainda contou com a participação de Ariel Castro Alves, do Movimento pelos Direitos Humanos, Júlio Silva Alves, do Sindicato dos Funcionários da Fundação Casa e de Valdison Pereira, representando os Conselhos Tutelares, além de mães de internos da instituição.



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