Drogas: “Fizemos a guerra contra o inimigo errado”

O psiquiatra Dartiu Xavier da Silveira, professor da Unifesp e diretor do Proad, afirma que a política de drogas deveria combater as razões que levam à dependência química e não as drogas em si

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O psiquiatra Dartiu Xavier da Silveira, professor da Unifesp e diretor do Proad, afirma que a política de drogas deveria combater as razões que levam  à dependência química e não as drogas em si 

Por Felipe Rousselet 

A edição 126 da revista Fórum, que já está nas bancas e nas lojas da Livraria Cultura, traz um dossiê sobre a política de drogas no Brasil. Uma das matérias, intitulada “Internação é solução?”, aborda os métodos de tratamento disponíveis na rede pública de saúde no país e as formas mais eficientes para se lidar com a questão da dependência química.

Uma das fontes entrevistadas foi o psiquiatra Dartiu Xavier da Silveira, professor da Escola Paulista de Medicina da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo) e diretor do Proad (Programa de Orientação e Assistência a Dependentes), onde trabalha há 24 anos.

Para Silveira, o tratamento ambulatorial é mais barato e eficiente que qualquer internação, seja ela voluntária, involuntária ou compulsória. Segundo ele, o modelo focado em internações é artificial, uma vez que “é muito fácil ficar longe de uma droga quando você está internado” e a maioria dos dependentes recai quando voltam para sua rotina normal.

O psiquiatra também falou sobre ações de descriminalização das drogas e afirmou que elas são positivas e não causam um aumento do número de usuários nem inchaço do sistema de saúde pública.

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Leia a íntegra da entrevista com o Dr.Dartiu Xavier da Silveira:  

Fórum – Qual a estrutura disponível hoje para o tratamento da dependência química na rede pública de saúde no Brasil? 

Dartiu Xavier da Silveira – A estrutura para tratamento de dependentes químicos disponível no Brasil é o Caps AD (Centro de Atenção Psicossocial Álcool e Drogas). O problema não é que o modelo Caps seja ruim. Ele é muito bom. O problema é que não tem número suficiente para as pessoas e, segundo, nem todos os Caps AD estão devidamente capacitados. Existem equipes que não são muito bem formadas, então, o que está faltando é aumentar o número e capacitar melhor os que já existem.

Fórum – Em relação aos repasses de recursos públicos para as chamadas comunidades terapêuticas nos últimos anos, qual a opinião do senhor quanto à atuação destas entidades e também quanto aos convênios com o poder público?

Dartiu – conheço algumas comunidades terapêuticas que são grupos muito sérios, formados por gente preparada e que conhece o problema. Mas isso é a exceção da exceção, a raridade. A maioria não está nem perto disso. Muitas vezes não conhecem o básico partem apenas do princípio de boa fé, das boas intenções, achando que isso vai resolver um problema complexo, como é a dependência de álcool e drogas.

O que acontece é que, recentemente, houve uma séria de investigações, sobretudo de conselhos regionais de psicologia, que identificaram que diversas comunidades terapêuticas trabalham como um sistema carcerário, onde as pessoas são submetidas a humilhações e torturas. Isso desmoralizou ainda mais as comunidades terapêuticas.

Não tenho nada contra grupos terapêuticos leigos fazerem propostas de reinserção social, mas eles não podem vender um pacote de tratamento de dependência, que não é o que eles fazem. E muito menos receber verba pública para isso.

Fórum – O que o senhor acha das políticas de internações involuntárias e compulsórias?

Dartiu – A primeira coisa é que a maioria das pessoas, da população em geral, acredita falsamente que o melhor método de tratar a dependência química é a internação. Isso não é verdade. A eficácia das internações é menor que a do tratamento ambulatorial.

Já partimos deste pressuposto de que não é o melhor tratamento. Além de ser muito mais caro, se você pensar em dinheiro público, fazer a internação de uma pessoa do que prover um tratamento ambulatorial. Já não se justifica a prática como política pública, uma vez que é muito mais cara e menos eficaz.

Agora, quando vamos para a questão da internação involuntária ou compulsória, na psiquiatria estão muito bem caracterizadas as situações em que se pode fazer a internação involuntária. São situações em que a pessoa perdeu totalmente a noção de realidade, o que chamamos de psicose. A imensa maioria dos dependentes químicos não é psicótica. Então, não se aplica a necessidade da internação compulsória, ou involuntária, para a grande maioria das pessoas.

Outra coisa, supervisiono um serviço de Caps AD na Cracolândia. Quando existe um paciente que precisa de uma internação, mesmo voluntária, a gente não consegue vaga. Então, é um contrassenso as pessoas ficarem advogando uma internação compulsória, ou involuntária, quando não existem nem vagas para pessoas com necessidade constatada por uma junta médica. É muito mais um jogo político e midiático o que algumas pessoas fazem com a internação compulsória do que um problema.

Fórum – Esses limites que determinam se uma pessoa deve ser internada de forma compulsória, ou involuntária, estão sendo respeitados? Especialmente em São Paulo e Rio de Janeiro, que adotaram a prática como política pública no enfrentamento da dependência química?

Dartiu – Não. Não estão sendo respeitados. A gente vê que na rede pública existe esse problema de conseguir vagas. Mas, na rede privada, nós vemos internações involuntárias a rodo. O resultado disso é que a grande maioria recai um mês depois de sair da internação. É um tratamento caríssimo e que tem o interesse financeiro dos hospitais psiquiátricos e da classe médica ao defenderem um modelo caro e pouco eficaz.

Questiono sempre a ética desses grupos. Tenho três pacientes meus que sofreram internação involuntária de outros médicos, antes de serem atendidos por mim, e que hoje em dia estão com advogados movendo ações contra as clínicas por cárcere privado. Eles ficaram internados contra a vontade, mais de 10 meses, sofrendo uma série de humilhações e abusos, alguns deles até agressões físicas.

Fórum – Qual a razão desta ineficiência da internação?

Dartiu – Existem dois grandes motivos que podemos destacar. O primeiro é que grande parte dessas internações é feita com usuários de drogas, e não com dependentes. Na verdade, seria a mesma coisa se você pegasse uma pessoa que usa álcool, interná-la contra a sua vontade e depois querer que ele não volte a usar álcool. É claro que vai voltar, ele não era dependente, era apenas um usuário. Ele gosta de álcool.

A nossa sociedade vê de uma maneira muito preconceituosa as drogas ilícitas e as lícitas são vistas de uma forma excessivamente tolerante. Na minha visão, grande parte das pessoas internadas contra a vontade não são nem dependentes.

O outro problema é que, mesmo quando são dependentes, é muito fácil ficar longe de uma droga quando você está internado. Uma situação ideal, protegida. O difícil é não usar a droga quando você está enfrentando seus problemas, o chefe que te enche a paciência, a mulher que te deixa nervoso, o filho que te dá problema. Na hora de voltar para os problemas do dia a dia é que pessoas recaem. Então, é por isso que se preconiza que o processo de deixar a droga deve ser feito com o indivíduo levando sua vida normalmente. É muito artificial o modelo de internações.

Fórum – Qual a opinião do senhor sobre o uso de medicamentos no tratamento da dependência química?

Dartiu – É muito importante o uso de medicamentos. O posicionamento contra a medicação é uma coisa muito de antigamente e é baseado em preconceitos.

A grande justificativa é que a pessoa trocaria uma droga por outra droga, nesse caso, uma droga farmacêutica. Mas isso não acontece na prática. As pessoas não ficam dependentes destes remédios que, na verdade, ajudam muito no processo de saída da dependência.

Considero que a maneira ideal de tirar alguém da dependência é associar medicação com uma psicoterapia. Somente com a psicoterapia fica muito difícil.

Fórum – A fiscalização das comunidades terapêuticas por parte do poder público, em especial o Ministério da Saúde, é suficiente para garantir a qualidade no atendimento ao dependente químico?

Dartiu – Não, acho que não. Acho que nem existe a possibilidade de fazer este tipo de controle na medida em que elas não aplicam o modelo que o próprio Ministério da Saúde preconiza.

Se o modelo do Ministério é baseado em equipes multidisciplinares de atendimento integral a saúde, que é o modelo dos Caps AD, as comunidades terapêuticas oferecem coisas absolutamente alternativas. Uma ou outra se aproxima do modelo preconizado pelo Ministério, mas são exceções.

Fórum – Como o senhor avalia as políticas de redução de danos no tratamento da dependência química?

Dartiu – A política de redução de danos é algo que as pessoas tiveram muito medo quando ela começou a ser implantada na década de 80. Foi a época da epidemia de Adis e tinham muitos usuários de drogas contaminados e contaminando outras pessoas.

Aí surgiram aqueles programa de troca de seringas. Participei de um destes programas e muita gente dizia que a gente era maluco porque iríamos incentivar o uso de drogas. Mas  não é porque uma pessoa tem uma seringa que ela vai se injetar. E depois tiveram vários estudos em todo o mundo provando que as políticas de redução de danos não estimulam o uso de drogas. Ela apenas protege o usuário de danos decorrentes do uso. Não é uma postura de incentivo ao uso, pelo contrário, é de proteção à saúde de quem não consegue parar de usar. Eu, por exemplo, uso no meu cotidiano estas estratégias de redução de danos.

O mundo inteiro está se apropriando dessas estratégias. Só os países mais fundamentalistas, mais radicais, como a China e países islâmicos, que possuem uma postura muito moralista em relação às drogas, não utilizam.

Fórum – Em que ponto o Brasil se encontra em relação a políticas de redução de danos? Precisamos avançar?

Dartiu – Embora o Ministério da Saúde se declare oficialmente a favor das políticas de redução de danos, a gente não vê elas acontecendo na prática. Elas aconteciam muito mais na década de 90.

Atualmente, embora seja o mote oficial dizer que vão favorecer as políticas de redução de danos, o que prevalece é o modelo proibicionista, que já comprovadamente é ineficaz. O discurso é um e a prática é outra.

Fórum – O senhor acha que o modelo de combate às drogas, de encarceramento de usuários confundidos com traficantes, aumenta o preconceito sobre as políticas de redução de danos?

Dartiu – Colabora muito. Vejo isso no meu trabalho na Cracolândia. Quando teve aquelas ações desastrosas da prefeitura, isso desestabilizou muito o trabalho que vinha sendo desenvolvido há anos. Houve um prejuízo muito grande. A gente sabe que essas medidas repressivas pioram muito a situação.

O maior país defensor, que implantou e serviu como modelo dessa guerra às drogas, foi os EUA. Hoje, eles já estão questionando todo o modelo. Tem dois estados americanos onde foi liberado o consumo recreacional da maconha. Em 19 estados, o uso medicinal. Eles estão muito mais próximos das políticas de redução de danos do que nós. e já constataram que nós perdemos a guerra às drogas, que o enfoque não é mais esse.

Fizemos a guerra contra o inimigo errado. A guerra não era para ser feita contra as drogas, e sim contra o que leva o indivíduo a se tornar dependente. Essa é a guerra.

Fórum – O senhor pode citar algum exemplo de país que mudou essa lógica proibicionista e teve bons resultados? 

Dartiu – Tem vários países que fizeram isso em experiências isoladas, mas nós temos o exemplo recente da política portuguesa. Há dez anos, ela se modificou totalmente e descriminalizou o uso de drogas. Não aumentou o número de usuários, diminuiu, permitiu o acesso deles aos serviços de saúde, facilitou o tratamento e diminuiu as doenças relacionadas. Só teve benefícios. Não conseguem listar um dano causado por esta mudança de política.

Fórum – O que o senhor, como profissional da saúde pública, acha de iniciativas que caminhem na direção da descriminalização ou legalização das drogas?

Dartiu – Olha, vejo que a descriminalização é um grande progresso. O que a gente não sabe ainda, por que nunca foi feito, é a legalização. Que é a proposta do Uruguai. Como a gente não tem nenhum modelo anterior, não sabemos o que vai acontecer.

Embora, nós tenhamos alguns indícios como, por exemplo, o que aconteceu com a Lei Seca nos EUA. Quando o álcool foi proibido pela Lei Seca americana, no começo do século XX, foi um desastre. Ela foi revogada 14 anos depois porque causou muito mais danos que benefícios. Acharam que a lei ia resolver o problema do alcoolismo. Não resolveu, as pessoas em vez de comprar a bebida no bar da esquina, iam ao alambique clandestino, o “traficante”.

Agora, todas as medidas que visem a descriminalização do uso são parte de uma tendência mundial. Diversos países europeus já fazem isso. O indivíduo não é mais criminalizado pelo uso. Isso já se faz há 20 anos nos países mais civilizados do mundo.

Fórum – O que o senhor acha do argumento de pessoas contrárias a descriminalização das drogas de que a medida poderia aumentar o número de dependentes químicos e “inchar” o sistema público de saúde?

Dartiu – Acho que não tem fundamento nenhum. Não vai aumentar o número de dependentes químicos. A única coisa é que você vai deixar de perseguir quem é usuário. Agora, quem é usuário e não se tornou dependente, esse indivíduo não precisa do sistema público.

(Foto de capa: Agência Brasil)



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11 comments

  1. Luciana de Menezes Silva Responder

    Concordo, com as alegações dele, precisamos parar de ficar dando murro em ponta de faca, já sabemos o que não está dando certo, e continuamos com politicas publicas que contribuem para esse desastre.

  2. Sim Senhor Responder

    Infelizmente as coisas não são tão fáceis e matemáticas. Há graves problemas atrás disto. Famílias completamente sem valores, quando não há famílias inteiras envolvidas no tráfico. Diante disso como fazer com o adolescente que está diante desta situação. “Alegar opção de vida é simplesmente condenar a vida do adolescente a não ter outra forma de passar pela vida”

  3. Odila Maria Braga Responder

    Nada como a verdade e a lucidez, principalmente para lidar com a coisa publica. e Dartiu, nesta matéria, representa a fala da experiência, da ciência, a fala que não se produz pelo emocional ou o moral, mas pelo racional, como devem ser todas as politicas publicas.

  4. Mariniel Souza Galvao Junior Responder

    Não se discutiu os “feudos” criados pelo alto escalão das polícias militares que não querem ver seus fartos recursos serem levados embora. O que existe hoje é um modelo de militarização da sociedade muito confortável a diversas facções políticas e militares (polícia). Isso não se muda porque já não tem nada a ver com a “eficácia” de políticas públicas.

  5. clovis Responder

    o caps ad nao tem o minimo de experiencia em dq e uma vergonha!!!!!!!!!!!!!!!

  6. Luis Magri Responder

    Esta na hora dos conservadores perceberem que combater a droga com a policia e o mesmo que tentar enxugar o oceano com uma toalha. Os EUA tem 2500 KM de fronteira( com vigilancia hi tec 24h) com o Mexico e nao consegue evitar a entrada das drogas .O Brasil com 16000 km acha que vai conseguir ? parece piada .O uruguai esta no caminho certo.

  7. Annibal Botto Responder

    Muito bom. Pena que o entrevistador não quis (ou não percebeu a importância) perguntá-lo QUAIS AS RAZÕES PELAS QUAIS UMA PESSOA PROCURA AS DROGAS. O repórter perdeu ótima chance de explorar a resposta do Dr. Dartiu quando declarou “Fizemos a guerra contra o inimigo errado. A guerra não era para ser feita contra as drogas, e sim contra o que leva o indivíduo a se tornar dependente. Essa é a guerra.”. Minha impressão é que o repórter NÃO PERCEBEU a oportunidade de superar a dicotomia entre “proibir” e “legalizar”…

  8. Stenio Gameleira Responder

    DROGAS, TRÁFICO E JUSTIÇA NO BRASIL

    A questão das drogas ilegais no Brasil tem sido alvo de constantes e acirrados debates e milionária tem sido a campanha de combate ao tráfico e comercialização destes produtos.
    É interessante afirmar que o Brasil teve um aumento considerável na população formada por consumidores de diversos tipos de drogas ilegais, entretanto é bom salientar que extremamente maior é a proporção no aumento de consumidores das chamadas drogas legais.
    Se fizermos um estudo mais aprofundado, descobriremos que no Brasil a quantidade de dependentes químicos e usuários de drogas legalizadas são pelo menos algumas dezenas de vezes maior que a de dependentes químicos e usuários de drogas ilegais.
    Sim, é verdade, pois as chamadas drogas legalizadas vendidas em estabelecimentos farmacêuticos têm efeitos devastadores na saúde da população, tal qual às demais.
    Existem países no 1º Mundo que há muito tempo deixaram de proibir o uso de drogas pela população, partindo da premissa da liberdade individual para cada cidadão. O usuário pode adquirir estes produtos em qualquer estabelecimento farmacêutico sem grandes restrições.
    É bom salientar também que estes mesmos países combatem o comércio ilegal de tais produtos, punindo severamente os infratores.
    Incrível, mas é a pura verdade. A questão do tráfico daquilo que chamamos de drogas ilegais é algo que deve ser amplamente discutido, pois muitas vidas foram ceifadas por conta deste delito.
    O tráfico de drogas ilegais tem movimentado grandes fortunas e alimentado um comércio paralelo que tem deixado muita gente financeiramente estabilizada.
    Desde os primórdios que o consumo de drogas ilegais é muito comum entre as classes sociais de nível A e B. O que ocorreu atualmente foi a popularização destes produtos que os tornou mais baratos e acessíveis para as classes C e D.
    É impossível acreditar que o mercado milionário formado pela comercialização de drogas ilegais esteja sob o controle de indivíduos de pouca formação social, educacional e até mesmo econômica.
    Um bom observador social, perceberia logo ao chegar em alguns pontos de produção, distribuição e comercialização de tais produtos que há um grande equívoco entre o que se diz e o que se vê.
    É preciso observar, analisar e tirar conclusões com grande cautela, pois um mercado com grande potencial econômico, jamais estaria sob o controle de delinqüentes, cuja formação os impediria de estabelecer relações comerciais que atravessam fronteiras municipais, estaduais e até mesmo internacionais.
    O primeiro passo para combater o tráfico das drogas ilegais, consistiria em retirar todas as forças policiais das regiões supostamente óbvias para este tipo de comercialização e usá-las para desenvolver um trabalho de inteligência policial sério e competente com o intuito de traçar o perfil real de todo o mecanismo que envolve este tipo de transação.
    É preciso observar este fenômeno de forma científica, para então traçar uma política séria e eficaz de saneamento da questão.
    Somente assim, teremos grandes transformações na política de combate ao tráfico e consumo de drogas ilegais no Brasil.
    Ou então levar adiante a campanha de liberação do consumo de drogas atualmente ilegais no Brasil, para alegria e satisfação dos dependentes químicos e obviamente daqueles indivíduos que controlam o comércio destes produtos, confortavelmente protegidos e muito bem guardados por trás de cortinas de ferro, bem longe das periferias, guetos e favelas de nossas urbes.
    A Justiça Brasileira por sua vez, deve se empenhar de forma intensa neste trabalho de estudo, análise e propositura de ações que contribuam de forma positiva para transformar o quadro atual que envolve tão importante questão.
    A questão da ilegalidade e da legalidade do consumo deste tipo de droga deve ser analisada com imparcialidade, pois a realidade brasileira é totalmente diferente do resto do mundo e nem de longe poderemos usar a experiência de outras nações como exemplo.
    Uma coisa é notória: a droga em si, tal qual um veículo ou uma arma, pode ser manipulada da forma que o usuário bem entender e a sociedade precisa entender que cada cidadão dever ser responsabilizado pelos seus atos, independentemente do seu estado de sobriedade ou não.
    Não adianta condenar uma droga, seja ela legal ou ilegal pelas ações delituosas. É preciso sim, condenar o respectivo usuário pelo delito cometido.
    É válido afirmar que de certa forma a Justiça vem atuando junto a alguns usuários e admoestando outros com penas e sanções de acordo com a gravidade de seus delitos.
    É preciso deixar bem claro que o Brasil avançaria de forma considerável na redução da violência, ocasionada por conta da droga, desenvolvendo ações políticas capazes de amenizar e até mesmo extinguir o problema e quem sabe, tornar livre a sua comercialização.
    Finalmente o poder público não deve abrir mão de campanhas de advertência e conscientização junto ao cidadão sobre os danos e riscos ocasionados pela utilização de tais produtos.

    JOSE STENIO NEVES GAMELEIRA
    Educador

    Leia mais em: http://www.webartigos.com/artigos/drogas-trafico-e-justica-no-brasil/74387/#ixzz2vzqMnzuD

  9. Paschoal Responder

    Ainda creio que vá muito além dessa questão! Existe atualmente e desde muito tempo uma política de perpetuação da guerra contra as drogas por interesses econômicos e como sustentáculo da própria estrutura capitalista. A guerra contra as drogas SACIA O VÍCIO DO PRÓPRIO SISTEMA DE POSTOS DE TRABALHO/CONSUMO BEM REMUNERADOS SEM PROPRIAMENTE PRODUZIR BENS MATERIAIS, uma necessidade infinita de crescimento do terceiro setor.
    É visível a imensidão de toda a estrutura concebida pra que haja polícia (em todos as suas vertentes) bem armada, equipada com tecnologia e veículos de última geração. Estrutura jurídica tendo agentes com salários onerosos e exorbitantes e benefícios dos mais variados além do que se “lucra” nas relações de mercado do poder.
    Por outro lado temos o “crime organizado” (entre parênteses pois não sei ainda qual dos 2 lados é mais) com suas relações de compra e venda de produtos do mesmo porte das polícias e, da mesma forma, negociados nem sempre de forma lícita. O tráfico de armas e drogas, além de uma concepção ideológica de estruturação paramilitar a fim de satisfazer suas necessidades de crescimento para sobreviver aos constantes enfrentamentos com as polícias.
    Isso sem citar as estruturas de saúde (pública ou não), midiática (jornalismo sensacionalista), segurança privada.. Entre vários outros nichos de mercado alimentados pela violência do cotidiano.
    A GUERRA ÀS DROGAS GERA “RIQUEZA E RENDA”, por isso ela é tão importante, mantém o sistema criando cada vez mais consumo!
    O próximo passo desse tão bem arquitetado (e malévolo) plano (aqui no Brasil pelo menos, pois já foi executado em outros países que estão concluindo seu ciclo de destruição capitalista) é a privatização do sistema carcerário, transformando os usuários de drogas, traficantes e outras vítimas (principalmente negros e pessoas de baixa renda das periferias) em mercadoria pra sustentar um outro negócio criado por aqueles primeiros.

    E adivinha quem paga a conta disso tudo..

    Já passou da hora de começarmos a falar disso por aí!

  10. walter mezzavilla Responder

    dificilmente , encontra-se um individuo em perfeita saúde mental. Tem sempre um distúrbio, por menor q. seja,q. seria facilmente resolvido se tivesse a liberdade comprar em uma farmácia, os chamados ” calmantes”.Por conta própria, resolveria seu problema e não precisaria,ir buscar nas drogas ilícitas o alivio para o seu bem estar. No passado, os ” diazepans “da vida eram encontrados nas farmácias sem necessecidade de receita, o seja, autorização para seu uso.com fim dessa liberdade, deu origem ao q. se vê hoje,a busca de uma droga ilícita,tomada descontroladamente, misturada a outras tantas, tornando, um simples doente, num individuo totalmente debilitado, com o grau de seu distúrbio grandemente aumentado. Há de se observar q. tudo começou, com a proibição da venda, repito dos chamados ” calmantes” A figura do traficante, ficaria desprezada, perderiam a sua clientela, e esses problemas q. atormentam as autoridades da saúde desapareceria.Para terminar repito, o usuário é um doente q. precisa de um medico, mas para isto o Estado teria q. oferecer facilidade, ou seja condições clinicas especializadas para oferecer.

    1. Antônio Veredas Responder

      Que cara engraçado: a ele não basta que a droga dele seja legal (no caso, os barbitúricos), faltaria ainda que fosse vendida livremente, sem qualquer tipo de controle… afinal, se todos pudessem tomar barbitúricos à vontade, todos os problemas desapareceriam, e as pessoas não recorreriam às outras substâncias! Isso é que é enxergar o mundo pelo próprio umbigo: danem-se as pessoas que são encarceradas por consumirem outras substâncias, eu quero é comprar diazepam sem precisar de receita!


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