Folha, black bloc do jornalismo

Muita gente não entendeu o posicionamento da Folha de São Paulo no dia seguinte ao voto decisivo de Celsinho. Na capa, um manifestante mascarado arremesa uma pizza contra o STF. Mas num jogo...

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Muita gente não entendeu o posicionamento da Folha de São Paulo no dia seguinte ao voto decisivo de Celsinho. Na capa, um manifestante mascarado arremesa uma pizza contra o STF. Mas num jogo de imagens cheio de ousadia e malícia, o pedaço de pizza parece ter endereço certo: um José Dirceu cabisbaixo, vestindo agasalho do Corinthians.

 

 

Mas o que confundiu mesmo os leitores foi o desencontro da capa com o editorial intitulado: “Não é pizza”, em que a família Frias defende o Estado de direito e rejeita o termo “pizza” para classificar o acontecido no STF.

Mas o Jornalismo Wando existe justamente para iluminar e dissecar os meandros da wandalização jornalística.

Vamos lá.

A capa e o editorial abordam o tema de maneira completamente diferente porque:

1) A capa tem um efeito político imediato. Ficam estampadas nas bancas de jornais, circulam em sites, redes sociais, e atinge diretamente o coração do povo.  O objetivo foi contribuir para o clima de “pizza” e indignação contra os corruPTos.

2) O editorial tem um objetivo a longo prazo. Hoje, ninguém lê, mas no futuro poderá servir de apoio aos políticos do bem que necessitarem de embargos infringentes. Uma excelente carta na manga. A Folha não poderá ser cobrada por incoerência se por ventura defender os mesmo embargos para colegas. A resposta já está pronta:  “Defendemos embargos para mensaleiros tucanos por coerência. Leia editorial do dia 19/09/13”. E ninguém mais lembrará da capa pizzaiola.

Ou seja, o jornal paulistano nos presenteou com mais um show de Jornalismo Wando.

Maliciosa na capa, uma dama no editorial.

 



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